Líderes comunitários da Região Leste pedem o fim do Carnaval 2026 em Goiânia
Líderes comunitários da Região Leste de Goiânia pediram, na tarde desta quinta-feira, 29, ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), o fim do Carnaval 2026. Segundo informações da Representação protocolada, a cidade de Goiânia enfrenta uma grave crise na gestão da saúde pública. O documento aponta o fechamento dos Centros de Assistência Integral à Saúde (Cais) Amendoeiras e Novo Horizonte, responsáveis pelo atendimento de urgência e emergência, e solicita providências imediatas para garantir a reabertura das unidades.
Ao Jornal Opção, o TCM-GO informa, por meio de nota, que o processo nº 00723/26, protocolado neste dia 29 de janeiro, foi encaminhado ao gabinete do conselheiro relator, Humberto Aidar. “Após tomar conhecimento da representação, o conselheiro a enviará à área técnica para a devida análise. Posteriormente, o processo será remetido ao Ministério Público de Contas. Esse é o trâmite”, finaliza a nota.
Além disso, cobram a suspensão dos preparativos e da destinação de recursos públicos para o Carnaval de 2026 até que os serviços de saúde sejam normalizados. De acordo com a Representação, desde 2025 a prefeitura de Goiânia vem adotando medidas ineficazes e precárias na área da saúde. Diversas assembleias gerais realizadas em regiões da capital identificaram problemas graves nas unidades, incluindo falta de infraestrutura, insumos e medicamentos, além da necessidade de pacientes adquirirem remédios por conta própria.
Relatórios anexados ao documento apontam ainda ausência de médicos durante o expediente, dificuldade de agendamento de consultas e exames, falta de equipamentos como raio-x, ausência de telefone nas unidades, banheiros sem condições de uso e carência de materiais básicos como papel higiênico, sabonete, álcool em gel, luvas e máscaras.
O fechamento do Cais Amendoeiras, em outubro de 2025, teria afetado diretamente cerca de 80 mil moradores da região leste da capital, que passaram a depender da UPA Jardim Novo Mundo, localizada a mais de 5 km de distância e já sobrecarregada pela demanda local.
Em dezembro do mesmo ano, a população da região sudoeste também foi surpreendida com a interrupção do atendimento de urgência e emergência no CAIS Novo Horizonte. Os líderes comunitários afirmam, na Representação, que tais medidas colocam em risco iminente a vida humana, violando a dignidade das famílias e os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal.
O documento destaca que as decisões foram tomadas de forma unilateral pela Secretaria Municipal de Saúde, sem consulta prévia ao Conselho Municipal de Saúde ou à população, como determina a legislação. Conselheiras de saúde legitimamente eleitas também relataram que o fechamento das unidades foi realizado sem audiência pública e sem parecer técnico, caracterizando descaso e irresponsabilidade da gestão municipal.
O relatório do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), divulgado em dezembro de 2025, é citado na Representação como reforço às denúncias, ao apontar falhas graves na gestão das maternidades públicas de Goiânia.
Entre os problemas identificados estão interrupção de serviços, leitos inativos que geraram prejuízo de R$ 2,5 milhões aos cofres públicos, queda de 85% na produtividade das maternidades, fragilidades na execução de convênios e justificativas insuficientes apresentadas pela Secretaria Municipal de Saúde. Dos 15 pontos avaliados, apenas um apresentou conformidade. O diretor do DenaSUS, Rafael Bruxellas, informou que o órgão continuará acompanhando as providências e a implementação de um plano de ação para sanar as irregularidades.
A Representação cita ainda o artigo 217 da Lei Orgânica do Município de Goiânia, que estabelece competências do Sistema Único de Saúde em nível municipal, incluindo assistência integral, elaboração de planos de saúde, administração orçamentária e financeira, garantia de insumos, concursos públicos para servidores e execução de programas estratégicos. Os líderes comunitários afirmam que a prefeitura não cumpre suas obrigações legais, descumprindo princípios constitucionais como legalidade, eficiência e publicidade.
Diante desse cenário, os representantes comunitários requerem ao TCM-GO que recomende urgentemente a reabertura dos CAIS Amendoeiras e Novo Horizonte, a aquisição de insumos e medicamentos, e a eficiência no atendimento médico.
Também pedem a instauração de processo administrativo para apurar possíveis crimes de abuso de autoridade, prevaricação e improbidade administrativa cometidos pelo prefeito de Goiânia e seus auxiliares. A denúncia menciona ainda a possível violação da Lei nº 8.429/92, que trata de enriquecimento ilícito, prejuízo ao erário e violação dos princípios da administração pública.
Outro ponto central da Representação é o pedido de suspensão imediata dos preparativos e da destinação de recursos financeiros para o Carnaval de 2026 em Goiânia. Os líderes comunitários argumentam que a realização da festa, diante da precariedade da saúde pública, viola os princípios da administração pública e representa desrespeito à vida humana e à dignidade dos cidadãos.
O documento, assinado por dezenas de lideranças comunitárias, aponta que a crise na saúde pública de Goiânia não é apenas uma questão administrativa, mas um problema que atinge diretamente os “direitos humanos” da população. A expectativa dos líderes é que o TCM-GO avalie a denúncia e adote medidas urgentes para garantir a retomada dos serviços essenciais e a responsabilização dos gestores públicos.
Situação
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o líder comunitário da Região Leste de Goiânia, Davi Moreira, reforçou as denúncias e descreveu a situação vivida pela população. “O nosso Cais Amendoeira se encontra fechado, sem atendimento médico de urgência e emergência, estamos abandonados. Quem precisa de consulta na região leste, após o Rio Meia Ponte, tem que se deslocar para a UPA do Jardim Novo Mundo, que está superlotada e também sem insumos, medicamentos e médicos suficientes. O Cais hoje está tomado pelo mato e pelo lixo, sem manutenção alguma”, afirmou.
Davi Moreira destacou ainda a contradição entre os gastos públicos e a realidade da população. “O prefeito gasta bilhões com o Carnaval enquanto a população sofre nas filas dos hospitais e postos de saúde. O posto de saúde do setor central está há três meses sem médico, o do Abapuru também não tem. Falta de tudo nas unidades de saúde. Nada contra o Carnaval, que é uma festa popular, mas é preciso garantir primeiro o atendimento digno à comunidade. A saúde não se brinca. Como é que você fecha uma unidade que atende 57 bairros há mais de 40 anos? Isso é um absurdo, nós não podemos aceitar”, disse.
Em complemento, o advogado Fernando Sales, que representa os líderes comunitários, também concedeu entrevista ao Jornal Opção e reforçou o caráter jurídico da denúncia. “Viemos cobrar do Tribunal de Contas dos Municípios providências diante do descaso que se encontra Goiânia. O Cais Amendoeira está fechado, sem atendimento de urgência e emergência, tomado pelo mato e pelo lixo. A população está abandonada. Além disso, há a questão do Carnaval, onde se gasta bilhões enquanto os postos de saúde não têm médicos, insumos e medicamentos. A saúde deve estar em primeiro lugar. Educação e lazer são importantes, mas sem saúde não há dignidade. É inadmissível que uma unidade que atende 57 bairros há 40 anos esteja trancada com cadeado, sem atendimento médico. Isso é um absurdo e não podemos aceitar”, declarou.
Após a reunião, Fernando Sales voltou a se pronunciar e reforçou os pontos levantados pelos líderes comunitários. “Nós viemos cobrar do Tribunal de Contas dos Municípios a situação de abandono que Goiânia enfrenta. O lixo e o mato tomam conta do Cais Amendoeira, que está fechado e sem atendimento médico de urgência e emergência. Quem mora na região leste precisa se deslocar até a UPA do Jardim Novo Mundo, que está superlotada e sem insumos, ou até o Cais Vila Nova. Muitos moradores chegam a recorrer ao município vizinho de Senador Canedo para buscar atendimento, porque Goiânia não oferece mais o básico. Isso é um descaso total”, afirmou.
O advogado destacou ainda a indignação da população com os gastos públicos. “Enquanto isso, bilhões são destinados ao Carnaval, enquanto os postos de saúde estão sem médicos, sem insumos, sem medicamentos. O posto de saúde do setor central está há três meses sem médico, o do Abapuru também não tem. A população sofre nas filas e não recebe atendimento digno. Nada contra o Carnaval, que é uma festa popular, mas é preciso que haja prioridade. O lazer é importante, a educação é importante, mas a saúde é mais importante. Não se pode brincar com a vida das pessoas”, disse.
“Estamos aqui em nome da população, buscando solução e cobrando fiscalização. O prefeito não faz nem a manutenção das unidades de saúde, o mato toma conta, o lixo se acumula. A saúde deve ser prioridade absoluta. Não podemos aceitar que uma unidade que atende 57 bairros há 40 anos esteja fechada, trancada com cadeado, sem atendimento médico de urgência e emergência. Isso é um absurdo e precisa ser corrigido imediatamente”, concluiu o advogado.
Leia também:
Curso de Letras ganha força e atrai nova geração de estudantes; pesquisador aponta motivos
Ifag afirma que pavimentação da GO-178 avança apesar de paralisação judicial e chuvas acima da média
O post Líderes comunitários da Região Leste pedem o fim do Carnaval 2026 em Goiânia apareceu primeiro em Jornal Opção.