Com custo de R$ 10 mil por hectare para trocar eucalipto por soja, a Fazenda Pastinho, a 20 km de Campo Grande, teve um dia de campo nesta terça-feira (24) para exibição de cultivares do grão, um dos principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul. Na saída para Três Lagoas, depois da linha férrea, já se avistava da BR-262, entre as densas nuvens prometendo chuva, as 12 tendas montadas para o evento do agronegócio. A fazenda foi arrendada por Edson Giroto (PL), ex-secretário estadual de Obras e ex-deputado federal, e se prepara para a terceira colheita de soja. Dono de fazenda de gado, ele conta que foi um desafio transformar a área da silvicultura para a agricultura. “É a primeira área que está fazendo o processo reverso, do eucalipto para a soja. Estamos num desafio, aprendendo o que o eucalipto tira de nutrientes do solo, o custo que é você reverter a área de silvicultura para a agricultura. O custo foi de R$ 10 mil por hectare para voltar a ter solo fértil”, diz Giroto. Após o corte do eucalipto, sobram os tocos, que são removidos com maquinário, estocados e enterrados. A Pastinho tem 1.300 hectares. Excluída a área de reserva, sobram 980 hectares para o cultivo. Deste total, o grão já se espalha por 600 hectares. A soja foi plantada em novembro para aproveitar a chuva e deve ser colhida nos próximos dias. A expectativa é de 75 sacas por hectare. Enquanto que a previsão em Mato Grosso do Sul é de média de 52,82 sacas por hectare. Para o dia de campo, a Sementes Agroeste, braço da Bayer, levou três cultivares da soja, batizados de “3790”, “3720” e “3640”. “O diferencial delas é que são resistentes a macrophomina, uma doença que tem no solo. E a ‘3720’, que é lançamento nosso para esse ano, tem tolerância à ferrugem”, afirma Diego Arriero Rodrigues, representante comercial. Cada cultivar tem ciclo diferente entre o plantio e a colheita, com prazos de 115 dias a 145 dias. A Golden Harvest, da Syngenta, levou três variedades de soja para o evento. “São duas de ciclo mais curto e uma de ciclo médio. A Golden Harvest produz genética e passa para os multiplicadores. O nosso papel aqui hoje é fomentar esses materiais para que os multiplicadores tenham demanda”, afirma Rodrigo Rodrigues, representante técnico de vendas. O ciclo curto, de 123 dias, se adapta melhor de Campo Grande para o Sul do Estado, devido a questões climáticas. A Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa, multiplicadora de sementes da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), colocou em exposição uma cultivar e uma linhagem, que ainda faz parte de programa de melhoramento. “Ela é pré-comercial. São analisadas produtividade, ciclo de maturação, rusticidade, como se comporta numa região de estresse hídrico. Todos esses fatores são avaliados para prosseguir. São vários anos para desenvolver uma cultivar”, afirma Alfred Werner Loosli, agente técnico de desenvolvimento de mercado. Já a BRS-1064 é uma variedade estabelecida no mercado. “Ela é de ampla adaptação. Plantada desde o Rio Grande do Sul até o Mato Grosso. Sendo bastante estável em todas essas regiões”. Conselheiro aposentado do TCE (Tribunal de Contas do Estado) e ex-deputado estadual, Jerson Domingos (sem partido) acompanhou o dia de campo. “Na região onde tenho propriedade, na margem do Pantanal, a vocação é só pecuária mesmo. Por questão de umidade, de altitude. Mas vir aqui hoje é extremamente importante para o conhecimento, o que Mato Grosso do Sul produz. Não posso me limitar somente aos conhecimentos da pecuária”. As cultivares são apresentadas para mostrar como elas de adaptam ao solo e ao clima da região. Os produtores escolhem a soja que melhor desempenho pode alcançar na próxima safra. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .