Justiça concede liberdade a Karen Proto com uso de tornozeleira eletrônica, em Rio Verde
A Justiça de Goiás acatou um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa a favor de Karen de Souza Santos Proto, esposa do delegado Dannilo Proto. A mulher, entretanto, deverá fazer uso de tornozeleira eletrônica. Segundo os advogados da denunciada, Cil Farney e Vitória Mendonça, ela foi liberada por volta das 11h deste sábado, 28.
Karen e Dannilo Proto foram denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por suspeita de envolvimento em fraudes que teriam causado prejuízo estimado em R$ 2,2 milhões aos cofres públicos. O desfalque teria ocorrido por meio de contratos firmados com instituições de ensino, na cidade de Rio Verde.
A decisão de soltura foi assinada pelo desembargador Oscar Sá Neto e publicada na noite de sexta-feira, 27. O documento expedido pelo TJGO estabelece o uso de monitoração eletrônica por 120 dias ou até a sentença e outas proibições. Confira a lista de restrições que Karen terá que seguir para não voltar para a prisão antes do julgamento:
Em entrevista ao Jornal Opção, o advogado Cil Farney disse que não concorda com as três denúncias do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPGO. “Na carceragem que o marido dela estava, onde esse celular foi encontrado, dez pessoas o visitaram dentro de dois meses. E por que o Gaeco pediu só a prisão da esposa dele?”, questiona a defesa.
Cil Farney afirma que atos preparatórios não são puníveis. “Como que ela vai ser punida por algo que não aconteceu? Então, nós esclarecemos isso no habeas corpus e o desembargador concedeu a eliminar no sentido de revogar a prisão preventiva dela”.
Na percepção do advogado de Karen Proto, está tendo muito excesso de acusação. “Os fatos deveriam ter sido apurados em um processo só, mas o Gaeco repartiu em quatro processos. E se você analisar as quatro denúncias, tudo versa sobre os mesmos fatos, só que aí eles tentam pincelar em tempos diferentes”, complementa.
Cil Farney é defensor tanto da Karen, quanto de Dannilo. “Nós temos dois habeas corpus do Dannilo para serem julgados por esses dias”. Sobre os julgamentos dos clientes, o advogado afirma que ainda não há previsão. “Um dos processos está na fase do artigo 402, para depois das alegações finais serem oferecidas, e os outros três estão em fase de resposta à acusação”, destaca.
“É importante dizer também que o Ministério Público apresenta a tese de acusação, nós apresentamos a tese de defesa e quem julga é o juiz. Só que, quando o juiz fica contaminado, o advogado percebe, porque o juiz só defere pedido que o Ministério Público faz”, diz Cil Farney.
A defesa alega que há um deferimento a favor para o Gaego. “Isso não existe numa democracia, num processo que garante a ampla defesa e o contraditório. É uma vergonha. Então nós estamos tentando corrigir isso tudo junto ao Tribunal de Justiça, que é o órgão que está acima da magistrada, que conduz o feito”, finaliza.
Entenda o caso
O Gaeco do Ministério Público de Goiás (MPGO) prendeu a ex-coordenadora regional de Educação de Rio Verde, Karen Proto, dia 27 de janeiro. Ela é esposa do delegado Dannilo Ribeiro Proto, preso desde 2025 no âmbito da mesma investigação.
A prisão faz parte da terceira fase da Operação Regra Três, que apura a atuação de uma suposta organização criminosa ligada a desvios de recursos públicos na área da educação. Embora o MPGO não tenha divulgado oficialmente os nomes dos investigados nesta etapa, foi confirmado que a mulher teria participação relevante na estrutura do grupo.
Segundo o Gaeco, há indícios de que Karen Proto tenha contribuído para a continuidade das atividades ilícitas mesmo depois da prisão do delegado, ocorrida na primeira fase da operação. O Ministério Público afirma que ela ocupou, por período prolongado, cargo de coordenação regional na área educacional, o que teria facilitado a prática dos crimes investigados.
As apurações apontam que a investigada teria mantido comunicações indevidas com o delegado preso, possibilitando a emissão de orientações administrativas, interferência na gestão de instituições de ensino e o uso de documentos falsos para manter contratos com o poder público.
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