Goiás participa de fórum empresarial na Índia com foco em indústria, energia e inovação
Goiás participa neste sábado, 21, do India–Brazil Business Forum, em Nova Délhi, evento que reúne autoridades e empresários dos dois países para discutir cooperação em áreas estratégicas como tecnologia, energia, saúde e agronegócio.
A programação ocorre no Taj Palace Hotel e inclui painéis temáticos, assinatura de memorandos de entendimento (MoUs) e sessão plenária com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A abertura contou com a participação do presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, além de representantes do governo indiano e de entidades empresariais. Entre os participantes da sessão inaugural está o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e conselheiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), André Luiz Rocha.
Em discurso no evento, André Rocha afirmou que o fórum confirma “a maturidade, a relevância econômica e o dinamismo da parceria entre os nossos países”. “Brasil e Índia têm características notáveis que fortalecem a convergência de interesses estratégicos para alcançarmos benefícios mútuos”, declarou.
Segundo ele, as duas nações se destacam “por sermos países democráticos com grandes extensões territoriais” e por possuírem economias em desenvolvimento com “sólidas vocações industriais e presença crescente nos fluxos de comércio”.
Rocha destacou números da relação comercial bilateral. “A Índia é hoje o quinto maior parceiro comercial do Brasil e o segundo na Ásia, atrás apenas da China. Na última década, a corrente de comércio entre os países quase triplicou, passando de US$ 5,6 bilhões em 2016 para US$ 15,2 bilhões em 2025.”
Apesar da expansão, o presidente da Fieg avaliou que há margem para crescimento. “Estamos convencidos de que o potencial da nossa parceria é muito maior do que o observado até o momento, especialmente se considerarmos a complementaridade das duas economias.”
Ele apontou que o acordo preferencial entre Mercosul e Índia ainda é restrito. “O acordo preferencial entre Mercosul e Índia cobre atualmente apenas 16,8% do comércio bilateral. Esse número demonstra que há espaço para reforçarmos os laços que nos unem e criarmos novas oportunidades de negócios.”
Segundo Rocha, é necessário aprofundar o diálogo empresarial. “A aproximação entre empresas indianas e brasileiras é fundamental para ampliar investimentos, consolidar parcerias tecnológicas e impulsionar a inovação.”
Prioridades estratégicas da indústria
O dirigente também destacou o lançamento do Fórum Empresarial de Líderes Brasil–Índia, iniciativa conduzida pela CNI em parceria com a Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia (FICCI). De acordo com ele, o mecanismo foi criado para estabelecer um canal estruturado e permanente de diálogo entre os setores privados.
Entre as prioridades estratégicas elencadas pela indústria brasileira estão o fortalecimento das cadeias industriais e sistemas de suprimento, parcerias em inovação e transformação digital, cooperação em transição energética e minerais críticos, sustentabilidade e economia circular, além de avanços em acordos comerciais e facilitação de comércio.
Rocha também mencionou cooperação nos setores aeroespacial e de defesa, saúde e biotecnologia, agricultura e fertilizantes, bem como formação de capital humano. “Essas prioridades refletem a visão de que Brasil e Índia são parceiros estratégicos, com elevada complementaridade econômica e amplo potencial para desenvolver iniciativas conjuntas de longo prazo”, afirmou.
Participação feminina e agenda do BRICS
Durante o discurso, André Rocha ressaltou ainda a crescente participação feminina na agenda internacional da indústria. “A presença das empresárias brasileiras na primeira reunião da Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS simboliza, ao mesmo tempo, o fortalecimento da parceria Brasil–Índia e o avanço da agenda de gênero no âmbito do BRICS.”
Ele registrou reconhecimento à liderança de Mônica Monteiro, presidente do Fórum Nacional da Mulher Empresária e da Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS, destacando que sua atuação “tem ampliado a presença feminina em espaços de decisão e contribuído para resultados concretos em comércio, investimentos e inovação”.
Ao encerrar, o presidente da Fieg afirmou que a CNI atuará de forma coordenada para ampliar o comércio e os investimentos bilaterais. “Estou certo de que este Fórum Empresarial ajudará a inaugurar um ciclo virtuoso de cooperação, com conexões duradouras, projetos relevantes e parcerias que se traduzam em inovação, negócios, crescimento econômico e inclusão social para os nossos países.”
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