IA pode tornar eleição de 2026 a mais difícil da história, alerta professor
Em entrevista ao Jornal Opção, o professor João Cezar avaliou que as eleições de 2026 tendem a ser as mais difíceis e decisivas do período democrático recente.
Para ele, o principal vetor de interferência nas narrativas eleitorais será o uso intensivo de inteligência artificial (IA), aliado à circulação massiva de conteúdos em redes sociais e aplicativos de mensagens, com potencial de distorção da realidade e manipulação do debate público.
“Inteligência artificial. Eu acho que é uma questão que nós ainda não temos resposta”, afirmou. Ao comparar cenários institucionais, João Cezar lembrou que, em 2022, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral estava sob comando de Alexandre de Moraes, a quem atribuiu atuação decisiva no enfrentamento à desinformação.
Já para 2026, ele aponta incertezas: “Em 2026, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral será o Cássio Nunes Marques. E é uma incógnita”. O professor defende que o Judiciário eleitoral não precisa esperar por novas leis para agir.
“Seria absolutamente indispensável que o TSE tivesse uma legislação nova. Bastaria punir a utilização da inteligência artificial com ineligibilidade imediata”, disse. Ele citou como exemplo a eleição recente em Buenos Aires, na Argentina, em que o uso de recursos digitais teria pesado no resultado.
“Essa questão foi usada agora de forma exitosa na eleição em Buenos Aires”, comentou, em referência ao contexto político que projetou Javier Milei. Na avaliação de João Cezar, a escala do problema é inédita, impulsionada pelas plataformas digitais.
“Os efeitos produzidos pelo Elon Musk são incontroláveis”, afirmou, mencionando o alcance de conteúdos que chegam a “um bilhão de visualizações faltando poucos meses para as eleições”. O professor contou ter visto, em 2022, conteúdos manipulados de forte apelo simbólico.
Para João Cezar, a disputa de 2026 envolve mais que estratégias eleitorais: trata-se de um projeto de país. Ele afirma que a extrema direita articula um reposicionamento político após Jair Bolsonaro, com a tentativa de eleger Tarcísio de Freitas e aliados no campo econômico.
“A finalidade é pinochetizar o Brasil”, declarou. Segundo ele, isso significaria “privatizar todos os ativos da União”, incluindo Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e os Correios, além de reduzir direitos trabalhistas e o papel do Estado nas áreas sociais.
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