Na iminência de completar um ano do feminicídio da jornalista Vanessa Ricarte, o TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) divulgou nota de esclarecimento nesta quarta-feira (dia 11) apontando que o caso teve tramitação mais lenta por conta dos recursos. A próxima etapa será em 9 de março, quando será feito o interrogatório do réu Caio Cesar Nascimento Pereira, ex-noivo de Vanessa, e ouvida uma vítima. Na nota, o TJ informa que o processo segue em andamento regular na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. “Desde o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, em fevereiro de 2025, o processo passou por diversas etapas previstas em lei, como apresentação de defesa, realização de audiências e análise de pedidos feitos pelas partes. Ao longo desse período, foram interpostos vários recursos, o que acabou prolongando a tramitação do processo”, aponta o comunicado. Conforme o titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o juiz Carlos Alberto Garcete, via de regra, processos de feminicídio têm tramitação mais rápida e recebem tratamento prioritário no Judiciário. No entanto, o caso se tornou uma exceção, em razão do grande volume de recursos e incidentes processuais, que precisaram ser analisados tanto pelo juízo de primeiro grau quanto pelo TJMS. “Esses recursos foram analisados e incluíram, entre outros pontos, discussões sobre o recebimento da denúncia, inclusão de novos crimes, acesso a mídias apreendidas e pedidos de esclarecimentos por meio de embargos de declaração. Durante esse tempo, o processo precisou aguardar decisões de instâncias superiores, o que impactou o andamento”, informa o magistrado. Um ato em memória de Vanessa, convocado nas redes sociais, foi marcado para amanhã, a partir das 16h, em frente ao Tribunal do Júri de Campo Grande. O pedido é que as pessoas trajem preto em sinal de luto. “Um ano sem Vanessa Ricarte. A saudade é diária, a dor é coletiva e a luta por Justiça não pode esperar”. A defesa de Caio afirma que o caso teve recurso do Ministério Público e produção de perícias. “Tudo isso contribuiu para que a demorasse mais. O interrogatório de todo acusado é o último ato no processo. Existe uma ordem lógica: testemunha de acusação, vítimas, testemunhas de defesa e, por fim, o réu. Hoje, temos perícias encerradas, e recursos que já foram julgados pelo tribunal, então, ele volta pro seu curso normal”, diz o advogado Renato Franco. Denúncia e morte - Vanessa Ricarte, de 42 anos, foi assassinada no dia 12 de fevereiro de 2025 pelo ex-noivo, o músico Caio Cesar Nascimento Pereira. Horas antes do crime, ela havia procurado a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) para denunciar violência e solicitar medida protetiva de urgência. Ela relatou episódios de agressão e ameaças, mas, segundo familiares, não recebeu acolhimento adequado. Em um áudio enviado a um amigo no mesmo dia, a jornalista contou que foi atendida de forma “fria e seca” e orientada a voltar para casa, sem garantia de segurança. O caso provocou forte repercussão nacional e questionamentos sobre os protocolos de atendimento a mulheres em situação de risco. A decisão judicial que determinava o afastamento do agressor ainda não havia sido comunicada quando Vanessa foi atacada. Ela foi esfaqueada três vezes na entrada da casa onde morava, no Bairro São Francisco. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .