O mau hálito em cães e gatos pode até parecer comum no dia a dia, mas não deve ser tratado como algo normal. Segundo o médico-veterinário Fernando Henrique Souza, a halitose, nome técnico do “bafinho”, geralmente é o primeiro sinal de que há algum problema na saúde bucal do pet, principalmente relacionado ao acúmulo de placa bacteriana e tártaro. De acordo com o veterinário, o processo começa com restos de alimento que ficam nos dentes e se transformam em placa bacteriana. Com o tempo, essa placa endurece e vira tártaro, aquela crosta amarelada ou marrom que se fixa nos dentes, especialmente próximos à gengiva. Esse ambiente favorece a proliferação de bactérias que liberam odores desagradáveis e provocam inflamação gengival. “O mau hálito é um alerta. Na maioria das vezes, está associado à doença periodontal, que é progressiva e pode causar dor e perda dentária”, explica Fernando Henrique. Além do cheiro forte, o tutor deve ficar atento a sinais como gengiva vermelha ou inchada, sangramento, dificuldade para mastigar, salivação excessiva, recusa de alimento duro e até mudança de comportamento, como irritação ou apatia. Em casos mais avançados, a infecção pode atingir estruturas mais profundas da boca. O veterinário alerta ainda que bactérias presentes na cavidade oral podem cair na corrente sanguínea e comprometer órgãos como coração, rins e fígado. “Não é apenas um problema estético. A saúde bucal interfere diretamente na saúde geral do animal”, reforça. Fernando Henrique também lembra que, embora a principal causa do mau hálito seja o tártaro, alterações no cheiro da boca podem indicar doenças sistêmicas. Hálito com odor muito forte e diferente do habitual pode estar relacionado a problemas renais, diabetes ou distúrbios hepáticos, o que exige avaliação clínica completa. A prevenção, segundo o médico-veterinário, é simples e deve fazer parte da rotina. A escovação regular dos dentes, com escova e creme dental específicos para pets, é a medida mais eficaz para evitar o acúmulo de placa. Ele orienta que o hábito seja introduzido desde filhote, de forma gradual e positiva. Além disso, existem petiscos funcionais, brinquedos mastigáveis e algumas rações formuladas para auxiliar na redução da placa bacteriana. Mesmo com os cuidados em casa, a avaliação periódica com o veterinário é fundamental. Em muitos casos, quando o tártaro já está instalado, é necessária a limpeza dentária profissional, feita com anestesia e equipamentos adequados para remover o acúmulo sem causar dor ao animal. “Quanto antes o problema for identificado, mais simples e menos invasivo será o tratamento”, destaca. Para o especialista, ignorar o mau hálito pode custar caro à saúde do pet. O que começa com um odor desagradável pode evoluir para dor intensa, infecções, perda de dentes e complicações sistêmicas. Por isso, ao perceber qualquer alteração, a orientação é procurar atendimento veterinário. “Cuidar da boca é cuidar da qualidade de vida do animal. Prevenção sempre será o melhor caminho”, conclui. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .