O deputado estadual Carlos Alberto David dos Santos, o Coronel David (PL), irá assumir a liderança do chamado “blocão temporário” na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). O grupo é composto por 12 deputados, de seis partidos, e foi articulado para garantir maioria na CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação), considerada a principal comissão da Casa, mas terá validade até 4 de abril, quando se encerra a janela partidária. Até ontem (24), a liderança estava com o deputado estadual Marcio Fernandes (MDB). Segundo Coronel David, a mudança ocorreu após articulação interna e coleta de assinaturas suficientes para protocolar o requerimento junto à Mesa Diretora. O pedido contou com a assinatura do antigo líder emedebista. O deputado Coronel David não participou da sessão de ontem (24) por estar em recuperação de uma cirurgia, mas compareceu nesta terça-feira (25) e reivindicou a liderança do bloco. Segundo ele, obteve as assinaturas necessárias, inclusive de integrantes do MDB, para protocolar o requerimento junto à Mesa Diretora. “Nós estamos no período eleitoral. Como nós perdemos o deputado Lucas de Lima, nós tivemos que deixar de ter uma bancada e, perdendo um membro, a gente não poderia mais compor uma bancada como a gente tinha na legislatura passada. E aí ficaríamos minoria, três do PL, três do PT. O regimento diz que, nesse caso, a minoria poderia indicar alguém para a CCJ”, afirmou Coronel David. Ele defendeu sua reivindicação à liderança do bloco, já que foi um dos articuladores do “blocão”. “Eu entendi que eu tinha corrido atrás, o presidente [Gerson Claro] me ajudou muito para que a gente montasse esse grupo dos 12 e eu me senti então no direito de reivindicar a liderança”. De acordo com o parlamentar, a articulação teve como objetivo ampliar o peso do grupo, que é base do governador Eduardo Riedel (PP), na principal comissão da Casa, além de isolar ainda mais a bancada do PT, que hoje conta com três deputados. “Nós estamos num período eleitoral. E aqui eu defendo as cores do governo do Estado, do governo do Eduardo Riedel, e a gente entendeu que esse era o momento de buscar uma participação majoritária dentro da CCJ. E uma forma que a gente encontrou era montar um grupo de 12 deputados. Mais um grupo de 8, só ficaria o PT, eles não teriam possibilidade nenhuma de indicar nenhum integrante. E foi isso que a gente fez”, declarou Coronel David. Foram indicados para a CCJR os deputados Junior Mochi (MDB), Pedro Pedrossian Neto (PSD) e, confirmado na manhã desta terça, Rinaldo Modesto (Podemos), que já integrou a comissão no início da atual legislatura. Permanecem como membros o presidente da CCJR, Pedro Caravina (PSDB), e Paulo Duarte (PSB). No ano passado, a quinta vaga ocupava Neno Razuk (PL-MS). Apesar de o partido ter perdido um integrante — no caso, o deputado Lucas de Lima (sem partido), que deixou a sigla —, o PL conseguiu manter espaço na comissão em 2025. A estratégia inclusive gerou críticas do deputado estadual Pedro Kemp (PT), que criticou a forma como foi composta a CCJR, apontando que parlamentares da oposição ao governo também deveriam ter presença na principal comissão, para apresentar “contraponto” nos debates. “Nós vamos continuar insistindo nesse direito das minorias de participar.” Provisório — A composição, no entanto, é provisória. A janela partidária — período de 30 dias em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perda de mandato — será aberta na próxima terça-feira (3) e segue até 4 de abril. A expectativa é que mais da metade dos deputados estaduais mude de legenda, o que deve alterar o peso numérico das bancadas e provocar nova reorganização dos blocos e das comissões parlamentares. Entretanto, mudanças terão que ser feitas, já que, conforme recomendação do presidente da Alems, o deputado estadual Gerson Claro (PP), é que os deputados fiquem em blocos junto aos colegas de partido. “Na verdade, vai mudar novamente. Isso aqui começa a valer, mas com a janela partidária, o presidente hoje nos comunicou que não ficaria adequado que deputados de um mesmo partido fizessem parte de blocos diferentes,” explicou o deputado do PL. O antigo líder do bloco, Márcio Fernandes, também ressaltou que o cenário atual é provisório. Ele apontou que diversos parlamentares devem aproveitar o período de 30 dias para trocar de legenda, o que impactará diretamente a formação dos blocos, já que eles são estruturados com base nos partidos. “Vários parlamentares vão fazer o uso da mudança partidária, que tem janela de 30 dias e vão mudar de partido e o bloco é formado por partidos, então a semana que vem vão ter várias alterações, vão ter novos blocos, vão ter formação de novos blocos, vão ter alterações nas Comissões permanentes da Casa”, disse Márcio. Pelas movimentações nos bastidores, a previsão é de que neste ano o PL seja o partido com mais deputados estaduais na Alems. Com isso, Coronel David aponta que o PL deve ampliar sua representação na Casa. “O PL com certeza vai ter um número muito grande de deputados e vou tentar continuar sendo líder do bloco do PL”, disse.