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A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset, é um clássico que deve ser revisitado… sempre

Salatiel Soares Correia

 Publicado em 1930, “A Rebelião das Massas”, de José Ortega y Gasset, nasceu de um contexto histórico marcado por profunda instabilidade política, cultural e moral da Europa do pós-Primeira Guerra Mundial.

Ortega escreve quando o continente, até então centro irradiador da civilização ocidental, passou a revelar sinais claros de esgotamento de suas elites dirigentes, de fragilidade institucional e de perda de referências espirituais e intelectuais.

A chamada “decadência da Europa” não é, para o autor, um mero declínio econômico ou militar, mas sobretudo uma crise de sentido: a dificuldade de sustentar um projeto civilizatório capaz de orientar a vida coletiva.

Nesse cenário, Ortega enfrenta de maneira direta a tensão entre tradição e modernidade. Longe de defender um retorno nostálgico ao passado, denuncia tanto o tradicionalismo estéril quanto uma modernidade vazia, que rompe com a herança cultural sem colocar nada de sólido em seu lugar.

A modernidade criticada em “A Rebelião das Massas” é aquela que se apropria das conquistas técnicas, científicas e políticas da civilização europeia sem reconhecer o esforço histórico, a disciplina intelectual e a responsabilidade moral que as tornaram possíveis.

Quando a tradição é descartada como peso inútil, e a modernidade se reduz a um culto superficial ao novo, abre-se espaço para o empobrecimento do espírito público. É nesse ponto que emerge a figura central do livro: o “homem-massa”.

Para Ortega, a libertação do homem moderno — conquista histórica inegável — transforma-se em armadilha quando não é acompanhada por autodomínio, consciência histórica e exigência intelectual. O homem que se liberta de antigas tutelas, mas não assume a responsabilidade por si e pelo mundo, passa a viver sob a ilusão de que tudo lhe é devido.

A liberdade, sem projeto e sem esforço, converte-se em conformismo coletivo e em hostilidade a qualquer forma de excelência.

Contra essa deriva, Ortega atribui à imaginação um papel decisivo. A imaginação, entendida não como fantasia escapista, mas como capacidade de projetar o futuro, de conceber ideais e de dar forma a um destino comum, surge como força libertadora do homem.

É por meio dela que o indivíduo deixa de ser apenas parte indistinta da massa e se torna sujeito histórico, capaz de criar, escolher e orientar a vida social. Sem imaginação, não há projeto; sem projeto, a liberdade degenera em vazio.

Ortega busca advertir, provocar e convocar

Ao final, “A Rebelião das Massas” não pretende ser apenas um diagnóstico pessimista de sua época. Ortega busca advertir, provocar e convocar.

Sua obra aponta para a necessidade de reconstrução das elites intelectuais e morais, não como castas fechadas, mas como minorias exigentes, responsáveis por sustentar a cultura, a política e a civilização.

O autor quis chegar, em última instância, à reafirmação de que a sobrevivência da Europa — e da própria ideia de civilização — depende da capacidade do homem de assumir plenamente sua liberdade, reconciliar tradição e modernidade e recolocar a imaginação a serviço de um projeto coletivo elevado.

Dando prosseguimento a essa linha interpretativa, percebe-se que Ortega não escreve movido por um impulso meramente conservador nem por uma rejeição abstrata à democracia de massas.

Seu alvo é mais profundo: trata-se da substituição do critério, do esforço e da responsabilidade pelo simples fato numérico. Quando a quantidade passa a impor-se como valor em si mesma, a vida pública deixa de ser orientada por projetos e passa a ser regida por impulsos, humores e reivindicações imediatas.

A rebelião das massas, nesse sentido, não é apenas social ou política; é, sobretudo, espiritual.

O ponto decisivo do diagnóstico de Ortega está na inversão de hierarquias. Não hierarquias sociais rígidas, mas hierarquias de valores. O autor sustenta que toda civilização exige níveis diferenciados de exigência intelectual e moral.

Quando o homem comum se recusa a reconhecer qualquer instância superior — seja do saber, da cultura ou da responsabilidade — instala-se um igualitarismo degradado, no qual ninguém aceita ser orientado, mas todos exigem ser atendidos. A consequência é a fragilização das instituições, o empobrecimento do debate público e a tendência à barbárie sob a aparência de progresso.

É nesse contexto que a técnica e o Estado moderno assumem papel ambíguo. As conquistas técnicas ampliam enormemente o conforto e as possibilidades da vida humana, mas também criam a ilusão de que o mundo funciona automaticamente, dispensando reflexão, tradição e liderança.

O Estado, por sua vez, passa a ser visto como uma entidade abstrata capaz de resolver todos os problemas, enquanto o indivíduo se exime de qualquer dever histórico.

Ortega alerta que esse processo conduz à hipertrofia do poder estatal e à infantilização da sociedade. Assim, a obra aponta para uma questão central: a liberdade moderna só se sustenta quando acompanhada de autocontenção, cultura e imaginação criadora. Sem esses elementos, a libertação do homem transforma-se em niilismo prático — uma vida sem direção, sem grandeza e sem horizonte.

A crítica de Ortega não visa negar os avanços da modernidade, mas exigir que eles sejam reconectados a um sentido histórico mais amplo. Conclui-se, portanto, que “A Rebelião das Massas” é uma advertência dirigida não apenas à Europa de seu tempo, mas a qualquer sociedade que confunda emancipação com ausência de limites e progresso com facilidade.

Civilização é uma construção frágil

Ortega quis chegar à afirmação de que civilização não é um dado adquirido, mas uma construção frágil, permanentemente ameaçada quando o homem abdica do esforço de pensar, imaginar e assumir a responsabilidade por seu próprio destino.

Ortega y Gasset: um filósofo que não perde a atualidade | Foto: Reprodução

A introdução de “A Rebelião das Massas” deixa claro que Ortega não escreve um panfleto circunstancial, mas um ensaio de longa duração histórica. Sua reflexão parte da decadência europeia, atravessa o conflito entre tradição e modernidade e chega ao núcleo do problema moderno: a liberdade humana dissociada de responsabilidade, cultura e projeto.

A libertação do homem, quando não acompanhada de exigência interior, produz não a autonomia criadora, mas a acomodação da massa e o empobrecimento da vida pública.

Ao atribuir à imaginação um papel central, Ortega reafirma que o futuro não nasce espontaneamente das conquistas técnicas nem do simples acúmulo de direitos. Ele depende da capacidade humana de conceber fins, de estabelecer hierarquias de valor e de orientar a ação coletiva.

Sem imaginação histórica e sem elites intelectualmente responsáveis, a sociedade perde o sentido de direção e se entrega à gestão do imediato. Assim, o autor quis chegar à advertência fundamental que sustenta toda a obra: a civilização europeia — e, por extensão, a civilização moderna — só poderá preservar-se se o homem aceitar o peso de sua liberdade.

Não se trata de negar a modernidade, mas de resgatá-la de sua própria superficialidade, reconciliando herança cultural, exigência intelectual e imaginação criadora. É essa tensão, nunca resolvida de forma definitiva, que faz de “A Rebelião das Massas” um texto atual e indispensável para compreender os dilemas do mundo contemporâneo.

Em última instância, a introdução pode sublinhar que Ortega escreve como um pensador preocupado menos em oferecer soluções prontas e mais em despertar a consciência crítica de seu leitor.

“A Rebelião das Massas” exige uma leitura ativa, quase incômoda, porque obriga o indivíduo a perguntar a si mesmo se está vivendo como sujeito histórico ou apenas usufruindo, passivamente, de um mundo construído por outros.

Essa interpelação direta é parte essencial da força do livro. Ao provocar esse exame interior, Ortega desloca o debate da esfera exclusivamente política para o plano existencial.

A decadência da Europa, para ele, não será revertida apenas por reformas institucionais ou rearranjos econômicos, mas por uma transformação no modo como o homem compreende sua própria liberdade.

A verdadeira libertação não está em livrar-se de limites externos, mas em aceitar limites internos: disciplina, responsabilidade e compromisso com algo que transcenda o interesse imediato.

Dessa forma, a introdução se encerra preparando o leitor para um ensaio que é, ao mesmo tempo, diagnóstico histórico e advertência filosófica.

Crise não episódica, e sim estrutural

Ortega quis mostrar que a crise de seu tempo não era episódica, mas estrutural, e que seu desfecho dependeria da capacidade do homem moderno de reencontrar sentido, hierarquia e imaginação.

Ler “A Rebelião das Massas”, portanto, é confrontar-se com a pergunta que atravessa toda a obra: o que faremos, individual e coletivamente, com a liberdade que conquistamos?

Em “A Rebelião das Massas”, Ortega aborda o pacifismo não como virtude absoluta, mas como um dos sintomas ambíguos da modernidade europeia do pós-Primeira Guerra Mundial.

Para Ortega, o trauma da guerra produziu uma rejeição quase instintiva da violência; contudo, essa reação, quando desprovida de lucidez histórica, transforma-se em ilusão moral.

O autor não critica o desejo de paz em si. O que ele problematiza é o pacifismo ingênuo, convertido em dogma sentimental, que ignora a persistência do conflito como dado estrutural da vida política.

A Europa moderna, segundo Ortega, passou a confundir paz com ausência de responsabilidade, acreditando que declarações morais bastariam para conter forças históricas complexas e, muitas vezes, brutais.

Nesse ponto, o pacifismo se associa ao que Ortega chama de “homem-massa”: um sujeito que desfruta das conquistas da civilização, mas rejeita o esforço necessário para preservá-las.

Ao abdicar da vigilância política e da disposição para defender instituições, esse pacifismo contribui paradoxalmente para o enfraquecimento da própria ordem que pretende proteger. Ortega alerta que a paz duradoura não nasce da negação do conflito, mas da capacidade de organizá-lo, regulá-lo e, quando necessário, enfrentá-lo com racionalidade e responsabilidade.

A recusa absoluta da força — sem considerar contextos, ameaças e limites — abre espaço para que atores mais organizados e menos escrupulosos imponham sua vontade.

Assim, em “A Rebelião das Massas”, o pacifismo aparece como um ideal que exige maturidade histórica. Quando reduzido a retórica confortável, ele deixa de ser caminho para a civilização e se torna um dos fatores de sua fragilização.

Para Ortega, a verdadeira paz é obra de minorias conscientes, não de maiorias acomodadas.

Onde Ortega y Gasset fez a diferença

Ortega ocupa um lugar central no esforço intelectual de compreender a modernidade com seus dilemas, promessas e contradições. Mais do que um filósofo de circunstância, ele foi um intérprete agudo de seu tempo, capaz de captar a modernidade não como fetiche — isto é, como culto ingênuo ao progresso técnico e material —, mas como um processo histórico complexo, atravessado por tensões políticas, culturais e morais.

Vivendo intensamente o turbulento início do século XX, Ortega percebeu que a modernidade não se esgotava em seus avanços visíveis. Ao contrário, ela produzia um novo tipo humano, que ele conceituou de forma precisa: o homem-massa.

Trata-se daquele indivíduo que desfruta plenamente das benesses do mundo moderno — conforto, direitos, técnica, consumo —, mas ignora os longos e árduos processos políticos, institucionais e culturais que tornaram possível essa nova dinâmica capitalista. Vive a modernidade como dado natural, não como conquista histórica.

Essa intuição confere atualidade extraordinária à obra de Ortega.

Ao escrever nos anos 1930, ele anteviu fenômenos que só se consolidariam décadas depois. Falou de uma Europa em crise muito antes de sua tentativa de unificação política; percebeu o esgotamento do liberalismo clássico do século XIX quando este ainda parecia dominante; e identificou, com notável clareza, as condições que favoreceriam a ascensão do fascismo, do nazismo e do stalinismo.

Não se tratava de profecia, mas de diagnóstico histórico rigoroso. Ortega compreendeu que a crise da modernidade não era apenas econômica ou institucional, mas sobretudo espiritual e cultural.

O avanço da técnica, desacompanhado de responsabilidade intelectual e ética, produzia sociedades mais eficientes, porém menos conscientes de si mesmas. Nesse vazio, a massa — organizada ou manipulada — tornava-se protagonista da história, substituindo o debate racional pela imposição, o pluralismo pela unanimidade forçada. Por isso, a reflexão de Ortega vai muito além de uma crítica ao “moderno”.

Ela é, antes, um chamado à lucidez histórica. Seu pensamento nos convida a entender que nenhuma civilização se sustenta apenas sobre progresso material; ela exige consciência, limites e responsabilidade.

Ortega foi, nesse sentido, um dos grandes diagnosticadores das tendências profundas do século XX — e continua sendo uma referência indispensável para quem deseja compreender os impasses da modernidade no século XXI. Quem é o autor? Ortega foi um pensador político atento. Sem aderir a ideologias fechadas, alertou para os riscos do estatismo, do populismo e da submissão cega às técnicas e às burocracias.

Para ele, a civilização só se sustenta quando elites responsáveis — não elites de nascimento, mas de vocação e preparo — assumem o dever de conduzir a vida pública com consciência histórica. Ler Ortega hoje é confrontar-se com questões ainda abertas: quem manda no mundo moderno? A técnica serve ao homem ou o domina? O progresso material é suficiente para garantir uma sociedade justa e civilizada?

Sua obra permanece atual porque não oferece respostas fáceis, mas exige do leitor reflexão, responsabilidade e maturidade intelectual diante da modernidade que ele próprio habita.

Salatiel Soares Correia, escritor e crítico literário, é colaborador do Jornal Opção.

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