De acordo com a investigação da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de São José do Rio Preto (SP), o empresário Camillo Gandi Zahran Georges, de 36 anos, usava o sobrenome da família dona de império em Mato Grosso do Sul para dar credibilidade aos “negócios” por ele oferecidos para investidores. Mas a informação, que veio à tona nesta semana, após a deflagração da Operação Castelo de Areia, já estava sendo difundida desde 2024. Em postagem no Facebook, denunciante diz que quando era cobrado pelos credores, Camillo se oferecia para documentar a dívida e afirmava: “podem cobrar na Copagaz, na TV Morena, que ninguém vai ficar ser receber, porque nunca um Zahran ficou devendo”. O empresário é filho do ex-deputado estadual Gandi Jamil e neto, por parte de mãe, de Ueze Zahran, o fundador da Copagaz e a Rede Matogrossense de Comunicação. Embora seja herdeiro do Grupo Zahran, ele não faz parte do quadro societário, mas casal que o denunciou à polícia após perder R$ 5 milhões afirma que ele dizia fazer parte dos conselhos das empresas da família. Em ação proposta para pedir o bloqueio de bens de Camillo, as vítimas também relatam que “nunca imaginaram que o neto de Zahran lhes daria um golpe”, até porque sabem que o valor colocado por eles nas “oportunidades” oferecidas pelo herdeiro não é nada perto do patrimônio da família. O casal narra ainda que Camillo, que foi padrinho de casamento deles, prometia quitar o débito com eles “vivo ou morto”. Estelionato – A denúncia dos afilhados rendeu ao empresário acusação de estelionato e associação criminosa. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) denunciou Camillo e comparsas em dezembro do ano passado, após longa investigação conduzida pela Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações), iniciada quando vítimas procuraram a polícia em agosto de 2024. Conforme relatado na denúncia entregue à Justiça, o personal trainer que atendia Camillo acabou se tornando amigo, bem como outro integrante da quadrilha, João Augusto de Almeida de Mendonça, e suas respectivas mulheres. Após ganhar a confiança do educador físico, Zahran passou a oferecer negócios à vítima com promessa de serem altamente lucrativos. De acordo com o Ministério Público, o golpe envolveu três principais frentes: uma suposta exportação de ouro, com promessa de rendimento mensal de 3,75% (cerca de R$ 93 mil) e devolução do capital em pouco tempo; a falsa representação da cachaça Pitú; e a abertura de um supermercado da rede “Na Boa”, que nunca saiu do papel. O personal começou a aplicar dinheiro nas oportunidades vendidas por Camillo em abril de 2023 e nunca teve o retorno prometido. Castelo de Cartas - O modus operandi é muito parecido com o descoberto pelas investigações da Polícia Civil de São Paulo. Segundo o delegado Fernando Tedde, responsável pelo caso, o esquema do empresário campo-grandense fez várias vítimas no interior do estado do sudeste. Nesta quarta-feira (28), a Deic desencadeou a Operação Castelo de Cartas, que investiga crimes envolvendo Camillo e o irmão, Gabriel Gandi Zahran Georges, de 38 anos. Força-tarefa vasculhou endereços ligados aos irmãos e a outros investigados na Capital e em São José do Rio Preto (SP) em busca de provas dos supostos golpes em série. Durante as buscas, policiais apreenderam R$ 1,5 milhão em notas promissórias e R$ 250 mil em dinheiro, além de 10 carros de luxo, relógios de alto valor, joias, celulares, cartões bancários, máquinas de cartão e vasta documentação. Quatro armas municiadas também foram localizadas e confiscadas. As investigações seguem em andamento e o valor total dos prejuízos causados às vítimas ainda não foi divulgado. Gabriel foi ouvido em delegacia da Capital e liberado. Já Camillo é considerado foragido já que tem contra si mandado de prisão em aberto. Outro lado – Gabriel Zahran nega qualquer envolvimento no esquema e afirma que, se o irmão realmente for a cabeça dos golpes, “terá de prestar contas à Justiça”. “Diante das recentes acusações, gostaria de manifestar publicamente minha total inocência. Recebo tais acusações com surpresa, mas com a serenidade de quem nada deve”, diz a nota enviada por Gabriel por meio de seu advogado, Márcio de Ávila Martins Filho. Ele também gravou vídeo para o Instagram dizendo que sequer mantém “laços afetivos” com o irmão. “Não tenho negócio nenhum com meu irmão e muito menos laços afetivos com ele. A única que compartilho com ele é o sobrenome. Não fazemos as mesmas coisas, não andamos nas mesmas rodas”. Por motivos óbvios, Camillo ainda não se manifestou. Por meio da assessoria de imprensa, o Grupo Zahran informou que “as pessoas mencionadas na reportagem nunca possuíram qualquer tipo de vínculo com suas empresas”. “Eles são membros da família, mas não prestam serviços, não exercem funções administrativas e não participam da gestão de nenhuma das empresas, que operam de forma independente, com governança própria e em conformidade com a legislação vigente”, completa a nota. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .