Pós-graduação da UFG prepara profissionais para enfrentar a violência contra as mulheres
Diante dos altos índices de violência contra mulheres no país, iniciativas voltadas à formação de profissionais preparados para lidar com esse tipo de crime têm ganhado espaço nas universidades brasileiras.
A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi uma das instituições selecionadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, para ofertar uma pós-graduação lato sensu voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres.
A doura em ensino do curso, Ana Laura Correia Duarte, explica que o curso foi oferecido por dois anos consecutivos, nos períodos de 2023 a 2024 e de 2024 a 2025. No entanto, em 2026, a UFG não irá oferecer a formação. “Só que nós não tivemos novos editais em que a UFG foi contemplada quanto a essa temática. Mas tivemos outros, como violência contra criança e adolescente e violência letal”, explicou.
A proposta foi reunir estudantes e profissionais da área do Direito e da segurança pública interessados em compreender de forma mais profunda as diferentes dimensões da violência de gênero e as formas de combatê-la.
A especialização integra a Rede Nacional de Altos Estudos em Segurança Pública (Renaesp), iniciativa que busca aproximar universidades e profissionais do sistema de segurança pública para ampliar a qualificação técnica em temas sensíveis e de grande impacto social.
Uma das participantes da especialização foi a capitã da Polícia Militar, Walesca Faria dos Santos, que ingressou no curso após processo seletivo por análise de currículo. Segundo ela, a formação reuniu profissionais de diferentes regiões do país ligados ao sistema de segurança pública.“Consegui a vaga por análise de currículo e fiquei em primeiro lugar no estado de Goiás. Era uma turma voltada para servidores do Sistema Único de Segurança Pública”, contou.
A capitã explica que o curso reuniu profissionais de diversas áreas e estados brasileiros, sendo ela a única mulher entre os oficiais participantes. “Na minha turma tinha gente de vários lugares do Brasil. Entre os oficiais de segurança que participaram, eu era a única mulher”, afirmou.
Durante a especialização, os alunos estudaram desde as origens históricas da violência contra mulheres até formas de atuação da rede de proteção. “Nós aprendemos sobre o ciclo da violência, por que muitas mulheres entram e permanecem nessas relações, além da historicidade da discriminação que elas enfrentam”, relatou.
Segundo Walesca, o curso também abordou estratégias práticas de enfrentamento à violência. “Estudamos como funciona a rede de proteção, o papel dos agentes de segurança pública, o atendimento psicológico às vítimas e formas de ajudar essas mulheres a reconstruírem suas vidas”, disse.
Sobre o curso
A pós-graduação tem duração de um ano e sete meses, com aulas semanais e discussões sobre legislação de proteção às mulheres, políticas públicas de enfrentamento ao feminicídio, atendimento às vítimas e o funcionamento da rede de acolhimento e proteção.
Mais do que a formação acadêmica, o objetivo é preparar profissionais capazes de atuar de forma mais sensível e eficiente diante de situações de violência, contribuindo para fortalecer a rede de proteção e ampliar o enfrentamento do problema dentro do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
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