Com 8,1% da produção nacional em 2025, Estado reforça o peso do Centro-Oeste no maior volume de grãos da história A safra brasileira de grãos de 2025 entrou para a história. Com 346,1 milhões de toneladas, o país alcançou o maior volume desde o início da série histórica, em 1975, consolidando um ciclo de crescimento sustentado por tecnologia, clima favorável e decisões estratégicas no campo. Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No mapa nacional da produção, Mato Grosso do Sul aparece com protagonismo: o Estado respondeu por 8,1% de toda a safra brasileira, posição que o coloca entre os seis maiores produtores de grãos do país. Ao lado de Mato Grosso, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, o grupo concentra quase 80% da produção nacional. Centro-Oeste lidera, MS sustenta o peso regional A força de MS se soma ao desempenho do Centro-Oeste, região que concentrou 51,6% de toda a produção nacional em 2025, o equivalente a 178,7 milhões de toneladas. O dado reforça o papel estratégico do Estado na engrenagem do agronegócio brasileiro, especialmente nas culturas de soja e milho, que puxaram o recorde nacional. Em números absolutos, o Brasil colheu volumes históricos de soja (166,1 milhões de toneladas), milho (141,7 milhões), algodão (9,9 milhões), sorgo (5,4 milhões) e café canephora (1,3 milhão). A área colhida também cresceu e chegou a 81,6 milhões de hectares, alta de 3,2% em relação a 2024, com destaque para a expansão de soja, milho e sorgo — culturas fortemente presentes no território sul-mato-grossense. Produção dobra sem dobrar a área O avanço impressiona quando se olha para o retrovisor. Em apenas 13 anos, a produção nacional de grãos mais que dobrou, saltando de 162 milhões de toneladas, em 2012, para os atuais 346,1 milhões. No mesmo período, a área plantada cresceu em ritmo bem menor, cerca de 66,8%. Segundo o gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, o salto é resultado direto de ganhos de produtividade, impulsionados por pesquisa e inovação. Ele cita o papel de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, além do investimento crescente dos produtores em tecnologias de manejo, genética e eficiência no uso do solo — realidade cada vez mais presente em MS. Olho em 2026: projeção aponta retração em MS Para 2026, o IBGE projeta um recuo de 1,8% na safra nacional, com produção estimada em 339,8 milhões de toneladas. Em Mato Grosso do Sul, a previsão é de queda de 6,8%, influenciada principalmente pelo milho, sorgo e arroz. O cenário reflete uma combinação de base elevada de comparação, dependência do clima na segunda safra e margens de lucro pressionadas por preços mais baixos. Mesmo com a projeção de ajuste, MS segue como peça-chave no tabuleiro agrícola brasileiro. O próprio IBGE ressalta que parte das lavouras ainda será implantada e que as estimativas podem mudar conforme a janela de plantio e o comportamento do clima. Novas culturas no radar A partir de 2026, o LSPA passa a incluir canola e gergelim, culturas que vêm ganhando espaço no país e que podem abrir novas frentes de diversificação, inclusive no Centro-Oeste. Entre recordes, ajustes e novos caminhos, os dados mostram que Mato Grosso do Sul já não é coadjuvante: é um dos pilares da maior safra de grãos da história do Brasil.