Um dia após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, venezuelanos que vivem em Campo Grande seguem com poucas informações sobre familiares que permanecem no país e organizam um ato público de apoio neste domingo (4), às 16h, na Praça do Rádio Clube. A principal preocupação da comunidade é a dificuldade de comunicação com parentes e o clima de incerteza sobre os próximos desdobramentos políticos e econômicos. Moradora da Casa de Resgate, Joselina Andreina Luque, de 45 anos, vive em Campo Grande há dois meses com o esposo e dois filhos, de 3 e 7 anos. Ela relata que mantém contato com familiares em Caracas, mas diz que todos estão apreensivos. “Estão bem, mas com muito medo. Já compraram comida e estão esperando o que vai acontecer amanhã”, afirmou ao relatar que a família optou por não sair de casa como forma de proteção. Segundo Joselina, a maior parte das informações chega por meio de grupos no Telegram e no WhatsApp, mas nem tudo é confiável. “As imagens circulam muito rápido, mas muitas não são verdadeiras”, disse. Ela também afirmou que não pretende voltar à Venezuela neste momento. “Quero esperar um pouco para ver como a situação vai se desenrolar.” Eduard Martínez, de 31 anos, que vive há cinco anos no Brasil e está em Campo Grande há dois meses, também acompanha os acontecimentos com expectativa. Para ele, a resposta concreta sobre o futuro do país ainda depende dos próximos dias. “Amanhã é que vai ter uma resposta mais clara”, afirmou. Ele conta que a esposa tenta contato com familiares que vivem na Ilha de Margarita, mas enfrenta dificuldades devido à instabilidade no sinal. Já Andrius Lopes, de 33 anos, flanelinha que trabalha em um cruzamento da Capital, está há um mês em Campo Grande. Ele veio com a esposa e a filha, de 14 anos, que permanecem na Casa de Resgate. Sem telefone próprio, ele relata que conseguiu falar apenas com a irmã, que informou que a família está bem. “Vim para o Brasil em busca de uma vida melhor. Agora quero trabalhar e juntar dinheiro”, disse. Representando a Associação de Venezuelanos, o vice-presidente Linoel de Jesus Leal Ordóñez, de 41 anos, afirmou que a principal orientação repassada à comunidade é manter a calma e cautela com as informações. “Pedimos para não acreditar em tudo o que aparece nas redes sociais e evitar aglomerações neste momento,” explicou. Segundo ele, há preocupação com possíveis represálias e vigilância dentro da Venezuela, o que leva muitos familiares a evitar conversas sensíveis por aplicativos de mensagem. Linoel também alertou sobre imagens que circulam nas redes mostrando supostos militares mortos de forma violenta após o ataque. De acordo com ele, essas imagens são falsas. “Nada disso chegou por familiares ou amigos. O que chega vem das grandes mídias. Essas imagens violentas não correspondem à realidade relatada por quem está lá”, termina. Ataque estadunidense - Neste sábado (3), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um ataque em larga escala à Venezuela. A capital Caracas e outras cidades teriam atingido por via aérea e terrestre. Em manifestação nas redes sociais, Trump afirmou que houve sucesso e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados e retirados do país. Ele acusa Maduro de liderar uma organização criminosa voltada para o tráfico internacional de drogas. Bombardeios norte-americanos a barcos nas águas do Caribe ocorreram nos últimos meses. No entanto, por diversas vezes, o presidente da Venezuela negou envolvimento com o tráfico e também pediu apoio de organismos internacionais.