Na política de Mato Grosso do Sul, o novo ano chega com uma certeza: a grande disputa nas Eleições de 2026 será pelo Senado. As duas vagas para senador são cobiçadas por “nomes de peso”, numa corrida eleitoral que, em certa medida, ofusca até mesmo a eleição para o governo estadual. Por enquanto, a lista de pré-candidatos ao Senado tem o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), o senador Nelsinho Trad (PSD), a senadora Soraya Thronicke (Podemos), a ministra Simone Tebet (MDB), o deputado federal Vander Loubet (PT); o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gerson Claro (PP); a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL); e Jaime Verruck (PSD), atual secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, além do ex-deputado estadual Renan Contar, o Capitão Contar (PL). Claro que nem todos estarão nas urnas em 4 de outubro, mas o excesso de pré-candidatos renomados coloca os partidos diante de dilemas e escolhas difíceis. Para o cientista político Tércio Albuquerque, a disputa deste ano se assemelha com a de 2018. Naquele pleito, o embate também teve figuras conhecidas, como Nelsinho, Zeca do PT, Waldemir Moka (MDB). Ex-prefeito de Campo Grande por dois mandatos, Nelsinho foi eleito junto com uma novidade, a advogada Soraya Thronicke, que disputava em 2018 a primeira eleição. “Podemos comparar as eleições de 2026 com a de 2018, quando tivemos também oito candidatos com alguma chance. Mas agora o que faz diferença é que os potenciais candidatos ou pré-candidatos estão todos ‘embolados’ em um mesmo grupo político, inclusive Simone Tebet, que, apesar de estar no MDB e ser vinculada de forma direta ao PT, é oriunda do mesmo grupo político que hoje governa Mato Grosso do Sul. Esta situação é que torna as próximas eleições mais acirradas, quando todos os candidatos estarão disputando um mesmo eleitorado”, diz Tércio. Outro ponto em comum é que alguns potenciais candidatos também estão à espera de uma mesma “benção”, a do governador Eduardo Riedel (PP). “Como as pesquisas mostram que o governador Eduardo Riedel tem todas as chances de vencer, a busca por seu apoio mais direto é que vai influenciar a disputa ao Senado. E, nesse cenário, Reinaldo e Nelsinho podem se beneficiar, a não ser que se confirme mais uma candidatura, a de Jaime Verruck, que teria as bençãos do governador”. O cientista político também analisou o “fator Simone” na eleição para o Senado. “Não há dúvida que tem um protagonismo importante e poderá se tornar uma opção interessante para aqueles que não caminham com a extrema direita e são mais centro e centro esquerda. Assim ela poderá representar um desafio maior aos demais candidatos que não transitam pelo centro e pela esquerda”. No comparativo entre 2018 e 2026, Tércio já não vê o nome Bolsonaro como garantia de votos. Naquele ano, Jair Bolsonaro (PL) se sagrou presidente do Brasil. “Acredito que o bolsonarismo já não é mais protagonista de relevância hoje e os pré-candidatos ao Senado precisaram buscar apoio em outras direções”. Apesar disso, o PL pode ter uma dobradinha com fortes candidatos de direita ligados ao Bolsonaro. Filiado ao PL em novembro, o ex-deputado estadual Capitão Contar (PRTB) pode disputar uma vaga ao Senado ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do partido. Na prática, a chegada de Contar ao PL e o sua pré-candidatura ao Senado pela legenda, em parceria com Azambuja, provocam uma reviravolta na disputa pelas duas cadeiras de senador da República por Mato Grosso do Sul, encerrando as especulações sobre quem estaria ao lado do ex-governador na corrida pelas vagas à Câmara Alta. Em entrevista recente ao Campo Grande News , o presidente estadual do partido, Reinaldo Azambuja, avaliou como positiva a chegada do ex-adversário político à legenda. O ex-governador ressaltou que não há espaço para projetos pessoais dentro da atual estratégia do partido e que a definição da candidatura ao Senado ocorrerá com base em critérios políticos e nas pesquisas de intenção de voto, que ainda serão analisadas ao longo de 2025. “Chegou mais um. É um nome forte, mas não existe primeira vaga. Ele soma e fortalece a prioridade, que é o palanque do Riedel. Não vamos fazer projeto individual”, afirmou. No cenário nacional, a direita busca fazer a maioria no Senado, que detém alguns poderes exclusivos, como indicar ou vetar nomes do alto escalão, julgar e punir autoridades e votar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .