Pesquisa de universidade goiana aponta possível ligação entre consumo de vegetais e proteção renal em pacientes com diabetes
Pesquisadores da Universidade Federal de Jataí (UFJ), em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), identificaram um possível vínculo entre hábitos alimentares saudáveis — especialmente a ingestão de vegetais — e a proteção dos rins em pacientes com diabetes. “O sulforafano é capaz de ativar uma proteína chamada NRF2, que atua na defesa da célula contra os radicais livres, substâncias tóxicas que comprometem o funcionamento celular”, explicou Menezes em entrevista ao Jornal Opção.
De acordo com o pesquisador e professor de Farmacologia do Instituto de Ciências da Saúde da UFJ, Rafael Menezes, o trabalho demonstrou que moléculas como o L-sulforafano — substância encontrada principalmente no brócolis e em outras vegetais crucíferas — ativam mecanismos de proteção nas células renais, retardando a degradação causada pela hiperglicemia, caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue.
Os resultados fazem parte do estudo “A ativação farmacológica do fator nuclear eritroide 2 relacionado ao fator 2 previne o dano oxidativo renal induzido pela hiperglicemia: possível envolvimento da O-GlcNAcilação”, publicado na revista científica Biochemical Pharmacology.
Segundo o pesquisador, o estudo teve início a partir de uma iniciação científica da aluna da UFJ, Mayara Colmanetti Dias, que obteve resultados preliminares promissores. A pesquisa foi posteriormente aprofundada durante o pós-doutorado de Menezes na FMRP/USP, sob a supervisão da professora Rita Tostes.
Os testes foram realizados em roedores de laboratórios submetidos à ingestão crônica de dietas ricas em carboidratos e açúcares, com o objetivo de reproduzir o quadro diabético observado em humanos adultos. Parte dos animais recebeu o composto sulforafano, permitindo a avaliação de seus efeitos.
Os resultados indicaram melhora significativa da função renal nos animais tratados, com recuperação da taxa de filtração do sangue e redução dos níveis de creatinina. “Observamos melhora na atividade celular em todos os animais tratados com sulforafano, mesmo diante do dano provocado pela hiperglicemia”, afirmou o pesquisador.
Com isso, a pesquisa deve seguir em testes de amostras humanas para determinar se os achados em testes experimentais possuem o mesmo efeito.
Para Menezes, os achados abrem uma nova perspectiva complementar no tratamento de pacientes com diabetes, caso os resultados se confirmem em estudos clínicos com humanos. A estratégia não substitui os medicamentos já utilizados, mas pode atuar como um fator auxiliar na melhora da qualidade de vida. “Manter uma alimentação saudável, como o consumo de brócolis, não é uma cura para a insuficiência renal causada pela diabetes, mas pode contribuir como apoio à terapia farmacológica já existente no controle da doença”, concluiu.
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