Cabeças d’água: bombeiros de Goiás alertam para riscos em rios, cachoeiras e lagos
O período chuvoso em Goiás tem trazido preocupação às autoridades e ao Corpo de Bombeiros de Goiás. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o comandante-geral da corporação, Coronel Washington Luiz Vaz Júnior, explicou, nesta segunda-feira, 5, os riscos das chamadas cabeças d’água e reforçou as orientações para evitar acidentes em rios, cachoeiras e lagos.
Segundo o Coronel Washington, este é um momento delicado e perigoso. Ele destacou que muitas vezes o cidadão está em um ambiente aparentemente seco e ensolarado, mas a chuva ocorre na cabeceira do rio. “Na hora que o cara é pego de surpresa ali com aquela descida de água, um volume de água muito grande, não há tempo para reação”, afirmou.
O comandante ressaltou que não há aviso sonoro para alertar sobre o fenômeno. A percepção do aumento do volume da água é o único sinal disponível. “Está num período mais chuvoso, num dia mais chuvoso? Não entre dentro d’água. Na parte de cachoeira, a utilização de colete é fundamental. Tivemos três óbitos só no Lago Corumbá por falta de utilização de colete salva-vidas”, disse.
Ele reforçou que, apesar da resistência das pessoas, o uso do equipamento é indispensável. Washington explicou como se forma a chamada cabeça d’água. “O rio é uma captação de água da chuva. Com a impermeabilização do solo, a água corre mais rápido para rios e lagos. Essa descida rápida promove enchimento da bacia. Em poucos minutos o rio pode triplicar de tamanho e depois baixar novamente. Esse volume é a enxurrada e o alagamento”, apontou.
Ele destacou que o termo “tromba d’água” é mais adequado para fenômenos no mar, no caso dos rios o correto é falar em enxurrada e alagamento. “Quem estiver ao redor, animais, casas, pessoas, é arrastado”, explicou.
O comandante reforçou que o principal sinal de alerta é o tempo fechado. “Não se entra. Pode estar chovendo com volume muito grande acima do rio e esse volume descer e te encontrar. Às vezes a pessoa está no sol, mas lá em cima está chovendo. O rio aumenta e arrasta pessoas”, disse.
Ele lembrou que os maiores acidentes ocorreram justamente em momentos de sol, quando banhistas foram surpreendidos pelo aumento repentino da água. “Percebeu, tem que sair. É muito rápido”, comentou.
Washington também alertou para os riscos de barragens. “Quando você tem casos de barragens acima, são mais graves ainda. Esse volume de água chega acima da média e pode romper rodovias. É um momento que tem que se evitar locais onde pode provocar aumento de enxurrada e alagamento”, disse.
O período mais propício para acidentes é justamente o chuvoso, entre Natal e Carnaval. “São os meses em que Goiás recebe maiores volumes de água. Estamos convivendo com chuvas fortes. Esse período coincide com férias, por isso é tão difícil falar para o cidadão não tomar banho. Mas realmente agora está arriscado”, finalizou .
Guia de turismo
A guia de turismo Patrícia Cristina Silva Martins, que atua na Chapada dos Veadeiros, explicou, nesta segunda-feira, 5, que há protocolos de segurança para evitar tragédias. “Tem a orientação para não estar utilizando naquela época. Quando não está propício, o atrativo é até fechado, então não proporciona isso. Acho que falta mais fiscalização nos locais”, afirmou.
Segundo ela, mesmo com os fechamentos e alertas, alguns visitantes insistem em desobedecer as regras. “Ou tem a orientação de não fazer determinado tipo de atrativo, ou o atrativo mesmo é fechado. A gente sabe que nem todos seguem as regras que são determinadas. A gente viu isso agora no Rio de Janeiro: apesar de a praia não estar propícia, tem avisos, tem tudo, e as pessoas ainda desobedecem as orientações e acabam tendo acidentes graves”, disse.
Patrícia reforçou que os guias locais têm experiência para avaliar os riscos e orientar os turistas. “Principalmente os guias locais, eles sabem quando é propício ir e quando não é, por causa dessa questão do perigo da cabeça d’água”, apontou.
Ela destacou ainda a importância da responsabilidade dos administradores dos atrativos turísticos. “É bom estar tendo sempre essa orientação para o pessoal, principalmente quem é responsável pelo atrativo. Tem que ter uma orientação para os turistas”, afirmou.
Segundo ela, a recomendação é clara. “Respeitar os avisos e orientações dos guias e autoridades. A imprudência pode transformar um passeio em tragédia”, finalizou.
Leia mais:
Deputado estadual Antônio Gomide fica ferido após acidente na BR-060
Relatórios oficiais, do Ipea e IFI, alertam para risco de colapso fiscal no governo Lula
Goiânia se torna referência nacional em metronização no transporte coletivo
O post Cabeças d’água: bombeiros de Goiás alertam para riscos em rios, cachoeiras e lagos apareceu primeiro em Jornal Opção.