Celular de ex-vereador originou investigação sobre desvio milionário em prefeitura
Dados extraídos do telefone do ex-vereador Flávio Batista de Souza, conhecido como “Inha”, deram origem a uma operação que apura suposto esquema de desvio de recursos públicos estimado em R$ 24 milhões em Ferraz de Vasconcelos, na Região Metropolitana de São Paulo. As informações obtidas no aparelho foram compartilhadas entre investigadores e serviram de base para novas diligências do Ministério Público paulista.
Batizada de Operação TAC, a ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Gaeco e do Gaema, com apoio da Polícia Militar. O foco é apurar possíveis irregularidades na celebração de termos de ajustamento de conduta que teriam beneficiado empresas com dívidas ambientais junto ao município.
Foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a investigados nas cidades de São Paulo, Suzano, Poá, Ferraz de Vasconcelos e Aldeia da Serra. Não houve prisões. Durante a operação, agentes apreenderam cerca de R$ 146 mil em dinheiro vivo, além de celulares, computadores, dispositivos de armazenamento e outros equipamentos eletrônicos. A Justiça também determinou o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas citadas no inquérito.
A investigação é um desdobramento da Operação Munditia, realizada em 2024 para apurar suspeitas de fraudes em licitações com possível influência de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Embora o Ministério Público não aponte ligação direta entre os novos investigados e a facção, há indícios de conexões entre personagens de ambos os casos.
Segundo o Ministério Público, foi identificado um possível conluio entre agentes públicos e um empresário para viabilizar dois termos de ajustamento de conduta na prefeitura local. Em troca, teriam ocorrido a suspensão de cobranças de dívidas ambientais e a desistência de ações judiciais, mediante pagamento de propina.
Os acordos previam contrapartidas ambientais que, conforme as apurações, não teriam sido integralmente cumpridas. A dívida envolvida superava R$ 24 milhões e, com atualização monetária, o prejuízo potencial aos cofres públicos pode chegar a R$ 43 milhões.
De acordo com os investigadores, parte dos pagamentos ilícitos teria sido realizada por meio de notas fiscais emitidas em nome de empresas de fachada, além de transferências bancárias para intermediários. Uma empresa terceirizada teria atuado na mediação dos acordos, com contratos que teriam evoluído de R$ 500 mil para R$ 750 mil.
Por determinação judicial, foram afastados de suas funções públicas, por 180 dias, servidores municipais e um parlamentar. Entre os citados está o vereador Ewerton de Lissa Souza, além de gestores ligados às secretarias de Meio Ambiente, Administração e Fazenda do município.
O Ministério Público afirma que as investigações continuam e que novas medidas podem ser adotadas conforme o avanço da análise do material apreendido. O órgão diz que o objetivo é esclarecer a extensão do suposto esquema e identificar todos os envolvidos.
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