Compêndio da Bíblia – 5. Deuteronômio
- Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião
Deuteronômio é o quinto livro da Bíblia e integra o Pentateuco, conjunto dos cinco livros da Torá, tradicionalmente atribuídos a Moisés. O nome deriva do termo grego deuteronomion, que significa “segunda lei”, em referência à reapresentação dos mandamentos dados ao povo de Israel. O livro aborda um período de aproximadamente dois meses, nas planícies de Moabe, às portas da Terra Prometida, por volta de 1451 a.C., e está organizado em 34 capítulos, divididos em três grandes seções.
A primeira parte apresenta um resumo das jornadas de Israel desde o Êxodo do Egito até a chegada às fronteiras de Canaã (capítulos 1 a 4). A segunda concentra-se na repetição e explicação da Lei, abrangendo os capítulos 5 a 27. Já a terceira reúne profecias e orientações finais sobre o futuro de Israel, do capítulo 28 ao 34.
O conteúdo de Deuteronômio é estruturado em três grandes discursos finais de Moisés ao povo. O livro tem início com os israelitas acampados nas planícies de Moabe, onde Moisés relembra a caminhada no deserto, as provações enfrentadas, as bênçãos recebidas e reforça a necessidade de obediência ao Senhor, apresentado como Deus único, poderoso e próximo de seu povo.
Ao longo dos discursos, Moisés recorda os Dez Mandamentos, a aliança firmada no monte Sinai e apresenta o chamado Código Deuteronômico, um conjunto de leis que regulamenta a vida religiosa, moral, social e civil de Israel. Ele exorta o povo a observar fielmente essas normas ao entrar na Terra Prometida, associando a obediência às bênçãos divinas e advertindo sobre as consequências da desobediência.
Entre os trechos centrais do livro está a instituição do Shema Israel — “O Senhor nosso Deus é o único Senhor” —, que destaca o amor a Deus como fundamento da aliança. Esse amor deve se manifestar em todos os aspectos da vida, nos pensamentos e nas ações. Moisés orienta os pais a transmitirem a fé às futuras gerações e alerta contra a idolatria, a autossuficiência e o afastamento dos mandamentos divinos.
Deuteronômio também enfatiza a justiça social, com orientações claras quanto ao tratamento justo de estrangeiros, órfãos e viúvas, além de normas relacionadas à administração da justiça e à condução de conflitos e guerras. O texto inclui instruções sobre as principais festas religiosas — Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos —, bem como sobre o ano sabático e o ano jubilar, reforçando a fidelidade exclusiva ao único Deus.
O livro aborda ainda temas como culto, liderança, conduta ética, regras para juízes, reis, sacerdotes e profetas, além de questões ligadas à família, casamento, herança, proteção aos pobres, honestidade nos negócios e respeito à vida, à propriedade e à dignidade humana. Entre seus conteúdos estão o Cântico de Moisés e a Bênção de Moisés, que refletem sobre a história de Israel e a fidelidade de Deus ao longo do tempo.
Nos capítulos finais, Moisés reforça as bênçãos decorrentes da obediência — como prosperidade, proteção, fertilidade da terra e sucesso — e as maldições associadas à desobediência, incluindo doenças, fome, derrotas militares, exílio e sofrimento. Ele renova formalmente a aliança com Deus e afirma que haverá restauração caso o povo se arrependa de forma sincera.
O livro se encerra com a subida de Moisés ao Monte Nebo, de onde ele contempla a Terra Prometida antes de morrer aos 120 anos, com vigor físico e mental preservados. Segundo o texto bíblico, o próprio Deus cuida de seu sepultamento, em local desconhecido, e o povo de Israel lamenta sua morte por trinta dias. Preparado por Moisés, Josué assume a liderança, e Deuteronômio conclui destacando que nunca mais surgiu em Israel um profeta como Moisés, com quem o Senhor falasse face a face.
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