Entenda por que madeira de mogno de 70 anos que será derrubado em Goiânia ficará com vice de Rogério Cruz
A Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) autorizou a destinação de 1 metro cúbico do material lenhoso do mogno histórico da Rua 20 à família de Boleslaw Daroszewski, imigrante polonês apontado como responsável pela doação da muda que deu origem à árvore plantada no fim da década de 1950. Com isso, parte da madeira do mogno brasileiro, considerada valiosa, deve ir para o neto de Boleslaw, que já esteve presente na política goianiense.
A autorização, assinada pela presidência da companhia, estabelece que a entrega terá finalidade exclusivamente simbólica, memorial e cultural, com vedação expressa a qualquer uso comercial ou alienação a terceiros.
A decisão foi tomada por conta da remoção do mogno, iniciada neste sábado, 7, e que deve ser concluída só no próximo sábado, 14, em frente à Casa da Memória da Justiça Federal, no Centro de Goiânia.
A retirada ocorre após laudos técnicos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) apontarem risco estrutural e iminente de queda do exemplar, que se tornou um dos símbolos mais conhecidos da arborização da região central da capital. No despacho, a Comurg também registra que outro 1 metro cúbico do material já havia sido destinado à UFG por decisão da Justiça Federal.
O pedido da família foi formalizado por Jaroslaw Daroszewski Fernandes, conhecido como Darô Fernandes, neto de Boleslaw, em ofício encaminhado ao presidente da Comurg.
Na eleição municipal de 2024, Darô, que é advogado por formação, foi o candidato a vice do então prefeito Rogério Cruz, que tentava a reeleição. O gestor, no entanto, acabou ficando em penúltimo lugar, com 21,6 mil votos.
No documento enviado por Darô, ele sustenta que a árvore remonta a 13 de maio de 1957, quando estudantes da então Faculdade de Direito plantaram, na Rua 20, a muda enviada por seu avô. Segundo o texto, Boleslaw se notabilizou pela defesa do mogno brasileiro após denunciar a exploração predatória da espécie na região de Araguatins, então parte do Estado de Goiás.
No ofício, a família afirma que não há interesse patrimonial ou econômico na madeira. A intenção, segundo o requerimento, é transformar parte do tronco em peça memorial capaz de preservar a lembrança de Boleslaw Daroszewski e do gesto que deu origem ao plantio da árvore, além de manter viva a ligação afetiva e histórica do mogno com Goiânia.
Ao Jornal Opção, Darô Fernandes disse ter recebido a decisão da Comurg com emoção, sobretudo pela ligação pessoal e familiar com a árvore. “Eu morei 20 anos da minha vida no Centro. Então, é uma parte do Centro que se vai. Eu também tenho a recordação do meu avô, que morreu há mais de dez anos”, afirmou.
O ex-candidato a vice disse ainda que a derrubada do mogno provoca tristeza, embora reconheça a complexidade técnica do caso. Segundo Darô, ainda havia interpretações divergentes sobre a necessidade da remoção e havia quem defendesse alternativas para preservação da árvore. “Eu penso que poderia ter tido uma outra situação para que esse mogno não fosse derrubado”, disse.
Sobre o destino da madeira, a família ainda não definiu como irá armazenar o material, mas já trabalha com a ideia de transformá-lo em obra de caráter artístico ou memorial. “A ideia é fazer alguma coisa relacionada à arte, sobre esse mogno”, disse ao Jornal Opção.
No pedido encaminhado à Comurg, Darô também manifestou disposição da família em colaborar com o plantio de novos exemplares na capital, como forma de renovar simbolicamente o ciclo iniciado com a muda enviada por Boleslaw há quase sete décadas. O documento afirma que a solicitação apresentada à companhia tem natureza “exclusivamente simbólica, memorial e cultural”, apoiada em documentação histórica e na repercussão pública do caso.
A remoção do mogno deve se estender até este domingo, 8, com bloqueios na Rua 20 e atuação de mais de 50 profissionais da Comurg. Conforme divulgado pelas autoridades, parte do tronco será preservada para instituições ligadas à história do exemplar, enquanto o restante do material passará por avaliação para eventual reaproveitamento em mobiliário público ou compostagem. Como compensação ambiental, a previsão é de plantio de 50 mudas de espécies nativas em diferentes áreas de Goiânia.
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