Câncer de pele matou 362 goianos em pouco mais de dois anos
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), com base em dados do Ministério da Saúde, identificou cerca de 479 mil casos de câncer de pele no Brasil entre 2014 e 2025. Em Goiás, nesse período de 11 anos foram notificados um total de 18.255 – sendo 1.195 de melanoma maligno (casos mais graves), 10.008 outras neoplasias malignas e 7.052 carcinoma in situ (primeiros sinais).
A pesquisa nacional apresenta uma informação alarmante: 49.833 mortes atribuídas à doença ao longo do período avaliado. O número de óbitos vem crescendo ao a ano em todo o país. Segundo o levantamento feito pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) a pedido do Jornal Opção em 2024 foram 194 óbitos, em 2025 foram 165 e em 30 dias de 2026, três goianos já perderam a vida devido ao câncer de pele.
O coordenador de Oncologia da SES-GO, Kleber Monteiro, é especialista em saúde coletiva pela UFG. Ele explica que em 2014 eram 90 casos registrados – em uma escala crescente subiu para 2.395, em 2025. Esse número expressivo é resultado, segundo ele da cultura de prevenção e também da estruturação de serviços prestados à sociedade.
“O papel da Secretaria de Estado da Saúde é conduzir a implementação da política pública. Levar a população, de maneira geral, ao conhecimento sobre câncer, sobre neoplasia, os fatores de risco e as medidas de proteção. Assim como procurar os serviços de saúde para um diagnóstico precoce”, contextualiza Kleber Monteiro.
“Câncer existe e é curável. A gente tem trabalhado também com a estruturação de serviços, junto aos municípios. Hoje a Secretaria de Estado, na responsabilidade do diagnóstico, conta com seis policlínicas e outras a serem implantadas. Todas com o serviço de dermatologia, para o diagnóstico e encaminhamento ao tratamento”, explica o coordenador de Oncologia da SES-GO.
Ainda sobre os atendimentos, de acordo com Kleber Monteiro o Governo de Goiás conta com hospitais especializados para o tratamento contra o câncer de pele. “Temos o Hospital Centro-Norte, que atendem os casos não melanomas e temos convênio com o Hospital do Câncer de Rio Verde, que trata melanoma e não melanoma, que é a forma mais agressiva e a forma mais comum”, explica.
Forma mais agressiva do câncer
Tecnicamente, o termo melanoma é dado a forma mais agressiva. Conforme o gráfico (abaixo), é possível entender que o número é baixo de registros. Porém, segundo o coordenador de Oncologia da SES-GO são os casos que mais preocupam devido a agressividade da doença.
“O Hospital do Câncer de Rio Verde também faz esse tratamento sob convênio com o Estado e temos também o Hospital Araújo Jorge, que está sob gestão do município de Goiânia – ele é um centro, especializado, que atende também aos casos de câncer de pele”, detalha, Kleber Monteiro.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia destaca a dificuldade da população em conseguir uma consulta com médico dermatologista. Pelo cálculo da SBD, quem depende apenas do Sistema Único de Saúde (SUS) tem 2,6 vezes mais dificuldade para marcar uma avaliação com esse especialista.
Alerta da Oncologia da SES
“O alerta que a gente mais leva em consideração, sempre quando a gente vai falar sobre câncer, em especial, o câncer de pele, é que a população possa se olhar. Observar e verificar se existe algum tipo de anomalia ou mudança no aspecto da pele. Então, manchas que antes não estavam presentes e surgiram”, orienta Kleber Monteiro.
O especialista explica ainda que é importante ficar atento a simetrias irregulares, cores não comuns à cor da pele, e o aumento do diâmetro dessa evolução. “Evite a exposição prologada ao sol entre os horários das 10 e 16 horas. Procure sempre lugares com sombras, use protetor adequado e mesmo estando com roupas, use bonés, chapéus e filtro solar próprio também para os lábios”, finaliza o coordenador de Oncologia da SES-GO.
Diante desse cenário epidemiológico, a SBD vai apresentar solicitação aos deputados e senadores para pleitear que o filtro solar, seja incluído na lista de itens essenciais. Ou seja, que o governo reduza impostos para baratear o acesso da população ao produto.
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