Conflito no Oriente Médio paralisa produção de petróleo e gás e faz preços dispararem
Empresas de energia em todo o Oriente Médio suspenderam operações diante da escalada do confronto entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que tem atingido diversos países da região. As interrupções afetam principalmente o setor de petróleo e gás.
O Qatar suspendeu a produção de gás natural liquefeito (GNL), responsável por cerca de 20% da oferta global. A estatal QatarEnergy avaliava declarar força maior após ataques de drones iranianos ao complexo de Ras Laffan, onde ficam as unidades de processamento que resfriam o gás para exportação. Drones também atingiram a área industrial de Mesaieed, que abriga instalações petroquímicas.
Na Arábia Saudita, a refinaria Ras Tanura, da Saudi Aramco, com capacidade de 550 mil barris por dia, foi fechada por precaução. Dois drones foram interceptados no local e destroços provocaram um incêndio limitado, sem vítimas. Parte das unidades foi paralisada, mas o abastecimento interno não foi afetado, segundo autoridades sauditas.
Os mercados reagiram com forte alta. O preço de referência do gás natural na Europa subiu 46%. Já o petróleo avançou até 13%, aproximando-se de US$ 82 o barril, maior valor desde janeiro de 2025. O conflito comprometeu o tráfego no estreito de Hormuz, rota por onde passa cerca de um quinto da oferta global de petróleo.
No Curdistão iraquiano, empresas como DNO, Gulf Keystone Petroleum, Dana Gas e HKN Energy interromperam a produção de aproximadamente 200 mil barris diários exportados via Turquia, sem registro de danos.
Em Israel, o governo determinou o fechamento temporário do campo de gás Leviathan, operado pela Chevron e em expansão para atingir 21 bilhões de metros cúbicos anuais. A companhia também opera o campo Tamar e informou que suas instalações permanecem seguras. A Energean suspendeu atividades em seu navio de produção que atende campos menores.
No Irã, explosões foram registradas na ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país, embora não esteja claro o impacto nas instalações. O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e responde por aproximadamente 4,5% da oferta global de petróleo, com produção diária de 3,3 milhões de barris de petróleo bruto e 1,3 milhão de barris de condensados e outros líquidos.
Analistas avaliam que os ataques à infraestrutura energética saudita representam uma escalada significativa do conflito e podem aproximar países do Golfo das operações militares lideradas por EUA e Israel. A Arábia Saudita já foi alvo de ataques semelhantes, como em 2019, quando instalações em Abqaiq e Khurais tiveram a produção drasticamente reduzida, e em 2021, quando Ras Tanura foi atingida por houthis do Iêmen.
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