“Eu sou um cara que tem berço. Eu tenho vivência e jamais encostaria na filha dele ou no meu filho.” A frase foi dita à polícia por um rapaz de 28 anos preso na última terça-feira (3), no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, após ameaçar matar o próprio filho e ser flagrado com uma arma de fogo, mesmo tendo mandado de prisão preventiva em aberto por violência doméstica. Durante depoimento à delegada responsável pelo caso, o rapaz afirmou que estava morando sozinho havia 3 dias, desde que a companheira decidiu sair de casa. Segundo ele, o revólver calibre 38 foi comprado por medo, após sofrer ameaças do sogro. “Eu comprei porque ele me fez várias ameaças. Fiquei com medo de piorar e por isso não fiz boletim de ocorrência”, disse. O suspeito admitiu que sabia estar errado ao adquirir a arma, já que o registro de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) estava vencido, e contou que comprou o revólver de um policial aposentado. Ainda assim, alegou que o objetivo era proteger a família. “Eu precisava defender minha família”, afirmou. Na audiência de custódia, realizada dois dias após a prisão, a juíza Tatiana Decarli analisou apenas o cumprimento do mandado de prisão preventiva por violência doméstica, ressaltando que naquele momento caberia apenas verificar a legalidade da detenção e a preservação dos direitos do rapaz. Posteriormente, o juiz Albino Coimbra Neto analisou o flagrante por posse ilegal de arma de fogo e concedeu liberdade provisória mediante fiança de dez salários mínimos, no valor de R$ 16.210, o dobro do montante que já havia sido fixado pela autoridade policial. Até o momento o pagamento não foi efetuado. No mesmo dia, a defesa do rapaz entrou com pedido de redução do valor da fiança pela metade, alegando que a quantia é excessiva e compromete a subsistência do investigado. Os advogados destacaram despesas mensais com aluguel, contas básicas, alimentação, transporte e gastos com o filho recém-nascido. “Assim, o valor da fiança arbitrada mostra-se excessivo e desproporcional, pois compromete de forma significativa sua subsistência, contrariando a finalidade da fiança”, argumentaram os defensores. Além disso, os advogados José Roberto Rodrigues da Rosa, Lucas de Nobrega Fuzinatto e João Pedro da Silva Fialho também pediram a revogação da prisão preventiva, com substituição por medidas cautelares. O pedido ainda aguarda análise do Judiciário. No depoimento, o rapaz afirmou ainda que tem renda mensal em torno de R$ 40 mil e disse ser o responsável pelo sustento da família. O caso segue em tramitação na Justiça. Mandado de prisão - De acordo com a investigação, o homem é investigado pelos crimes de ameaça, injúria, lesão corporal contra a mulher por razões da condição do sexo feminino e violência psicológica. As apurações apontam uma escalada de violência, com risco concreto à integridade física e emocional da vítima. A medida cautelar foi deferida no domingo (1º), após representação do delegado de plantão, com base em boletim de ocorrência registrado no sábado (31). Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou mandado de busca e apreensão de arma de fogo e munições. Ainda conforme a polícia, as agressões contra a mulher ocorriam desde o período da gravidez e continuaram após o nascimento da criança. Diante do material apreendido, o homem também foi autuado em flagrante por posse irregular de arma de fogo e munições. Ele foi levado à 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde foram adotadas as providências de polícia judiciária, e permanece à disposição da Justiça.