CRF-GO aposta em IA para reduzir erros de prescrição e melhorar o cuidado ao paciente
A incorporação da inteligência artificial (IA) à rotina da indústria farmacêutica e das farmácias deve transformar a forma como medicamentos são prescritos, dispensados e acompanhados no Brasil.
A avaliação é da presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), Luciana Calil, em entrevista ao Jornal Opção. Segundo ela, a tecnologia tende a fortalecer o papel clínico do farmacêutico, desde que seja utilizada de forma ética, regulada e integrada ao conhecimento técnico.
De acordo com Luciana, um dos principais ganhos da IA está no apoio à análise de interações medicamentosas, um problema frequente na prática cotidiana.
“O farmacêutico faz um trabalho muito importante de revisar toda a farmacoterapia do paciente. Muitas vezes, ele usa medicamentos prescritos por médicos diferentes, e a IA pode ajudar a identificar interações, duplicidades e doses inadequadas”, afirmou.
Ela citou situações recorrentes em que o mesmo fármaco é consumido em dose dobrada, por erro de prescrição ou confusão entre nome comercial e princípio ativo.
“Isso já aconteceu dentro da minha casa. Um médico prescreveu pelo nome comercial, outro pelo princípio ativo, e era o mesmo medicamento. O paciente acabou tomando dose duplicada. Quem identifica isso, geralmente, é o farmacêutico”, disse.
Ferramenta de apoio, não substituição
Para a presidente do CRF-GO, a IA não substitui o profissional, mas amplia sua capacidade de análise e decisão. “A dispensação não é simplesmente pegar o medicamento na prateleira e entregar. O farmacêutico avalia se a dosagem está correta, se há erro na prescrição, se aquele medicamento pode interagir com outro, com alimentos, álcool ou tabaco”, explicou.
Segundo ela, sistemas inteligentes podem tornar esse processo mais rápido e seguro. Luciana destacou ainda o potencial da tecnologia para auxiliar na definição de horários de administração, formas corretas de armazenamento e preparo de medicamentos que exigem diluição ou conservação específica.
“Tudo isso faz parte do cuidado farmacêutico, e a IA pode contribuir muito para aumentar a precisão desse trabalho”, afirmou. Ao mesmo tempo, ela alertou para os riscos do uso indiscriminado da tecnologia.
“Hoje a gente sabe que a IA pode trazer informações incorretas. Fazemos testes simples e aparecem dados equivocados. Por isso, ela precisa ser usada como ferramenta de apoio, dentro de aplicativos e sistemas voltados para profissionais habilitados”, ponderou.
Capacitação e projetos em desenvolvimento
O CRF-GO tem apostado na discussão do tema como estratégia de capacitação da categoria. No Dia Internacional do Farmacêutico, celebrado na próxima terça-feira, 20, o conselho promove uma palestra com o tema ‘IA e o farmacêutico: uma ferramenta para mais humanização e precisão do cuidado’.
“Serão apresentados projetos em que o farmacêutico utiliza a IA para melhorar o atendimento ao paciente, inclusive na anamnese, que é aquela primeira entrevista”, afirmou Luciana.
Segundo ela, a proposta é desenvolver ferramentas digitais capazes de auxiliar o profissional na formulação das perguntas corretas, na análise clínica e na tomada de decisão. “A IA pode ajudar a montar questionários, analisar interações medicamentosas, estudar doses ideais e apoiar um atendimento mais humanizado”, explicou.
A presidente do CRF-GO ressaltou que a entidade estuda o desenvolvimento de aplicativos de uso restrito a farmacêuticos e médicos registrados, como forma de garantir segurança e responsabilidade no uso da tecnologia. “A IA não vai tirar o emprego de ninguém. Mas quem não souber usar a ferramenta pode ficar para trás”, afirmou.
Na avaliação de Luciana Calil, a incorporação da IA também dialoga com o crescimento da indústria farmacêutica no período pós-pandemia. “A indústria cresceu muito, abriu novas fronteiras e hoje demanda cada vez mais profissionais qualificados, capazes de usar tecnologia para garantir segurança, qualidade e efetividade no uso dos medicamentos”, disse.
Para o paciente, o resultado esperado é um cuidado mais seguro. “Quando bem utilizada, a IA contribui para reduzir erros de prescrição, evitar reações adversas e melhorar a qualidade de vida. É um avanço importante para a farmácia, para a medicina e para toda a área da saúde”, concluiu.
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