Polícia pede quebra de sigilo de réus em caso de violência sexual em Copacabana
A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai solicitar à Justiça a quebra de sigilo telefônico dos quatro réus denunciados por violência sexual contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana, na Zona Sul. Segundo os investigadores, os suspeitos se apresentaram às delegacias sem entregar aparelhos celulares e optaram por permanecer em silêncio durante o procedimento.
De acordo com a 12ª DP (Copacabana), agentes também estiveram em endereços ligados aos acusados quando eles ainda eram considerados foragidos, mas não localizaram celulares ou computadores. No pedido de prisão, a polícia incluiu requerimento de busca e apreensão de dispositivos, com manifestação favorável do Ministério Público. A análise, no entanto, foi desmembrada pela Justiça e enviada a outra vara.
O delegado Angelo Lages afirmou que a quebra de sigilo telemático será requerida para viabilizar o acesso a dados que possam contribuir com a apuração. Os quatro réus também respondem por cárcere privado, com agravante pela vítima ser menor de idade.
A denúncia foi aceita pela 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente. Ainda segundo informações do caso, há um adolescente investigado em procedimento separado, que tramita na Vara da Infância e da Juventude.
Um dos réus, Vitor Hugo Oliveira Simonin, é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, exonerado nesta quarta-feira. A defesa de Simonin afirma que ele nega participação no crime.
A investigação passou a receber novos relatos nos últimos dias, e a Polícia Civil informou que apura depoimentos adicionais. Como o processo tramita em segredo de Justiça, detalhes dos autos não são divulgados.
Os réus pelo ataque são:
- Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos (preso – se entregou na 12ª DP);
- João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos (preso – se entregou na 10ª DP);
- Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos (preso – se entregou na 12ª DP);
- Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos (preso – se entregou na 54ª DP).
Indiciamento
A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou quatro homens e investiga um adolescente por envolvimento em um crime de estupro coletivo ocorrido em um apartamento na Zona Sul do Rio. Com base no inquérito, a Justiça expediu mandados de prisão contra Bruno Felipe dos Santos Allegretti (18), João Gabriel Xavier Bertho (19), Mattheus Verissimo Zoel Martins (19) e Vitor Hugo Oliveira Simonin (18).
O caso, que teria ocorrido na noite de 31 de janeiro, envolve uma dinâmica de emboscada. Segundo a investigação, a vítima foi atraída ao imóvel por um ex-namorado, menor de idade, sob o pretexto de um encontro particular. No local, a jovem teria sido surpreendida pela presença dos outros quatro rapazes.
O depoimento da vítima detalha uma progressão de violência. Após recusar investidas grupais ainda no elevador, a adolescente relatou ter sido levada a um quarto onde, sob coação e agressões físicas, incluindo socos e chutes, foi forçada a manter atos sexuais com todos os presentes. A tentativa de deixar o cômodo teria sido impedida pelos investigados.
Entre as evidências estão:
- Imagens de Segurança: Câmeras do edifício registraram a chegada da vítima com o adolescente e a saída posterior. Um dos registros mostra o menor retornando ao apartamento e fazendo gestos de “comemoração” após a saída da jovem.
- Prova Pericial: O exame de corpo de delito confirmou lesões genitais graves, infiltrações hemorrágicas e escoriações, além de hematomas nas regiões dorsal e glútea, compatíveis com o relato de violência física.
- Provas Digitais: Prints de conversas por WhatsApp revelam a insistência do adolescente para que a vítima fosse ao local, inclusive sugerindo que ela levasse uma amiga.
Defesa
Após a expedição dos mandados, João Gabriel Xavier Bertho se apresentou à 10ª delegacia nesta terça-feira, 3. Em nota oficial, sua defesa técnica afirmou confiar na isenção da Justiça e alegou que o jovem não teve oportunidade de ser ouvido previamente pela polícia, negando a prática do crime.
O adolescente envolvido responde por ato infracional análogo ao crime de estupro com concurso de pessoas. O processo segue sob sigilo de Justiça em razão da idade da vítima e de um dos investigados, enquanto o material genético coletado passa por análise de DNA para confrontação com os indiciados.
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