Após divulgação do Enamed, CFM defende aprovação do Profimed para filtragem dos profissionais
Em meio à divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), o Conselho Federal de Medicina (CFM) voltou a defender a aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), que deve ser discutido no Senado Federal após aprovação em primeiro turno.
Segundo o 2º secretário do CFM, Estevam Rivello, em entrevista ao Jornal Opção, o Brasil ocupa a segunda colocação mundial em número de médicos, com cerca de 657 mil profissionais inscritos, o que representa uma razão aproximada de um médico para cada mil habitantes. Na mesma posição, o país também lidera em quantidade de cursos de medicina: são 494 faculdades, das quais cerca de 80% são privadas, com um total de 50.974 vagas de graduação.
À frente do Brasil está apenas a China, que lidera ambos os indicadores, mas possui uma população superior a um bilhão de habitantes.
Ainda de acordo com Rivello, países como Estados Unidos, Canadá e Reino Unido contam com um número significativamente menor de faculdades de medicina, com 155, 64 e 17 instituições, respectivamente. “Em termos comparativos, se considerarmos a população dos Estados Unidos em relação à do Brasil, deveríamos ter algo proporcional ao que eles possuem, cerca de 110 faculdades de medicina. No entanto, temos atualmente 107 faculdades avaliadas como insuficientes, com notas um e dois”, afirmou.
“No Brasil, são mais de 400 faculdades de medicina para uma população de aproximadamente 220 milhões de habitantes”, reforçou.
Para o conselheiro do CFM, essa ampla oferta de cursos representa uma precarização da formação médica. Segundo ele, o elevado número de instituições faz com que muitas priorizem interesses financeiros em detrimento do compromisso social e coletivo. Como consequência, surgem cursos com infraestrutura deficiente, escassez de campos de prática e falta de docentes qualificados.
Essa precarização, afirma Rivello, também se reflete no corpo docente. De acordo com ele, há faculdades de medicina, especialmente privadas, em que profissionais de outras áreas da saúde — como fisioterapia, farmácia e enfermagem — ministram aulas destinadas à formação médica. “Estamos observando que outros profissionais da saúde lecionam temas próprios da medicina. Isso é prejudicial, porque o aluno de medicina acaba sendo ensinado por quem não é médico”, avaliou.
Diante desse cenário, o conselheiro defende o aprimoramento do Enamed, com a inclusão de avaliações práticas, a fim de tornar o exame mais eficaz como instrumento de identificação de cursos com formação inadequada. Atualmente, segundo ele, o Enamed se limita a uma avaliação teórica com 100 questões, das quais dez foram anuladas.
Além disso, Rivello voltou a defender o Profimed como um mecanismo de controle de qualidade da profissão, com o objetivo de impedir o ingresso de profissionais sem a qualificação necessária no mercado de trabalho. “Entendemos que a classe precisa ter maior controle sobre o exercício profissional. O MEC identificou 107 faculdades com notas um e dois, que estão formando quase 14 mil médicos de forma insuficiente”, destacou.
De acordo com o secretário, exames de proficiência na medicina são prática comum em países como Estados Unidos e Canadá, que adotam critérios rigorosos para o exercício da profissão. “Nos Estados Unidos, há uma avaliação progressiva, composta pelos Steps 1, 2 e 3, aplicada em 155 faculdades de medicina — número que permanece o mesmo desde a década de 1950. O exame vai desde a avaliação básica até testes ambulatoriais e análise de casos clínicos”, explicou.
Caso o Profimed seja aprovado, Rivello afirma que o exame terá respaldo legal e será aplicado pelo CFM, ampliando a capacidade de filtragem e controle da qualidade dos profissionais formados no país.
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