Comurg denuncia possíveis fraudes processuais em ações trabalhistas e aponta falsificação de assinaturas
A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) denunciou à Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) a existência de indícios de falsificação documental e fraude processual em ações trabalhistas ajuizadas contra a empresa. Um laudo pericial preliminar confirmou casos de falsificação de assinaturas de servidores da estatal.
Segundo a Comurg, um advogado com registro na OAB-GO aparece como procurador em 76 ações trabalhistas ajuizadas em 2025, nas quais empregados da companhia figuram como reclamantes. No entanto, servidores ouvidos pela empresa afirmaram desconhecer completamente o ajuizamento dessas demandas e declararam formalmente que nunca concederam procuração ao profissional citado.
Diante das suspeitas, a Comurg solicitou a realização de perícia grafotécnica, cujo resultado inicial reforça a hipótese de falsificação de documentos. A empresa também apura a possibilidade de vazamento de informações funcionais por meio de acesso externo ao sistema de gestão de pessoas, o que teria viabilizado o uso indevido de dados dos trabalhadores.
Há ainda registro de boletim de ocorrência lavrado por um servidor da companhia contra o advogado, relatando a existência de processo trabalhista ajuizado sem o conhecimento da suposta parte autora. Nesse caso específico, valores teriam sido recebidos judicialmente sem que o trabalhador tivesse ciência ou acesso aos recursos. A Comurg informa que há, inclusive, ao menos uma ação com características semelhantes em tramitação no Tribunal Superior do Trabalho, o que pode indicar a repetição do mesmo modus operandi.
A empresa protocolou denúncia formal na Corregedoria do TRT-GO e solicitou que o Judiciário determine a abertura de apuração aprofundada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, com o objetivo de esclarecer completamente os fatos.
Ao ser informado sobre o caso, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou que a gestão adotará rigor máximo na apuração. “Qualquer situação que indique possível desvio de conduta será apurada com rigor, garantindo o amplo direito de defesa e o contraditório. Minha primeira determinação na Comurg foi moralizar a empresa e acabar com esquemas ilegais”, declarou.
O presidente da Comurg, Cleber Aparecido Santos, informou que a assessoria jurídica da companhia passou por reformulação e que todos os processos em andamento foram revisados. “Quando surgiram os primeiros indícios, determinei uma apuração interna criteriosa. Com os laudos periciais, tivemos elementos suficientes para formalizar a denúncia e permitir que o caso seja investigado pelas autoridades competentes”, afirmou.
O Jornal Opção procurou a OAB-GO, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
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