De fora do eixo ao centro cultural: por que grandes espetáculos chegam a Goiânia
Os palcos de Goiânia têm recebido cada vez mais produções de grande porte, antes restritas ao eixo Rio de Janeiro e São Paulo. A cidade, que por muito tempo foi vista como “provinciana” no cenário cultural, agora desponta como destino para musicais e shows de renome nacional. Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Federação de Teatro de Goiás, produtor cultural, ator e professor Robson Parente, explica os fatores que têm impulsionado essa transformação.
Um dos principais motivos é o fortalecimento das leis de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet e a Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) de fomento à cultura, que têm garantido investimentos e viabilizado a circulação de espetáculos. Além disso, Goiânia vive uma mudança significativa no perfil de público. “Muita gente está migrando do eixo Rio-São Paulo para cá, e isso favorece a vinda de grandes produções”, afirma Parente.
Além disso, o crescimento econômico e habitacional da cidade deve ser levado em conta. Regiões como Setor Marista, Setor Bueno e Setor Oeste têm se verticalizado com prédios de alto padrão, atraindo empresários e famílias com maior poder aquisitivo. Esse público, segundo Parente, é fundamental para sustentar a demanda por espetáculos de grande porte. “Goiânia é vista como uma cidade que tem dinheiro. São pessoas que realmente vão ao teatro”, ressalta.
A estrutura física dos teatros em Goiânia também tem acompanhado esse movimento. Espaços como o Teatro da PUC, o Centro de Convenções, o Teatro Madre Esperança Garrido e o Teatro da UFG oferecem condições técnicas adequadas para musicais e grandes produções. “O Teatro da PUC, por exemplo, é perfeito para musicais, com fosso e coxias que permitem montagens mais complexas”, explica.
Se antes Goiânia ficava à sombra de Brasília, hoje a capital goiana começa a se consolidar como polo cultural. Espetáculos como Bem Sertanejo, dirigido por Michel Teló, e o musical sobre Tom Jobim são exemplos de montagens que já passaram ou estão programadas para a cidade. “É notória a mudança. Goiânia sempre foi refém de Brasília, mas agora os grandes espetáculos chegam aqui”, afirma Parente.
Além das leis federais, segundo Robson, as iniciativas municipais e estaduais também colaboram, como a cessão de espaços e a redução de impostos.
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