Após prisão de Maduro, EUA afastam ideia de governo interino na Venezuela e ampliam sanções ao petróleo
O governo dos Estados Unidos sinalizou que não pretende assumir a administração direta da Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro, mas confirmou que seguirá utilizando medidas econômicas, especialmente o bloqueio do setor petrolífero, como forma de pressionar por mudanças no país sul-americano. A posição foi apresentada, neste domingo, 4, pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Em entrevista ao programa Face the Nation, da emissora CBS, Rubio afirmou que Washington não atuará no governo cotidiano da Venezuela. Segundo ele, a estratégia adotada se concentra na manutenção da chamada “quarentena do petróleo”, que já estava em vigor antes da detenção de Maduro. “Esse é o tipo de controle a que o presidente se refere”, declarou o secretário, ao comentar falas recentes do presidente Donald Trump.
No sábado, 3, Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura de Maduro, declaração que gerou repercussão internacional. Rubio, no entanto, adotou um tom mais cauteloso ao afirmar que a atuação americana será limitada ao uso de sanções como instrumento de pressão política e econômica.
De acordo com o secretário de Estado, o objetivo das restrições é provocar mudanças estruturais no país. “Esperamos ver alterações não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada, mas também ações para interromper o tráfico de drogas”, afirmou. A exploração petrolífera é a principal fonte de receita da Venezuela e tem sido alvo de sanções internacionais nos últimos anos.
A prisão de Nicolás Maduro ocorreu na madrugada de sábado, 3, em Caracas, segundo informações divulgadas pelo governo dos Estados Unidos. O presidente venezuelano foi levado sob custódia para Nova York, onde chegou ainda na noite do mesmo dia. Antes disso, foi conduzido ao escritório da Agência Antidrogas dos Estados Unidos, a DEA, para procedimentos formais de identificação.
A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, informou que Maduro será julgado pela Justiça americana em um tribunal federal de Nova York. Segundo ela, o presidente venezuelano e a primeira-dama, Cilia Flores, também detida na operação, foram formalmente acusados de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de armas de uso restrito e conspiração para posse de armamentos pesados. A expectativa é que ele passe pelo julgamento nesta segunda, 5, às 14h.
A detenção do líder venezuelano provocou reações de aliados políticos do país. O governo da Coreia do Norte classificou a ação dos Estados Unidos como uma “grave violação de soberania” e afirmou que acompanha a situação com preocupação. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano acusou Washington de agir de forma arbitrária e disse que o episódio pode gerar consequências graves para a região.
A China também se manifestou oficialmente. O Ministério das Relações Exteriores chinês pediu a libertação imediata de Nicolás Maduro e de sua esposa, defendendo que a crise venezuelana seja resolvida por meio do diálogo e da negociação. Pequim afirmou ainda que a detenção viola normas do direito internacional e cobrou garantias de segurança aos detidos.
Parceira política e econômica da Venezuela, a China tem reiterado nos últimos anos que questões internas do país devem ser resolvidas sem interferência externa. A posição foi reafirmada após a confirmação da prisão do presidente venezuelano.
Enquanto isso, o governo dos Estados Unidos avalia os próximos passos em relação à Venezuela. Donald Trump afirmou que discute a formação de um grupo para conduzir uma transição política no país, mas não detalhou prazos nem como esse processo funcionaria.
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