COMPÊNDIO DA BÍBLIA – 4. NÚMEROS
- Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião
O livro de Números é o quarto da Bíblia e integra o Pentateuco, tradicionalmente atribuído a Moisés. O nome deriva da realização de dois censos do povo de Israel antes da entrada em Canaã. A obra relata a trajetória dos israelitas desde o deserto do Sinai até as planícies de Moabe, registrando episódios marcados por fé, infidelidade, juízo, misericórdia e milagres ao longo de 40 anos de peregrinação no deserto, evidenciando o cuidado de Deus mesmo diante da incredulidade humana.
A narrativa abrange aproximadamente 39 anos, entre 1450 e 1451 a.C., e está organizada em 36 capítulos, divididos em três grandes seções: o período no deserto do Sinai (capítulos 1 a 9); a caminhada do Sinai até Cades (capítulos 10 a 19); e o trajeto de Cades até Moabe (capítulos 20 a 36).
O livro tem início com o povo de Israel acampado ao pé do monte Sinai, quando Deus ordena a Moisés a realização de um censo dos homens israelitas com 20 anos ou mais, aptos para a guerra, tribo por tribo. Os levitas foram excluídos da contagem, pois ficaram responsáveis pelo Tabernáculo, seu transporte e os serviços sagrados. O total registrado foi de 603.550 homens, além da relação das tribos e famílias, com registros feitos por escribas.
Na sequência, a narrativa descreve a organização do povo e dos levitas ao redor do Tabernáculo, em preparação para a marcha rumo a Canaã e para a adoração no santuário. Também são estabelecidas leis para a preservação da pureza do povo, incluindo as normas do voto do nazireado, que previa a consagração a Deus, a abstinência de vinho, a proibição de cortar o cabelo e o contato com mortos.
Após quase um ano no Sinai, os israelitas iniciam a jornada pelo deserto. Duas trombetas de prata eram utilizadas para convocar o povo às marchas. Uma nuvem permanecia sobre o Tabernáculo: quando se movia, o povo avançava; quando parava, o acampamento era montado. Hobabe, cunhado de Moisés, foi designado como guia da caminhada.
Durante o percurso, surgem queixas e saudades do Egito. Em resposta, Deus envia codornizes para saciar a fome, mas também uma praga como juízo pela incredulidade do povo. Moisés então envia doze espias, um de cada tribo, para reconhecer a Terra Prometida. Após 40 dias, a maioria apresenta um relatório pessimista, apesar de reconhecer a fertilidade da terra. Apenas Josué e Calebe demonstram confiança em Deus. Diante da revolta popular, Deus decreta que os israelitas com mais de 20 anos não entrarão em Canaã, com exceção de Josué e Calebe, determinando que o povo vagaria pelo deserto durante 40 anos, até a morte daquela geração.
O livro também relata a rebelião liderada por Corá, Datã e Abirão contra Moisés. Os três são tragados por uma fenda aberta na terra, enquanto outros 250 líderes da comunidade são consumidos pelo fogo diante do Tabernáculo.
Ao longo dos anos, os israelitas enfrentam conflitos com povos vizinhos, como cananeus, midianitas e edomitas, além de batalhas contra Seom, rei dos amorreus, e Ogue, rei de Basã. O povo sofre ainda pragas e ataques de serpentes venenosas como consequência da desobediência. Moisés também é punido: por ferir a rocha com o cajado, em vez de falar a ela conforme a ordem divina, é impedido de entrar na Terra Prometida.
Nesse período, morrem Arão e Miriã, irmã de Moisés, sepultada em Cades, local onde o povo permaneceu por cerca de 38 anos. Eleazar, filho de Arão, assume o sumo sacerdócio.
A narrativa inclui ainda a história de Balaão, profeta contratado por um rei moabita para amaldiçoar Israel, mas que, sob intervenção divina, acaba proclamando bênçãos sobre o povo.
Com a morte da geração anterior, Deus ordena um novo censo, que registra 601.730 homens. São instituídos direitos de herança para as mulheres, e Josué é confirmado por Moisés como seu sucessor. O livro apresenta também instruções sobre sacrifícios, obediência à Lei, festas e celebrações religiosas.
Números se encerra com leis relativas à divisão das terras, à instituição das cidades dos levitas e das cidades de refúgio para homicidas involuntários, além da nomeação dos chefes responsáveis pela partilha entre as tribos. O povo de Israel encontra-se, então, às portas de Canaã, pronto para entrar na Terra Prometida.
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