Após modinha da colher, invenção da Páscoa deste ano é ovo em fatia. A nova febre das redes sociais tem feito as confeitarias artesanais "surtarem". Isso porque embora pareça simples, o preparo exige infinitos processos e mais investimento em material de trabalho. Depois de inúmeros "não vamos fazer", enfim o Lado B achou alguém que fará a nova febre por aqui. A ideia é simples, reunir até 6 sabores em um único ovo. A proposta é atrativa para quem quer experimentar diferentes recheios de uma só vez, mas, por trás do sucesso, a produção é bem mais trabalhosa do que muita gente imagina. A confeiteira, Kamila Carvalho Silva, de 24 anos, explica que a ideia chama atenção justamente pela variedade de sabores em um único produto e pela "economia" que tentaram vender. Ela é uma das poucas que farão o ovo de fatia na Capital, mas já alerta: não será barato. O investimento no "hype" pode custar de R$120 a R$140. O cardápio ainda está sendo montado, mas ela adianta que vai trabalhar com número limitado de pedidos. A produção é pequena e Kamila quase trabalha sozinha, com algum reforço em datas comemorativas. A decisão de reduzir a oferta é conseguir focar também nos outros produtos de Páscoa como bolos com orelhas de coelho, e coberturas divertidas com cenouras. Além dos ovos tradicionais de colher. No teste do ovo de 6 fatias, Kamila quis testar com os sabores tradicionais (casquinha de chocolate com brigadeiro e brigadeiro branco com casquinha de chocolate branco) mais um de geleia de frutas vermelhas com casquinha de morango. O produto chega a quase 800 gramas e ainda está em fase de estudo. Segundo a confeiteira, novos sabores podem surgir. "O pistache tivemos uma onda muito grande, maracujá é universal de todos os anos. Vou apostar nos tradicionais, mas vou incluir os diferentes. Cada ovo será pelo menos 3 sabores, um de cada é inviável" Ela conta que uma das maiores dificuldades de fazer o ovo de fatia é juntar todas as partes e deixar todas lisas. Devido ao processo ser feito inteiro na forma ele acaba quebrando algumas pontas. "Fechar ele é trabalhoso por isso. Nessa versão o trabalho é feito toda na forma. Para produzir em escala alta o investimento é alto. Porque é preciso dela para fazer a casca, rechear e fechar. Isso dificulta. O processo é demorado. Imagina isso na semana de Páscoa seria caótico. Minha produção é artesanal e com equipe reduzida", pontua. Apesar de parecer um produto mais econômico, na prática o custo-benefício não é tão simples. O objetivo era ser mais econômico para os dois lados (quem faz e quem compra), mas acaba que não é tanto, ressalta Kamila. "Hoje o pessoal quer algo diferente, quer textura. No final das contas vai ter algo caro porque demora muito tempo de serviço, mão de obra e a matéria prima está cara. Um chocolate de uma marca boa sai a R$140 o kg. O ovo de fatia desperdiça, quebra e não dá pra entregar algo de qualidade ruim". Enquanto o ovo em fatias ainda está em fase de testes, outro produto da confeitaria já conquistou o público: o rio de ovos de colher. Cada kit tem três unidades com cerca de 150g, e funciona como uma espécie de degustação". No ano passado os clientes puderam escolher os sabores para montar os kits. Foi o carro-chefe na doceria. Este ano Kamila espera uma grande procura pelos ovos de fatia, mas está preparada para os pedidos de quem prefere os de colher ou ovos menores tradicionais.