Negociação no MP avança, mas impasse sobre contratos e salários de médicos de Goiânia segue
Representantes do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) e da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) se reuniram, nesta quinta-feira, 22, no Ministério Públcio de Goiás para discutir pontos considerados centrais para a continuidade dos serviços do SUS na capital, como a manutenção de contratos e os valores pagos aos profissionais.
Em entrevista ao Jornal Opção, o diretor de Assuntos Jurídicos do Simego, Robson Azevedo, afirmou que a participação do Ministério Público de Goiás foi decisiva para destravar o diálogo. “A gente não conseguia conversar com a prefeitura. O promotor chamou as duas partes e isso permitiu que a negociação começasse de fato”, disse.
Segundo Robson Azevedo, os principais pontos de conflito seguem sendo a redução dos valores pagos aos médicos, que pode chegar a 35%, e a decisão da prefeitura de romper contratos de forma unilateral. “Não aceitamos essa ruptura. Muitos médicos organizaram a vida financeira com contratos que vencem só em agosto ou dezembro. Não existe fato que justifique esse rompimento agora”, afirmou.
Apesar do impasse, alguns avanços foram registrados. De acordo com o sindicato, houve consenso sobre cláusulas contratuais consideradas problemáticas, como exclusões de responsabilidade e regras para encerramento dos vínculos. Também foi acordada a regularização do calendário de pagamento, após atrasos registrados no fim de 2025.
“Os médicos não receberam dezembro no prazo e só foram pagos em janeiro. Isso não pode se repetir”, disse Robson.
Greve suspensa
Uma das propostas iniciais da mediação foi a suspensão do movimento grevista enquanto as negociações avançam, o que foi aceito pelo sindicato. Agora, o SIMEGO pretende submeter os pontos já discutidos a uma assembleia da categoria, marcada para esta quinta-feira, 23. “Esses consensos são passos importantes, mas ainda precisamos deliberar com os médicos. O que não foi consenso será tratado na próxima reunião”, explicou o diretor.
Uma nova rodada de negociações está prevista para segunda-feira, 26, novamente no MP. A expectativa do sindicato é chegar a um desfecho que preserve os contratos e evite prejuízos à assistência.
Conforme informado pelo Ministério Público, também ficou pactuada a suspensão da vigência da Portaria nº 13, de 12 de janeiro de 2026, até o dia 28 de fevereiro. A medida busca evitar punições ou impactos imediatos enquanto o diálogo segue em curso.
Para Robson Azevedo, o impasse vai além da relação trabalhista. “Tudo isso reflete diretamente na saúde da população. O médico quer trabalhar, mas precisa de remuneração adequada, condições dignas e segurança contratual. Sem isso, quem perde é o cidadão”, afirmou.
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