Quase metade dos ministros de Lula deve deixar cargos para disputar eleições em 2026
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve passar por uma ampla reformulação a partir de abril, com a saída de ministros que pretendem disputar as eleições. A orientação definida no Palácio do Planalto é priorizar a permanência da máquina administrativa em funcionamento, evitando descontinuidade em obras e programas. Para isso, a maior parte das vagas deve ser ocupada por secretários-executivos, profissionais de perfil técnico e que já atuam como número dois nas pastas.
A expectativa é de que quase metade dos ministérios sofra alterações. Em conversa recente com jornalistas, Lula reconheceu que o número de auxiliares que deixarão o governo é elevado e pode chegar a mais de 20. O presidente afirmou que não pretende barrar candidaturas, mas indicou que fará conversas individuais com os ministros que optarão pela disputa eleitoral.
Entre as primeiras mudanças previstas estão as saídas de Fernando Haddad, da Fazenda, e Ricardo Lewandowski, da Justiça. Haddad já confirmou que discutiu sua saída com o presidente e sinalizou que deve deixar o cargo ainda no primeiro trimestre. Embora não pretenda concorrer, ele deve participar ativamente da campanha de reeleição de Lula. Internamente, o PT pressiona para que Haddad dispute o governo de São Paulo ou uma vaga no Senado. O ministro trabalha para que seu substituto seja o atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan.
Lewandowski, por sua vez, comunicou ao presidente que considera encerrada sua missão no Executivo federal e deseja se afastar da rotina intensa para ficar mais próximo da família. A definição de quem assumirá o Ministério da Justiça ainda não foi anunciada.
Outro nome central nas discussões é o do vice-presidente Geraldo Alckmin. Caso dispute uma eleição em São Paulo ou volte a integrar a chapa presidencial em 2026, ele terá de deixar o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Nesse cenário, o secretário-executivo Márcio Elias Rosa aparece como um dos cotados para assumir a pasta.
Mudanças também devem alcançar ministérios que funcionam dentro do Palácio do Planalto. Rui Costa tende a deixar a Casa Civil para concorrer ao Senado pela Bahia, abrindo espaço para a atual secretária-executiva Miriam Belchior. Na Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann deve se afastar para buscar novo mandato no Paraná. O nome do sucessor ainda é discutido, mas há a possibilidade de promoção do secretário-executivo Marcelo Costa.
No campo da comunicação, há a avaliação de que Sidônio Palmeira pode deixar a Secretaria de Comunicação Social para atuar diretamente no marketing da campanha presidencial.
Fora do núcleo do Planalto, são consideradas praticamente certas as saídas de ministros como Marina Silva (Meio Ambiente), Simone Tebet (Planejamento), Jader Filho (Cidades), Waldez Góes (Integração), Renan Filho (Transportes), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Wolney Queiroz (Previdência), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), André Fufuca (Esporte), André de Paula (Pesca), Macaé Evaristo (Direitos Humanos), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Anielle Franco (Igualdade Racial).
Entre esses, Renan Filho é o único com planos de disputar um governo estadual, tentando retornar ao comando de Alagoas. Marina Silva, Simone Tebet, Waldez Góes, André Fufuca e Silvio Costa Filho avaliam candidaturas ao Senado, enquanto os demais devem buscar vagas na Câmara dos Deputados.
O futuro político de Marina e Tebet depende diretamente das articulações conduzidas por Lula. No caso da ministra do Meio Ambiente, há discussões sobre uma eventual candidatura ao Senado por São Paulo. Caso a estratégia não avance, ela pode tentar renovar o mandato de deputada federal, o que pode exigir uma mudança de partido diante de disputas internas na Rede Sustentabilidade. Para substituí-la no ministério, o nome mais citado é o do secretário-executivo João Paulo Capobianco.
Já Simone Tebet avalia disputar o Senado pelo Mato Grosso do Sul ou por São Paulo. A decisão deve ocorrer ainda no primeiro semestre, e a tendência é que o atual secretário-executivo do Planejamento, Gustavo Guimarães, assuma o comando da pasta.
Auxiliares próximos ao presidente afirmam que a substituição por quadros internos será a regra, especialmente em áreas ligadas à infraestrutura. No Ministério dos Transportes, por exemplo, George Santoro desponta como sucessor natural. Em Portos e Aeroportos, Tomé Franca é apontado como provável substituto.
Também estão no radar possíveis saídas dos ministros Márcio França (Empreendedorismo), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Camilo Santana (Educação). França avalia disputar cargos em São Paulo, enquanto Silveira é lembrado como possível candidato ao Senado em Minas Gerais. Camilo Santana pode deixar o MEC para concorrer novamente ao governo do Ceará, diante do avanço de adversários locais.
A última troca no primeiro escalão ocorreu no Ministério do Turismo, ainda antes do fim do ano. Celso Sabino foi substituído por Gustavo Feliciano após perder apoio partidário. Sabino, agora fora do governo, busca uma legenda para viabilizar uma candidatura ao Senado pelo Maranhão.
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