Brasil aposta em protagonismo na estabilização da Venezuela e busca alinhamento estratégico com os EUA
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta que o Brasil terá um papel central nos planos de estabilização da Venezuela, em meio ao novo contexto geopolítico desencadeado pela intervenção dos Estados Unidos no país vizinho. A estratégia oficial é posicionar o Brasil como um ator indispensável na reconstrução política e econômica venezuelana, especialmente em áreas como energia, governança e reinstauração da normalidade institucional.
Assessores próximos ao presidente disseram que, com a captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos EUA em inédito ataque militar no início de janeiro e o subsequente anúncio de Washington de que pretende supervisionar uma transição política em Caracas, o Brasil vê sua diplomacia como um elemento necessário para equilibrar interesses regionais e preservar processos multilaterais de diálogo. Essa operação militar dos EUA tem provocado ampla condenação internacional e críticas de que viola o direito internacional e a soberania venezuelana.
No plano bilateral, o governo brasileiro tem buscado manter um canal aberto com o governo de Donald Trump, considerado importante para influenciar decisões relativas à crise venezuelana e à atração de empresas petrolíferas para exploração e reativação do setor energético da Venezuela — um ponto visto como crítico para a economia venezuelana e para o mercado global de petróleo.
Ao mesmo tempo, Brasília tem afirmado sua oposição a intervenções unilaterais, criticando a ação dos EUA como uma interferência inaceitável nos assuntos internos de um país soberano e defendendo que a resolução da crise deva ocorrer por meio do diálogo, da diplomacia e do respeito às instituições internacionais. Essa postura reflete também preocupações regionais sobre precedentes políticos e legais.
No plano interno, assessores do Palácio do Planalto destacam que manter boas relações com os EUA pode ter repercussões sobre o cenário político brasileiro, já que a administração americana tem demonstrado interesse direto nos processos eleitorais e na configuração política da América Latina, um fator potencialmente relevante com as eleições presidenciais brasileiras marcadas para outubro de 2026.
Assim, a estratégia do governo Lula combina a busca por protagonismo diplomático na crise venezuelana com a tentativa de equilibrar as relações com Washington e com os governos e organismos regionais, numa conjuntura de instabilidade e incerteza que já mobiliza líderes e instituições em todo o continente.
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