Por que celulares quase não aparecem nos sonhos, apesar do uso constante
Mesmo sendo parte central da rotina de milhões de pessoas, os celulares raramente surgem como elementos nos sonhos. Pesquisas e análises de especialistas em sono e psicologia apontam que esse fenômeno está ligado à forma como o cérebro seleciona memórias e experiências para compor o conteúdo onírico, priorizando emoções intensas e vivências simbólicas em vez de objetos tecnológicos.
Levantamentos internacionais que reúnem milhões de relatos de sonhos indicam que menos de 1% das narrativas mencionam telefones ou termos relacionados. O dado contrasta com o uso frequente dos aparelhos na vida cotidiana, mas, segundo pesquisadores, faz sentido quando se considera a natureza emocional dos sonhos.
Para estudiosos da área, os sonhos são construídos principalmente a partir de experiências que provocam impacto sensorial direto, como encontros, conflitos, medos e desejos. Tecnologias de comunicação, embora úteis e presentes, funcionam mais como ferramentas do que como fontes primárias de emoção.
Especialistas também explicam que o celular costuma atuar apenas como meio, e não como a origem do sentimento. A alegria, a tristeza ou a ansiedade vêm do conteúdo acessado ou das pessoas envolvidas, e não do aparelho em si. Por isso, é mais comum sonhar com alguém específico, uma discussão ou uma situação marcante do que com o dispositivo utilizado para mediar essas interações.
Outra hipótese levantada por pesquisadores é que o cérebro humano ainda não incorporou totalmente a tecnologia moderna à linguagem simbólica dos sonhos. Diferentemente de elementos ancestrais, como perseguições, quedas ou lutas, associados à sobrevivência ao longo da evolução, os celulares são uma invenção recente na história da humanidade.
Há ainda a interpretação de que os sonhos funcionam como uma espécie de “simulador” de ameaças e desafios, permitindo que o indivíduo processe tensões em um ambiente seguro. Nesse contexto, situações sociais complexas, perdas, conflitos e inseguranças tendem a ocupar mais espaço do que objetos digitais.
Apesar das explicações, especialistas ressaltam que os sonhos são altamente individuais. Algumas pessoas, de fato, relatam sonhar com celulares, mensagens ou redes sociais, especialmente quando esses elementos estão ligados a episódios emocionalmente marcantes.
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