Recuemos mais de dois mil anos. Estávamos em dezembro. Está para começar um tipo de comemoração tida como selvagem. A linha entre o sagrado e o profano ficou confusa. Os trabalhadores começavam a zombar de seus senhores…sem perder a cabeça. Mas vamos entender o que aconteceu para chegarmos a essa mudança. Uma época em que ninguém tinha ouvido falar de Jesus. Estamos muitos séculos antes de Jesus. Eles notaram algo bastante alarmante acontecendo no céu. Imagine-se como um agricultor da Roma Antiga. Você passou o ano com colheitas pobres. Observando o céu para saber a hora certa de plantar. E então, na medida em que o outono se transforma em inverno, você percebe que os dias ficam mais curtos. O sol nasce mais tarde e se põe mais cedo e fica mais baixo no horizonte a cada dia que passa. A luz reduziu-se a apenas algumas horas e o mundo mergulhou em uma escuridão que parece estender-se para sempre. Todos nós, menos os terraplanistas, sabemos que é apenas a Terra inclinando-se em seu eixo enquanto orbita o sol. Um fenômeno astronômico perfeitamente previsível. Que tem zero chance de terminar em escuridão permanente. O sol está com raiva? Mas o você dessa época, não sabe nada disso. Pelo que você sabe, o sol está morrendo. Talvez esteja com raiva. Talvez algum erro cósmico tenha sido cometido. Talvez este ano, a luz simplesmente não volte. E você, e todos que ama, serão engolidos pela noite. A propósito, esse não era um medo irracional. Sem luz elétrica, sem aquecimento originado em máquinas, sem janelas que isolam o frio e sem alimentação nos mercados em grande quantidade, a escuridão era genuinamente perigosa. O frio podia te matar. Alivio, o sol voltou! Quando você percebeu que por volta de 21 ou 22 de dezembro, o sol parou de recuar e começou a subir muito lentamente no céu, eles não apenas deram um suspiro de alivio, eles comemoraram. Como se suas vidas dependessem disso. O retorno do sol não era apenas a volta de dias mais longos, era a garantia de cultivos que saciariam a fome. Isso significava a sobrevivência. Esse tipo de alivio cósmico merece uma festa adequada. Ela é a festa do solstício de inverno. E os romanos fizeram a folia. Tá proibido trabalhar! Os romanos nunca faziam nada pela metade. Celebravam essa volta do sol com um festival chamado “Saturnália”, em homenagem ao Deus Saturno. Foi um tumulto absoluto. Durante uma semana, começando por volta de 17 de dezembro, a vida romana normal sofreu uma parada brusca. Tribunais fechados. As escolas fecharam. As empresas pararam de funcionar. O trabalho foi oficialmente proibido. Vamos botar pra quebrar! É Carnaval! Durante a Saturnália, a rígida hierarquia social que definia a vida romana foi temporariamente suspensa. Os escravos podiam comer na mesma mesa que seus senhores. Os senhores serviam comida a seus escravos. As pessoas trocavam pequenas velas de cera e pequenas estatuetas de barro. Realizavam enormes banquetes públicos, onde o vinho caia em cascata. Elegeram falsos reis para presidirem as festividades. As pessoas comuns passaram a ter absurda autoridade, mandavam e desmandavam em tudo. Os romanos não eram sutis em suas festas. E sua influencia na vida europeia foi profunda. Fez-se o carnaval.