Após mais de 50 anos Artemis II inicia retorno humano à Lua em fevereiro
Após 54 anos e US$ 93 bilhões em investimentos em tecnologia espacial, o maior projeto da história culmina no retorno do homem à Lua. A data de lançamento já foi marcada pela Nasa: 06 de Fevereiro de 2026, mas ainda depende da realização de um ensaio geral, quatro dias antes, que simula toda contagem regressiva para identificar possíveis problemas antes do voo.
O super foguete SLS Bloco 1, o maior já construído pela Agência Espacial Americana, capaz de transportar 50,7 toneladas, realizou, no último sábado, 17, seu primeiro rollout e, após oito horas de transporte, foi acoplado com sucesso à plataforma de onde será lançado no Kennedy Space Center, em Cabo Canaveral. Esta é a fase final dos preparativos para a missão Artemis II, que enviará quatro astronautas três norte-americanos e um canadense, incluindo uma mulher, para além da órbita da Lua.
A missão Artemis realizou seu primeiro voo não tripulado em 2022. Desta vez, será a estreia de astronautas a bordo do SLS. A tripulação deverá permanecer cerca de 10 dias no espaço, orbitando a Lua até alcançar o ponto mais distante já visitado por seres humanos em uma missão tripulada, além da órbita do satélite natural da Terra.
A Artemis II não prevê pouso na superfície lunar, já que a missão não conta com um módulo de pouso. Ao longo de sua história, a NASA sempre desenvolveu tecnologias assumindo riscos controlados, mitigados por uma extensa sequência de testes antes do avanço para etapas mais complexas.
O pouso na Lua está previsto para a missão Artemis III, programada para 2027. A Artemis II é dedicada exclusivamente à missão tripulada e à validação dos sistemas de voo, funcionando como etapa fundamental antes do retorno do ser humano à superfície lunar.
Por que demorou tanto para voltarmos à Lua?
Porque a razão para ir desapareceu. Depois da última missão do programa Apollo, em 1972, o motivo político já não era iminente. Apollo foi um projeto da Guerra Fria, não um plano de exploração a longo prazo. Assim que os Estados Unidos perceberam que haviam vencido a União Soviética na corrida espacial, o financiamento entrou em colapso, o interesse público desvaneceu e as prioridades foram alteradas para projetos mais baratos e reutilizáveis, como os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional, em órbita baixa do planeta.
Ir à Lua é brutalmente caro e complexo. Cada missão Apollo custou bilhões de dólares e não houve nenhum retorno econômico ou científico claro que justificasse inúmeras missões que sempre compreendiam fincar bandeiras no solo lunar e trazer rochas para serem estudadas nos laboratórios da Nasa. O que mudou agora foi o propósito. O programa Artemis não é sobre prestígio, mas sobre permanência.
O objetivo é colonizar a Lua, erguer infraestruturas, testar sistemas de suporte de vida, usar recursos lunares e, por fim, transformar a Lua em um posto avançado, que contará com uma plataforma de lançamento para missões rumo à Marte. Além disso, há novos parceiros nessa ambição lunar, como chineses, indianos, japoneses, israelenses e europeus, além de empresas privadas como a SpaceX, que ajudam a reduzir os custos da tecnologia envolvida nesse megaprojeto, tornando a exploração sustentada e realista. O programa Artemis prevê que em 2030, haverá presença permanente na Lua. E isso, é daqui apenas quatro anos.
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