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Agenda de leituras para 2026 de escritores, intelectuais e jornalistas (Parte 6)

1

Nilson Jaime

Escritor, crítico literário e editor

1 — “Ender e o Brasil — Obra Completa” (Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2022. 723 páginas).

Sinopse: Um extenso “raisonné” pelo jornalista e escritor Júlio Bandeira. Um livro colorido, ricamente ilustrado, pesando 7 kg de pura arte naturalística do artista austríaco Thomas Ender.

2 — “Martius” (Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2018. 370 páginas), de Pablo Diener e Maria de Fátima Costa.

Sinopse: Um compêndio sobre a biografia e a excursão do cientista bávaro ao Brasil.

3 — “Frans Post (1612-2680) — Obra Completa” — 3a. edição revista e ampliada. (Rio de Janeiro: Editora Capivara, 2023. 450 páginas), por Pedro & Bia Corrêa do Lago.

Sinopse: Um luxuoso catálogo colorido com a obra do artista neerlandês sobre o Brasil.

4 — “A Viagem do Beagle” (São Paulo: Edipro, 2024. 639 páginas. Tradução de Daniel Moreira Miranda), de Charles Darwin.

Sinopse: Edição integral com os diários da expedição do naturalista inglês pela América do Sul.

5 — “Código Fonte: Como Tudo Começou” (São Paulo: Companhia das Letras, 2025. 372 páginas), de Bill Gates.

Sinopse: “A história de formação de um dos empresários e filantropos mais influentes e inovadores de nosso tempo”.

6 — “O Segredo Final” (São Paulo: Arqueiro, 2025. 560 páginas. Tradução de Fernanda Abreu), de Dan Brown.

Sinopse: O autor de suspense mais celebrado do mundo — “O código Da Vinci” e outros — está de volta com o livro mais arrebatador que já escreveu. Mais uma vez o protagonista é o professor de Simbologia Robert Labgdon.

7 — “Plantas que os Polinizadores Gostam” (Brasília: Embrapa, 2021. 1016 páginas), organizado por Décio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa.

Sinopse: o editor-técnico reuniu 64 cientistas para o mais abrangente levantamento sobre as plantas e seus polinizadores no Brasil.

8 — “Antropologia — Uma Introdução” — 7ª edição (São Paulo: Atlas, 2017. 332 páginas), Marina Andrade Marconi & Zélia Maria Neves Presoto.

Sinopse: Antropologia e cultura, evolução biológica, cultura material e arte, indígenas brasileiros e culturas negras no Brasil, são alguns dos temas abordados nesse livro-síntese da ciência antropológica.

9 — “Interpretação do Brasil” (São Paulo: Global, 2015. 257 páginas), de Gilberto Freyre.

Sinopse: O autor de “Casa Grande & Senzala apresenta “aspectos da formação social brasileira como processo de amalgamento de raças e culturas”.

10 — “O escravo nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX” (São Paulo: Global, 210. 245 páginas), de Gilberto Freyre.

Sinopse: O sociólogo é antropólogo pernambucano busca nos jornais brasileiros anúncios que representem a condição sub-humana e coisificada dos escravizados brasileiros. 

11 — “Locuções tradicionais no Brasil” (São Paulo: Global, 2004.  325 páginas), de Luís da Câmara Cascudo.

Sinopse: O eminente antropólogo recolhe expressões e ditos populares, busca suas origens e conduz o leitor a surpreendentes descobertas.

12 — “Pirenópolis Tem!” (Goiânia: Pyreneus, 2025. 216 páginas), de Aline Lôbo (organizadora) e colaboradores.

Sinopse: A partir da letra de uma canção da violonista pirenopolina “Ita de Alaor”, os acadêmicos da Academia Pirenopolina de Letras Artes Música (Aplam) convidam 86 jovens estudantes a escreverem, ou desenharem, o que “Pirenópolis tem!”

13 — “Gastão de Deus Victor Rodrigues — Poeta e Juiz” (Goiânia: Kelps, 2025, 324 páginas), de Geraldo Coelho Vaz.

Sinopse: o poeta, historiador e biógrafo Coelho Vaz escreve uma biografia e faz uma edição fac-similar dos livros “Agapanthos” e “Páginas Goyanas”, do poeta catalano Gastão de Deus.

14 — “O Letrista” (Goiânia: Contato Comunicação, 2025. 201 páginas), de Nasr Chaul.

Sinopse: o maior letrista da MPB feita em Goiás mostra parte de sua extensa obra e seu processo de criação.

15 — “O Barulho” (Goiânia: Kelps, 2013. 114 páginas), de Abílio Wolney Aires Neto.

Sinopse: em linguagem historiográfica, o autor desvenda os fatos ocorridos em São José do Duro, norte de Goiás (hoje Dianópolis-TO) no final da década de 1910, e que inspirou o romance “O Tronco”, de Bernardo Élis.

2

Marcelo Franco

Promotor de justiça

“Leer es un riesgo. (…) El primer riesgo para el lector, el más antiguo y de los más graves, es el de convertirse y querer convertirse en escritor; o también, y peor aún, en crítico. Me limito a recordar una obviedad fundamental: los libros son contagiosos.” — Alfonso Berardinelli, “Leer es un Riesgo”

1 — O editor-chefe do “Jornal Opção” pediu-me, há tempos, uma lista de leituras para 2026. Sempre perdendo a corrida cotidiana para as bobagens nossas de cada dia, adiei a entrega do texto. Procrastinei. Regateei, protelei, tardei, contemporizei, truquei, arrastei-me — mas eis aqui a encomenda, ainda que em pacote e embrulho rasgados.

Outro porém: escrever planos de leitura é tarefa árdua, bem sabemos, por muitos motivos — planejar é um tipo de “fuga mundi”, não concordam? Mais: já antevemos que não se cumprirá o riscado; eu mesmo ainda estou terminando a lista de 1942. Agendas de leitura, vale dizer, muito se parecem com planos de governo que candidatos entregam à Justiça Eleitoral (e tantos livros há, tantos desejamos, tantos queremos listar). Assim foi.

A enorme oferta de livros que nos chegam é mais um problema. Um scroll ligeiro nas redes sociais basta para que a insolvência venha a passos largos, prejudicando whisky das crianças. Duvidam? No “X”, aquela rede frequentada por quem dela gosta de falar mal e ainda assim lá permanece, seguir bons perfis leva a conta bancária ao vermelho — confiram lá no antigo “Twitter“, como prova negativa de Pantaleão Pereira Peixoto, “El Vicio Impune de Leer”. Não é mentira, Terta.

O próprio Euler de França Belém indica livros excepcionais no “Jornal Opção”, destrinchando-os com rara argúcia (aguarde a conta, meu amigo), e as cinco agendas de leitura para 2026 já publicadas antes desta me fizeram vender um rim e uma córnea. Assim é.

Mãos à obra, digo a mim mesmo. Antes, contudo, também repito um parágrafo inteiro — plagio a mim mesmo — de listas anteriores, pois o alerta diz muito sobre como entendo listas assim. A lista ideal, creio, deve ser uma mistura de livros antigos, lançamentos recentes, leituras programadas em listas anteriores e nunca cumpridas e livros citados somente para que se possa simular erudição. E haverá aí abaixo alguma coisa que já mencionei ou publiquei aqui ou acolá, porque roubo, repito, os meus próprios textos e, mais importante, eles relacionam livros cuja leitura não encerrei. Assim será.

2 — Eu mencionei “procrastinação”? Sim, sim, ali acima. Eis um tema que me traz curiosidade, daí porque, se eu não o empurrar para o fundo da estante, lerei “Produtividade Lenta: A Arte Esquecida de Produzir sem se Esgotar”, de Cal Newport.

Notem, então: adiei a entrega deste texto porque faço jornalismo investigativo, raiz, à la Bernstein e Woodward, atrasando-o, com essas leituras técnicas, mesmo que só planejadas, como método de aprofundamento. Assim deve ser. (Churchill, dizem, lia um livro por dia enquanto salvava o Ocidente; eu mal consigo cumprir as promessas feitas ao amigo Euler e ler o novo Asterix.)

3 — Os Estados Unidos — independentes — completam 250 anos em julho. Como a história da luta de um exército inicialmente maltrapilho e amador contra o mais poderoso Império de então foi um dos grandes feitos de todos os tempos, uns dois ou três livros sobre o tema são de regra (talvez uns dez ou quinze…).

Aqui a oferta é vastíssima, o que uma rápida consulta no lujinha do Bezos confirma. Por exemplo, do fim do ano passado é “Declaring Independence: Why 1776 Matters”, de Edward J. Larson, and yes, it matters. A trilogia de Nathanael Philbrick poderá ser relida, bem como os livros de Rick Atkinson, a depender dos ventos e marés (títulos no Google, garotada). Sobre o milagre em si, “Band of Giants: The Amateur Soldiers Who Won America’s Independence”, de Jack Kelly, e “Almost a Miracle: The American Victory in the War of Independence”, de John Ferling. Indeed, de milagre se trata.

Confesso, entretanto. Talvez o que mais esteja me movendo numa seara sem volta seja uma série sobre os espiões de George Washington (na Netflix). Vista a série, fui ao livro na qual ela se baseou, “Washington’s Spies: The Story of America’s First Spy Ring”, de Alexander Rose.

Seguirei com “George Washington’s Secret Six: The Spy Ring That Saved the American Revolution”, de Brian Kilmeade e Don Yaeger, e ainda, como a rede se iniciou e se manteve em Long Island, com uma indicação de tour vem “George Washington’s Long Island Spy Ring: A History and Tour Guide”, de Bill Bleyer.

Se o meu terapeuta permitir, não me escapará o livro de Joanne S. Grasso, “The American Revolution on Long Island”. Toda leitura vale a pena se a quantidade de Rivotril não é pequena. Assim tem sido.

4 — Gosto de ensaios. Gosto muito, muito de ensaios, e obrigado, meu caro Montaigne. Creio mesmo que leio mais ensaios que bulas de remédios.

De uma lista antiga, continuo planejando reler toda a obra de Joan Didion. A jornalista-escritora, se não sabem (eu já os avisei antes…), escreveu o melhor obituário dos anos 60. Fora as releituras, terei de me de dedicar a um livro póstumo seu, “Para John”.

E vivas e alvíssaras, os ensaios completos de Jorge Luis Borges saíram, em espanhol, pela Alfaguara.

Zadie Smith também voltou ao gênero com “Dead and Alive”, que já estou percorrendo. Tantos foram os livros de ensaios que adquiri recentemente que uma lista completa atrasaria ainda mais a publicação deste texto — prometo algo mais específico em outra lista, talvez ali por volta de 2050.

Apreciando ensaios e memórias, até resolvi, certa vez, dar alguma forma ao que pensava sobre o tema, daí ter comprado a magnífica “Encyclopedia of the Essay”, de Tracy Chevalier, talvez contrariando a própria ideia de ensaio, com suas volutas e seus emaranhados.

Por definição, num ensaio “tenta-se” — é o caminho, não a linha de chegada, que importa. Sem problemas, contudo: o calhamaço tem sido lido e relido.

Pois então: Fernando Dourado Filho, um dos melhores textos do “Facebook” (eu iria escrever “melhores penas”, mas me senti um Rui Barbosa de pincenê e plastron), vem construindo obra sólida. Por exemplo, são dele dois ótimos livros dos últimos anos, o romance “O Halo Âmbar” e “A Viagem Imóvel”, este sobre o período que passou, durante a pandemia, em Paris.

Fernando Dourado publicou, há pouco, o seu ensaio de memória, “A Luz Mutante da Meia-Estação”, do qual já trilhei mais da metade de suas páginas. Invejo-o e o indico sem hesitar: o livro que não escreverei seria assim, uma autobiografia ensaiada, já que os dois gêneros se combinam perfeitamente e, como dizem os portugueses, me agradam imenso. Não toda uma vida, mas recortes temporais ou de temas; nada linear, antes uma escrita difusa; vulnerabilidades, nunca certezas. Um tapete persa com suas linhas enrodilhando-se; um vai e avança e recua sem se acabar; uma vida, por assim dizer, narrada em geometria não-euclidiana (sim, mantive o hífen…).

Penso em Nelson Rodrigues, pernambucano como Fernando Dourado, e o seu inigualável “A Menina Sem Estrela”.

Já Luiz Schwartz nos deu, também outro dia, “O Primeiro Leitor: Ensaio de Memória”. Mais, muito mais; por exemplo, “As Palavras”, talvez o único Sartre potável. E mesmo os seis volumes das memórias totais de Pedro Nava, aquele arquivista de um Brasil inteiro, também com tantas idas, vindas e digressões que o mineiro pode se inscrever no mesmo rol. Assim seria o meu livro, insisto, fosse eu escritor — assim seria.

5 — Livros sobre livros. Coleciono livros antigos, um mundo estranho que frequento de madrugada e em becos escuros; por isso, tudo o que se escreva sobre livros, leituras, bibliofilia e temas afins me interessa. Então notem: Santiago Posteguillo tem ótimos romances históricos sobre personagens da Roma Antiga, mas também escreveu sobre livros — começarei com “La Noche en que Frankenstein Leyó el Quijote: La Vida Secreta de los Libros”.

A editora argentina Ampersand tem publicado uma série chamada “Colección Lectores”; por ora, vou de “La Lectura: Una Vida…” (Daniel Link) e “Una Lectora de Provincia” (María Teresa Andruetto).

Três livros sobre editoras que separei para leitura ou releitura: o belíssimo “José Olympio: O Editor e sua Casa”, organizado por José Mário Pereira; “A Editora do Passarinho: Um Estudo Sobre o Legado da Editora Sabiá de Fernando Sabino e Rubem Braga”, de Rafael S. Carvalho; e “A Globo da Rua da Praia”, de José Otávio Bertaso.

Temos ainda “O Colecionador de Mentiras”, em que Gilberto Schwartsmann narra, com alguma fantasia, sua vida de bibliófilo. Já para resolver um mistério que me intriga, “¿Qué Leen los que no Leen?”, de Juan Domingo Argüelles. E, claro, qualquer livro de João Cezar de Castro Rocha — o da vez será “Exílio Como Forma: Gonçalves Dias e o Dilema Brasileiro”. Não é assim?

6 — História. Quem não a conhece irá repetir erros, isso? Ou mesmo a conhecendo somente seremos capazes de fazer algum tipo de previsão sobre o rumo geral dos desastres (com margem de erro de instituto de pesquisa de eleição para prefeito)? Bem, tanto faz, tanto faz, leiamos e erremos — ou que possamos enxergar erros. Ian Buruma lançará “Stay Alive: Berlin, 1939–1945”, preparem então os bolsos.

Outro lançamento de 2026: Jonathan W. Jordan vem com “Ike and Winston: World War, Cold War, and an Extraordinary Friendship”. Da Argentina nos chega “Pax Menemista: Historia Secreta de los Indultos a Militares y Montoneros en el País del Odio”, de Ceferino Reato. “The Great Resistance: The 400-Year Fight to End Slavery in the Americas”, de Carrie Gibson, está em bom lugar num monte de livros aqui ao meu lado.

Um projeto de visita às Missões brasileiras, argentinas e paraguaias dominará o primeiro semestre; então coloquei, na minha pilha, “Índios e Jesuítas no Tempo das Missões” (Máxime Haubert) e “Breve História das Reduções Jesuítico-Guaranis” (Ignácio Dalcim). Lembremos sempre — que assim seja.

7 — Segunda Guerra. Guerra Civil Americana. Guerra do Vietnã. O pior do ser humano trazendo, às vezes, o seu melhor: abnegação, atos de heroísmo, inventividade… Fico com “Os Estrategistas: Churchill, Stálin, Roosevelt, Mussolini e Hitler: O que a Guerra Fez Deles?”, de Phillips Payson O’Brian. Entre tantas possibilidades, menciono apenas esse afunda-esterno de 666 (opa!!!) páginas. Jamais haveria de assim ter sido.

8 — Tenho em mim muitos vícios; entre eles, o da Amazônia. Uma releitura da obra do paraense Dalcídio Jurandir? Talvez, talvez. Também as muitas obras clássicas sobre a Amazônia que podemos baixar gratuitamente na Livraria do Senado (ah, essas fantásticas livrarias públicas e digitais, do Senado, do Iphan…). E finalmente pretendo me embrenhar nos dois volumes que o padre João Daniel escreveu no século 18, “Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas”. Um vício grave para as finanças — que assim não fosse.

9 — Biografias e memórias. Eu já disse antes? Já, mas pouco importa. Leio biografias e memórias como um menino que espia vidas alheias por um buraco de fechadura — só não saio por aí contando o que vi, pois todo mundo tem acesso à mesma fechadura.

Finalmente teremos uma biografia minuciosa de Guimarães Rosa, que nos chegará pelas mãos de Leonencio Nossa.

Andam prometendo, também para este ano da graça do Nosso Senhor, biografias de Carlos Lacerda (por Mário Magalhães; o primeiro volume sai em março), Mequinho, Ênio Silveira, Luiz Gonzaga e Natália Ginzburg. A ver.

C.S. Soares publicou o primeiro volume de sua biografia de Machado de Assis, “O Filho do Inverno”. Merece ser conferida, sem dúvida.

Em março, teremos “James Joyce: A Political Life”, de Frank Callanan. “T.S. Eliot: An Imperfect Life”, de Lyndall Gordon, adorna bem esta lista, não é mesmo?

Como saiu, ou sairá, um filme sobre o goiano Honestino Guimarães, morto na ditadura civil-militar, lerei “Paixão de Honestino”, de Betty Almeida. Por ter entrado em várias listas de melhores de 2025 e sendo o meu caráter fraco, adiciono “Mother Mary Comes to Me”, livro de memórias da escritora indiana Arundhati Roy — duvido que não o traduzam neste ano. Consegui ainda um livro que me deixou cicatrizes para o obter, “Los Goytisolo”, de Miguel Dalmau, sobre os irmãos escritores espanhóis, e o estou lendo como quem se serve de um prato raríssimo (Juan Goyrtisolo foi decisivo para a publicação do primeiro romance de Manuel Puig na Europa). De qualquer modo, muitas biografias serão publicadas neste ano, como viram. Assim haverá de ser.

10 — Política? Evitarei, como em outros anos, a turma apocalíptica que repete a bobajada de que a democracia está morrendo e que há um tirano à espreita em cada esquina — vocês sabem: “a polarização faz mal ao país”… Entram na lista, então: “Centrists of the World Unite!: The Lost Genius of Liberalism”, ainda não publicado, de Adrian Wooldridge. Também: “Esquerdas e Direitas: A Superioridade da Sociedade Aberta”, de Joaci Góes. Ah, assim deveria ser…

11 — Outra lembrança que furto de mim mesmo.

Sou um atormentado que lê biografias de juristas, votos dos ministros do Supremo Tribunal e até decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos (sim, sim, meu terapeuta já foi avisado). Para não mencionar temas tão áridos tal como a situação de Goiânia após as motosserras sazonais, aguarda leitura a biografia do maior filósofo do Direito de século passado, “A Life of H. L. A. Hart: The Nightmare and the Noble Dream”, de Nicola Lacey.

E o que mais? A mim me parece que parte da descrença da sociedade com o Direito talvez venha de sua ambiguidade, problema já bem estudado e com soluções parciais, como a exigência de respeito a padrões decisórios, por exemplo.

Pensemos em liberdade de expressão: lê-se a todo momento, em decisões judiciais, que “o réu ultrapassou os limites da liberdade da expressão”, sem se encontrar especificado qualquer um desses limites na decisão que os vê desrespeitados (limites jurídicos, claro, ou seja — simplificando —, levados previamente da Moral para o Direito e não com a Moral iluminando o Direito). Mundo afora, há mais objetividade.

Num caso famoso julgado pela Suprema Corte americana, o juiz Scalia proferiu um voto memorável: entendeu que, havendo limitações constitucionais ao discurso, elas não podem ser legalmente impostas com preferências — ao se proibir a difamação, não se pode proscrever somente difamação direcionada ao governo, por assim dizer.

Eis o meu primeiro ponto: no mesmo julgamento, Scalia cunhou uma frase magnífica: “A cidade de Saint Paul não tem autoridade para licenciar um lado do debate para lutar no estilo livre, enquanto exige que o outro siga as regras do Marquês de Queensbury” (o tal marquês criou regras para o boxe, inclusive o uso de luvas).

O segundo ponto: jurista que não conhece o Justice Antonin Scalia, Nino para os íntimos, é doente do pé ou ruim da cabeça.

Último destaque: o Direito é menor do que se crê (ordenador universal da sociedade); pode ser, porém, maior do que seu alcance comum, apesar de mostrar-se, atualmente, como tudo menos raquítico (devendo voltar a ser uma, e somente uma, das técnicas de solução de conflitos entre grupos, a principal, desde que aqueles que com ele trabalhem não sejam massacrados com milhares de processos). Tudo isso para dizer que parte da obra de Scalia, publicada em português, será revisitada. Assim temos um dever-ser.

12 — Ficção. De Edson Aran, “Quincas Borba e o Nosferatu: De Como o Filósofo Quincas Borba e o Relutante Brás Cubas Enfrentam o Diabólico Conde Drácula Para Salvar a Impulsiva Capitu”. Já o estou lendo. Começou bem, muito bem, mas falarei mais dele assim que o terminar; por ora, registro que ele colocou o escritório de investigação filosófica de Quincas Borba na Rua do Ouvidor, 23. Hoje, nada há ali, creio, mas são quarteirões sagrados, esses do início da Rua do Ouvidor.

No primeiro, o Rio Minho, restaurante carioca mais antigo; no segundo, agora, o tal escritório do Quincas; no terceiro, antes da Avenida Primeiro de Março, a Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, a Tabacaria do Ouvidor, bela e renovada, e, para o que nos interessa aqui, a livraria Folha Seca (livros sobre o Rio, samba e futebol).

Se Marcelo Mirisola tiver livro novo no mercado, receberá um “siiiiimmmm!!!” semelhante aos daquele programa do Silvio Santos em que o camarada tinha de adivinhar se trocaria um fósforo por uma bicicleta ou vice-versa.

“Língua Interior”, de Kamel Daoud, ganhador do Goncourt em 2024, e “Os Flamingos”, de Rodrigo Duarte Garcia, me espiam com suas lombadas. Tempo, tempo, tempo…

Adiante. Vocês me trazem “Torto Arado”, eu respondo com “Coivara da Memória”, de Francisco J. C. Dantas, nascido em Riachão do Dantas, nome de cidade que aprecio tanto quanto Crateús ou Afogados da Ingazeira.

Mais coeso do que “Torto Arado” e lírico na medida certa, sem traços de doçura diabética, “Coivara” ainda mantém um diálogo constante com o romance nordestino dos anos 30, além de ter a memória como um dos seus temas, já ganhando de mim, só por isso, com um famoso 7 a 1. Lemos logo no seu primeiro parágrafo: “…egressas de bocas invisíveis, me chegam vozes que se arrastam do passado e me empurram para a vida…”. Talvez sejamos empurrados para a vida, contra tudo e todos, justamente pelas vozes atávicas que nos colocam numa vereda qualquer, num rumo cujo fim apenas antevemos. Assim vivemos: sem ser um relativista filosófico, o fato é que a cada dia tenho menos certezas nas relações pessoais e quanto àquilo a que devo dedicar o já escasso tempo que me cabe.

Botei reparo, para dizer bem goianamente, em clubes de leitura nas redes sociais. Muitos livros do momento. A moda atual é ficção sobre livrarias, “A Livraria de York”, coisas assim. Li uns dois ou três do gênero, não os consigo distinguir.

Sou a favor de clubes de leitura, por assim dizer, raiz. Brutos. Com digressões longas. Soporíferos. Digamos, algum que promova a leitura conjunta de “novelas de dictador”, romances de ditador, um subgênero hispano-americano (não sei mais usar ou não o hífen…).

Estudo conjunto de “O Senhor Presidente”, “Eu o Supremo”, “O Outono do Patriarca”, “O General em seu Labirinto”, “A Festa do Bode”, “Matem o Leão”, “O Recurso do Método”, “Uma Mesma Noite” e “O Romance de Perón” (autores no Google, garotada). Ninguém topou a ideia; assim, criei um grupo comigo mesmo para re(ler) esses livros. Argumento e me respondo. Leio em voz alta e discordo do que eu mesmo afirmara antes. No limite, vou a vias de fato contra o espelho.

Pois então: estou envolvido, há meses, com “Oficio de Difuntos”, do venezuelano Arturo Úslar Pietri.

Úslar, excepcional escritor, teve, em tempos idos, seu “Lanças Coloradas” publicado pela Editora Paz e Terra. É dele o primeiro uso da expressão “realismo mágico”, vejam só.

No livro, ele revê a trajetória do caudilho Juan Vicente Gómez, que mandou na Venezuela de 1908 a 1935, mas o faz pela voz de um padre que servira ao regime e é chamado para fazer a oração fúnebre do ditador morto — daí o título do livro, que também se presta como referência à ordem que logo se extinguirá, caído o seu pilar. Ora, o padre sabe que revoltas eclodirão e, assim, agonia-se com a tarefa, relembrando sua trajetória. A estrutura do poder ao qual prestou seus serviços ainda está de pé; o povo, porém, já começa a sair às ruas para saques e cobranças de contas.

Como deve ser o tom do discurso, então? Não tanto ao mar, não tanto à terra, eis o dilema do pobre padre. E aqui um trecho que serve a todas as épocas e a todos que fingem não ver: “‘Yo no inventé a este hombre.’ El criado lo oía sim comprender. “No lo inventó nadie.’ Explicaba confusamente los procesos históricos. Le hablaba del pasado. De cómo unas cosas trajeron otras. Nombraba nombres que él fámulo no había oído nunca”. O problema é que, mesmo que por omissão, todos inventamos “a estes hombres”. Assim nunca deveria ter sido.

13 — Poesia. Sigo com minha ração de Drummond às segundas e quartas, João Cabral às terças e quintas e Cecília Meireles nos sábados e domingos. Às sextas-feiras, aquele poeta francês, o Cabernet Sauvignon. É dieta boa como o sal da Agroquima do antigo comercial goiano: um suplemento mineral de qualidade.

Ocorre que todo cardápio merece algumas correções, como se sabe, então vou de reforços da Editora 34: “Nossa Vingança é o Amor: Antologia Poética (1971-2024)”, da uruguaia Cristina Peri Rossi, e “Poesia Reunida (1968-2021)”, de Leonardo Fróes, tradutor e poeta brasileiro que partiu em 2025.

Uma palinha do Fróes (“Despovoação da Pessoa”):

“Tudo que havia contribuído

para forjar, no tempo, uma pessoa,

tentando dar coerência

à sua instabilidade crônica,

tudo que, medido e marcado,

era um acréscimo de regulação

para o funcionamento ordinário

— nome, renome, cadastro etc. —

foi de repente estilhaçado

e, como cacos de vento

no caminho incerto e novo,

nada do que a fazia persiste

na sensação de liberdade

que esta pessoa de perfil nulo conquista,

ou melhor, conhece, atravessada

por lufadas de pó”.

Falta-me tal talento: assim não sou.

14 — Literatura goiana, sim e sempre.

Adalberto de Queiroz vem de publicar, com galicismo mesmo, “Duro Feito Pedra, Frágil Como Pólen”, numa edição primorosa da Editora Bula.

Buscarei, então, os seus livros todos, sim, t-o-d-o-s — Beto Queiroz não sabe, mas algumas de suas obsessões foram roubadas de mim: rios, a memória como eixo de nossas existências, o catolicismo, diálogos diretos ou mesmo subliminares com outros escritores.

Hélverton Baiano, por sua vez, lançou “Cordel de Bugigangas e Geringonças”, leitura já iniciada. E Lêda Selma, agora novamente na cadeira de presidente da Academia Goiana de Lêda, digo, de Letras, chega a esta lista com tapete vermelho e guarda de honra com sua antologia “Travessias e Travessuras”.

A AGL, a propósito, promoveu, em 2025, o “Ano Cultural Luiz de Aquino” — neste 2026, repetirei exatamente o mesmo “Ano Cultural” aqui em casa, eis uma certeza. O Aquino num canto — lá se vão trinta anos, meu amigo —, eu lendo seus livros e o consultando de quando em quando. Goianamente, eu ainda mais goianarei: Solemar Oliveira comparecerá com “As Casas do Sul e do Norte”.

Mas não se enganem com tanto arroz com pequi, conterrâneos meus. Declaro de modo juramentado que não lerei o meu amigo Ademir Luiz, porque o ingrato não me enviou o esperado “Por um Punhado de Prólogos”. O que será, será.

15 — Aqui eu mencionaria livros de não-ficção diversos, ainda com hífen no Vocabulário Ortográfico Marcelo Franco, e aqueles difíceis de serem colocados numa única categoria, além da literatura que faz parte, digamos, da minha “estante excêntrica” (leio guias de viagens de países que não conhecerei, só para registro). Esta lista já vai longa, porém, então anoto que me preparo para reler “O Poder”, de Bertrand de Jouvenel, em que o francês explica como o poder não se detém e tende a se expandir. Nenhum outro livro mencionarei nessa vertente, pois Jouvenel não se conteve e colonizou as estantes em que estariam esses tais livros variados. Tendo poder: assim não sejais vós.

16 — Perdemos Vargas Llosa em 2025; uma revisita à sua obra é obrigação que não se cumpre, é certo, sem reverência — pretendo continuar a leitura dos seus textos jornalísticos, até agora relançados em três calhamaços, sem tradução à vista, e aproveitar a onda de livros publicados sobre o peruano, como “Vargas Llosa: Su Otra Gran Pasión (Biografía Política)”, de Pedro Cateriano.

Ah, sim, e o novo Nobel? László Krasznahorkai é o nome impossível do húngaro que o levou no ano passado; portanto, vamos o ler com afinco?

E a propósito, o que há na comida e na água de países como Hungria, Irlanda e Cuba, citando somente esses três, para que neles brotem mais escritores do que duplas sertanejas em Goiás? A Hungria tem uns 10 milhões de habitantes; Cuba, 11 milhões. Irlanda do Norte e a República da Irlanda somam cerca de 8 ou 9 milhões — em Goiás somos 7 milhões, só para comparamos.

A Irlanda levou o Nobel de Literatura quatro — ou cinco? — vezes; já Cuba é a terra de Lezama Lima, Alejo Carpentier, Nicolás Guillén e Cabrera Infante.

A Hungria comparece — certamente errarei os acentos nos nomes — com o último Nobel, Sándor Márai, Imre Kertész (também Nobel), Magda Szabó, Ágota Kristóf, Péter Esterházy… Comento isso tudo porque, por pura inveja de um amigo que está lendo a poesia completa do irlandês Seamus Heaney, esta agenda contempla o mesmo plano, só que o farei pelo método “terminarei-primeiro-seu-fracassado”. Ai de mim, assim ainda sou.

17 — Sempre releio os livros da adolescência sem me decepcionar e com renovado assombro. Edgar Rice Burroughs, Karl May, Agatha Christie, Júlio Verne, Conan Doyle e mais um punhado de aventureiros e exploradores de sofá. Pois não é que a Netflix está rodando uma fita sobre Sandokan? Aguarde-me em 2026, Emilio Salgari. Que assim continue sendo.

18 — Pigarreio para logo encerrar estas mal traçadas. Não posso, contudo, deixar de também insistir num artigo de fé que sempre repito nas minhas listas, palavra por palavra: declaro solenemente que não lerei todos aqueles autores que os cadernos de cultura proclamam como renovadores da língua portuguesa; quanto aos estrangeiros, nada de romances que mostrem “o American way of life tornado pesadelo”; já em matéria de heterodoxias, só acompanharei o pós-pós-modernismo de livros revolucionários que sigam a estranha ordem “início-meio-fim”.

That’s all, folks. Sejam bonzinhos, façam caridades, rezem para o Papai do Céu, não mintam sobre livros que não leram e jamais digam que “escrevem uns poeminhas de vez em quando”.

Coda: sim, listei muitos livros em outras línguas. Vaidade das vaidades, tudo é vaidade, mas registro que eu também seria um ótimo caçador de tesouros para editoras, creiam-me.

Coda, parte 2: os presentes chegarão aí, Marcio Fernandes. Promessa de livros, para mim, é na base do fio de bigode grisalho.

Agora, o ademã real. Fui. Partiu junta médica. Assim termino.

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