Governo federal destina R$ 150 milhões para combate a incêndios no Cerrado
Entre 2025 e 2026, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) prevê o repasse de R$ 150 milhões do Fundo Amazônia aos Corpos de Bombeiros Militares (CBMs) dos estados que integram o bioma Cerrado. Ao mesmo tempo, a vegetação registrou uma redução de 7% nos números de áreas queimadas em 2025 comparado com a média dos últimos oito anos, entre 2017 e 2024.
A verba será destinada ao fortalecimento das estratégias de controle de incêndios florestais previstas para 2026, dentro da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). Contudo, o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBM-GO) informou ao Jornal Opção que a corporação nunca recebeu recursos provenientes do fundo.
A divulgação dos dados foi feita pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante o lançamento das Ações de Prevenção e Controle aos Incêndios Florestais para 2026.
O plano apresentado detalha os dispositivos legais aprovados nos últimos dois anos voltados ao enfrentamento dos incêndios, como a própria política de manejo do fogo, além de um diagnóstico climático e organizacional para o próximo ano.
Segundo a ministra, o cenário para 2026 é visto com otimismo diante do fortalecimento das leis e da ampliação da estrutura de combate aos incêndios, apesar dos desafios climáticos associados à possível ocorrência do fenômeno El Niño.
Nesse contexto, Marina Silva destacou que haverá ampliação no número de brigadistas vinculados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reforçando as equipes federais desde o início da atual gestão, em 2023.
Ao todo, 246 brigadas federais estão previstas para atuação em 2026, sendo 131 vinculadas ao Ibama e 115 ao ICMBio. As equipes devem atuar prioritariamente em áreas consideradas mais vulneráveis, como terras indígenas — onde se concentram 52% das brigadas do Ibama — e territórios quilombolas, com 9%.
“Atualmente, ainda que estejamos em uma situação de preocupação em função da passagem de La Niña para El Niño — fenômenos complexos cujos desdobramentos não conseguimos prever completamente — diria que podemos contar com um aumento significativo de brigadistas em 2026”, afirmou a ministra.
De acordo com o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento, André Lima, os principais desafios climáticos estão associados a anomalias positivas de temperatura, ou seja, períodos de calor acima da média, que intensificam as ondas de calor e agravam a irregularidade das chuvas.
Como exemplo, o secretário citou a possibilidade de registros de até cinco dias consecutivos com temperaturas 5°C acima da média, cenário que amplia significativamente o risco de incêndios florestais. “Estamos trabalhando com a tendência de que, a partir do segundo semestre de 2026, possamos enfrentar uma situação climática mais crítica, com maior intensidade de secas, ondas de calor e, consequentemente, maior risco de incêndios florestais no Brasil”, afirmou.
No caso de Goiás, o secretário lembrou que o Cerrado registrou recordes de incêndios em 2024, o que gerou preocupação entre autoridades ambientais. Já em 2025, no entanto, houve queda de 7% na área queimada do bioma em relação à média dos últimos oito anos, entre 2017 e 2024.
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