Na manhã deste sábado (21), dezenas de pessoas fizeram fila para receber atendimento no mutirão do Humap-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), em Campo Grande. A ação faz parte da mobilização nacional “Dia E - Ebserh em Ação” e prevê a realização de mais de 300 atendimentos, que vão de tomografias a cirurgias. A iniciativa integra o programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde, e ocorre simultaneamente nos 45 hospitais universitários federais da rede Ebserh, com o objetivo de acelerar atendimentos no SUS e reduzir filas em áreas de maior demanda. A proposta é concentrar exames, consultas e cirurgias em um único dia para dar mais rapidez ao acesso da população aos serviços especializados. Por volta das 7h20, a reportagem esteve no local e encontrou pessoas aguardando atendimento. Nesta edição, o mutirão teve como principal eixo a saúde da mulher, com procedimentos como laqueadura tubária, ultrassonografias obstétricas, inserção de DIU (Dispositivo Intrauterino), exames preventivos, além de espirometrias, ecocardiogramas, tomografias, cirurgias ortopédicas e bucomaxilofaciais. Parte dos atendimentos também foi destinada à população indígena. A indígena terena Eleosdeth Francisco Ferreira conseguiu realizar uma tomografia em menos de uma hora. “Só tenho que agradecer o atendimento. É difícil chegar em um hospital e ser rápido. Aqui foi rápido”, relatou. Segundo o hospital, o mutirão deste sábado realizou 312 procedimentos, entre eles 60 tomografias, 60 ultrassons, 30 ecocardiogramas, 60 espirometrias, cirurgias ortopédicas e bucomaxilofaciais, além de inserções de Implanon e DIU de cobre, principalmente em mulheres indígenas. Em nível nacional, segundo o Ministério da Saúde, a ação fará 42 mil atendimentos à população brasileira, priorizando a saúde da mulher, em 45 hospitais da Rede Ebserh em todas as regiões do país. Desencontro de informações - Apesar dos atendimentos agendados, algumas pessoas foram ao local sem pré-agendamento após confusão de informações. No dia 3 de março, o perfil oficial do hospital informou que era falsa a informação de que o atendimento seria aberto ao público por livre demanda. Conforme o hospital, o atendimento foi exclusivo para pacientes que já estavam regulados no sistema, na fila de espera ou que foram previamente agendados e contatados pela equipe. Uma das pessoas que foi ao local sem agendamento foi a vendedora Juliana Viana, de 24 anos, mãe de um menino de 1 ano e 8 meses. Juliana explica que chegou ao hospital às 6h10 na tentativa de colocar o Implanon, mas não conseguiu atendimento. Ela afirma que perdeu um dia de trabalho. “Eu saí lá do Lageado achando que ia conseguir. Tanto que foi a própria agente de saúde do posto que me passou. Divulgaram na imprensa e até mesmo nos postos que era um mutirão. Mas isso não é mutirão, porque a gente não consegue agendar, temos que depender da boa vontade dos postos”, disse a vendedora. A dona de casa Lorraine Martins, de 22 anos, também foi ao local para colocar o Implanon após ver a divulgação do mutirão. Ela levou o bebê de seis meses e a filha, e chegou por volta das 7h30, mas também não conseguiu atendimento. “Eu vi porque começaram a postar que era para todo mundo. Porém, quando cheguei, não era para todo mundo, só para quem o hospital entrou em contato ou pelo posto. Eu até perguntei se eu podia vir com o teste de gravidez negativo, e falaram que sim”, relatou. Lorraine conta que não pode mais engravidar devido a complicações em gestação anterior. “Eu não posso mais engravidar, porque já tive descolamento de placenta. Na última gravidez fiquei muito mal e a barriga fica enorme toda vez que engravido”, explicou.