Após investigações, Einstein Paniago afirma que não autorizou aplicação de R$ 40 milhões no Banco Master
Giovanna Campos e Amanda Costa
O professor Einstein Paniago, ex-secretário da Fazenda de Aparecida de Goiânia e ex-presidente do Instituto de Previdência do município (AparecidaPrev), enviou nota rebatendo as acusações relacionadas à aplicação de R$ 40 milhões em letras financeiras do Banco Master, realizada em 6 de junho de 2024.
A operação ocorreu durante a gestão do então prefeito Vilmar Mariano e, segundo investigações em andamento, teria sido feita sem anuência do Conselho Municipal de Previdência (CMP) e em desacordo com a política de investimentos vigente.
O que dizem as investigações
Conforme apurado, o AparecidaPrev aplicou R$ 40 milhões em Letras Financeiras (LF) do Banco Master, ativo com rentabilidade atrelada ao IPCA. O investimento teria sido realizado sem aprovação formal do Conselho Municipal de Previdência e do Comitê de Investimentos.
As apurações indicam ainda que havia tratativas para ampliar o aporte — inicialmente com expectativa de pelo menos mais R$ 10 milhões, podendo chegar a até R$ 30 milhões adicionais.
O nome de Einstein Paniago passou a ser citado nas investigações sob a suspeita de que teria articulado a aplicação junto ao banqueiro Daniel Vorcaro e atuado para viabilizar o investimento, mesmo diante de resistência interna quanto à classificação de risco da instituição financeira.
O ex-prefeito Vilmar Mariano afirmou ao Jornal Opção que não participou diretamente da decisão nem deu anuência à aplicação.
O que diz a defesa de Einstein Paniago
Na nota encaminhada à reportagem, Einstein Paniago nega qualquer responsabilidade pelo investimento e sustenta que:
- A decisão de aplicar os R$ 40 milhões foi unilateral do então presidente do AparecidaPrev e do diretor financeiro, que detinham as senhas e competência para executar a operação;
- O Comitê de Investimentos, do qual ele fazia parte em 2024, tem caráter consultivo, não deliberativo;
- Não houve deliberação formal do Comitê ou do Conselho autorizando a aplicação no Banco Master;
- Ele teria solicitado que eventual mudança na política de investimentos — que exigia rating AAA — fosse submetida previamente ao Conselho Municipal de Previdência.
Segundo a nota, em reunião do Comitê realizada em fevereiro de 2024, foi apresentado estudo técnico da consultoria contratada pelo instituto, que apontava maior rentabilidade das letras financeiras do Banco Master, mas registrava que o rating da instituição era inferior ao parâmetro previsto na política anual de investimentos.
De acordo com a defesa, Einstein solicitou que qualquer alteração nos critérios de rating fosse submetida ao Conselho Municipal de Previdência antes de eventual aplicação, o que, segundo ele, não ocorreu.
Divergência central: houve ou não aval colegiado?
O ponto central da controvérsia está na interpretação das atas e da competência decisória.
Enquanto as investigações apontam possível articulação prévia e tentativa de flexibilização dos critérios de risco, a defesa sustenta que:
- As discussões registradas em ata foram meramente técnicas e exploratórias;
- Não houve deliberação formal autorizando o investimento;
- A aplicação realizada em junho de 2024 não foi submetida novamente ao Comitê nem ao Conselho após a negativa de alteração da política de investimentos.
A nota afirma ainda que a operação foi feita “ad referendum”, mas sem posterior submissão aos colegiados, o que, segundo o ex-secretário, caracterizaria decisão exclusiva da diretoria executiva.
Autonomia do AparecidaPrev
Outro ponto enfatizado pela defesa é que o AparecidaPrev é uma autarquia com autonomia administrativa e financeira, não estando subordinado à Secretaria da Fazenda.
Einstein Paniago argumenta que, em junho de 2024, não integrava a diretoria executiva do instituto, não tendo poder para autorizar ou executar investimentos.
Ele também afirma que, durante sua gestão como presidente do AparecidaPrev (janeiro de 2021 a março de 2023), os investimentos foram realizados exclusivamente em bancos oficiais e dentro dos critérios de rating mais conservadores.
Possibilidade de reversão do investimento
A nota também sustenta que, após a aplicação dos R$ 40 milhões, gestões posteriores teriam tido tempo para reverter ou permutar o investimento, mas optaram por mantê-lo.
Segundo a defesa, essa manutenção posterior não pode ser atribuída à sua responsabilidade.
Investigações seguem
O caso é alvo de apuração por órgãos de controle e pode resultar também na criação de Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia.
Einstein Paniago afirma desconhecer investigação formal da Polícia Federal em que figure como alvo e declara estar à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades.
“Não houve ato ilícito, irregular ou antijurídico praticado”, conclui a nota.
As investigações seguem em andamento para apurar a legalidade da aplicação, o cumprimento das normas da política de investimentos do regime próprio de previdência e eventual responsabilização dos agentes envolvidos.
Vilmar Mariano nega aprovação em aplicação de R$ 40 milhões do AparecidaPrev no Banco Master
O post Após investigações, Einstein Paniago afirma que não autorizou aplicação de R$ 40 milhões no Banco Master apareceu primeiro em Jornal Opção.