Entenda por que Marconi Perillo não é um verdadeiro líder… quando não tem o controle da máquina pública
Um político que foi eleito quatro vezes governador de Goiás, enfrentando adversários difíceis, não pode ser subestimado. Trata-se de Marconi Perillo, do PSDB.
Como avaliar Marconi Perillo em termos de liderança? Trata-se de um verdadeiro líder? Qual tipo de líder?
Há políticos que parecem líderes, mas, às vezes, são líderes apenas quanto tem a máquina pública — o governo — nas mãos.
Desde que deixou o governo do Estado em 2018, Marconi Perillo tem dificuldade de se portar como líder.
Ao perder duas vezes para senador, no lugar de ficar em Goiás, para liderar os tucanos — a oposição —, Marconi Perillo omitiu-se e mudou-se para São Paulo. Ele deixa a impressão de que só volta ao Estado para disputar eleição.
Observe-se que, neste momento, apresenta-se como pré-candidato a governador. Entretanto, não conseguiu atrair nenhum político de expressão para o seu lado. Isto é falta de liderança? Por certo, é.
A liderança de Iris Rezende
Veja-se o caso de Iris Rezende. O emedebista perdeu três eleições para Marconi Perillo. Ainda assim, mesmo sob forte cerco do tucanato — que fez o impossível para impedi-lo de voltar ao governo —, foi eleito três vezes prefeito de Goiânia.
Iris Rezende enfrentou a máquina do Estado, que era operada por Marconi Perillo, e a derrotou três vezes. Mostrou, portanto, liderança. Ao mesmo tempo, sempre conseguiu atrair grupos diferentes para apoiá-lo, como o PT de Paulo Garcia, que foi seu vice.
Noutras palavras, Iris Rezende sobreviveu politicamente distante da máquina do governo do Estado. Aliás, tendo a máquina publica como sua adversária.
A liderança de Ronaldo Caiado
Vale observar o caso de Ronaldo Caiado. No longo período em que Marconi Perillo esteve no poder — vinte anos, contando com o período do governo de Alcides Rodrigues —, o líder do Democratas (hoje União Brasil) sobreviveu politicamente.
A máquina tucana assediou seus aliados, cooptou alguns deles, mas Ronaldo Caiado jamais deixou de ser líder e de ter um grupo político.
Mesmo sob cerco do governo de Marconi Perillo (chegou a tentar impedir a candidatura de Vilmar Rocha para não ajudar o correligionário ser eleito; prevaleceu a lealdade partidária de Rocha), Ronaldo Caiado foi eleito deputado federal várias vezes.
Em 2014, mesmo contra uma máquina poderosa (dirigida por Marconi Perillo), Ronaldo Caiado foi eleito senador. Alinhou-se com Iris Rezende e derrotou o marconismo.
Em 2018, na oposição, liderando seu grupo político com mestria — e sem o apoio do MDB —, derrotou a máquina de Marconi Perillo no primeiro turno.
Em 2022, Ronaldo Caiado, mais uma vez, agora aliado ao MDB, venceu a reeleição no primeiro turno. O PSDB de Marconi Perillo nem mesmo lançou candidato a governador.
Candidato a senador, Marconi Perillo ficou em segundo lugar, perdendo para Wilder Morais, do PL. Perdeu para um neófito. Já havia sido derrotado em 2018 por Vanderlan Cardoso, do PSD, e Jorge Kajuru, hoje no PSB.
Mesmo com duas derrotas consecutivas, Marconi Perillo não fez autocrítica. Não dá um passo pela renovação do PSDB.
Então, fora do poder, Marconi Perillo parece que não consegue ser líder.
Há outro problema que parece não perceber. Marconi Perillo não abre espaço para a renovação no PSDB. Só ele disputa o governo. Este ano será sua quinta disputa. O líder que não abre espaço para os liderados se fortalecerem acabam sem ter quem os defenda.
Marconi Perillo forma seguidores, obedientes, sem autocrítica, mas não líderes. O resultado é que não tem quem faça sua defesa de maneira articulada e inteligente. Há quem o defenda atacando seus adversários. Não mais do que isto. (E.F.B.)
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