Herança do tempo dos bancos no Centro de Campo Grande, quando era preciso grandes agências para comportar o público que diariamente ia em busca de serviços, os imóveis tentam nova sorte, diante da digitalização. Mas enquanto o antigo Itaú, na Barão do Rio Branco, avança na revitalização, salas que já abrigaram banco na antiga rodoviária seguem de portas fechadas. Na Barão, o projeto é levar auditório, salas de reunião, coworking, restaurante e praça elevada ao prédio de nove andares. A fachada já exibe as logomarcas do Sistema Comércio, com os nomes da Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Sesc (Serviço Social do Comércio), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e IPF (Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio). As obras começaram em agosto de 2025, com a previsão de finalização após 18 meses No mesmo ritmo, avança a esperança de que o Centro ganhe mais frequentadores. “Na verdade, é bom sair desse cenário de prédios antigos, obras paradas e ver coisas novas surgindo no Centro. Ali perto tem o antigo Hotel Campo Grande, que já inaugurou e ficou bem bonito. Quando tudo terminar, acredito que vai ficar lindo”, afirma a proprietária do Doce Café, Andréa Teodoro Caramalac, de 54 anos. A empresária relata que o Centro ainda não conseguiu reverter a sina do esvaziamento. “O Centro caiu bastante, várias lojas estão fechando por falta de movimento. O aluguel aqui é muito caro e não tem redução. Então, esperamos que uma obra desse tamanho traga mais gente e ajude a alavancar o comércio”. Mas Andréa se mostra confiante que a Barão do Rio Branco terá mais movimento quando o prédio for aberto. “Vai trazer funcionários para trabalhar e mais gente circulando. Quem estiver por aqui pode aproveitar para passar nas lojas, comer alguma coisa. Para quem trabalha com alimentação, como eu, isso ajuda bastante”. Kauan Oliveira de Mello, promotor de vendas e responsável pelo marketing de uma agência na Barão do Rio Branco, conta que trabalha no Centro há seis anos. “Quando eu comecei a trabalhar ainda era banco. Depois o prédio ficou um tempo parado e, no fim do ano passado, começou esse projeto novo. Eu trabalho no comércio e acredito que, para todos os comerciantes, vai ser muito positivo, porque aumenta o fluxo de pessoas”. André Correia, 30 anos, dono de uma banca de revistas e acessórios avalia que o prédio reformado vai deixar a região mais bonita. “Aqui é bem no coração da cidade, então estamos na expectativa de que abra logo e ajude a valorizar o Centro”. No topo da antiga rodoviária - Com uma bela vista para Campo Grande, salas, que somam 2.028,70 m² (metros quadrados) no topo do prédio da antiga rodoviária, o Condomínio Terminal Oeste, seguem ociosas.. O imóvel é comercializado junto com estacionamento para 160 veículos, no subsolo do prédio. O valor de ambos é de R$ 4,9 milhões. “É um espaço muito grande, tem dois pisos. Poderia ser feito um restaurante, popular ou de alto padrão, considerando que ali a vista é linda. Também pode ser uma escola. É um lugar amplo e a pessoa que comprar o andar de cima, compra o estacionamento”, afirma a corretora Ana Beatriz Maiolino Volpe. Ela acredita que os investimentos no Centro, tanto da Prefeitura de Campo Grande quanto da iniciativa privada, possam dar novas perspectivas à antiga rodoviária, cujo entorno é marcado por insegurança e muitos dependentes químicos, que consomem drogas pelas calçadas. “Vai ser uma região muito próspera. A reforma da antiga rodoviária está indo de vento em popa. A reforma está sendo rápida e ficando muito bonita, diz Ana Beatriz. Parte do centro comercial está em obras, num projeto de R$ 50 milhões, liderado pelo Ecossistema Dakíla, grupo fundado por Urandir Fernandes de Oliveira, o mesmo que ficou famoso pela criação da cidade esotérica de Zigurats e pela figura do ET Bilu. A parte do prédio que pertence à Prefeitura de Campo Grande é reformada desde 2022. A herança - “Nós temos inúmeros prédios que antes eram bancos. A pandemia trouxe modificação significativa no sistema bancarizado. Hoje, o banco está na nossa palma da mão, não tem mais aquela necessidade da agência grande. Aquela volumetria enorme de funcionários e tudo mais. Então, temos esse monte de espaços que estão ociosos”, afirma o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Adelaido Figueiredo. Ele avalia que os grandes imóveis são boas opções para projetos habitacionais ou órgãos do poder público. “É uma das propostas. Mas tem inúmeros espaços hoje grandiosos que precisavam ser ocupados. Você veja a ocupação que esses órgãos públicos têm feito em bairros como Chácara Cachoeira, Cidade Jardim, áreas nobres. Eles poderiam, ao invés de fazer esse investimento lá, trazer para o Centro, trazer um novo público”. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .