Daniel Agrobom: “Quando compromissos são feitos e não são cumpridos, acaba havendo desgaste, e o PL ficou um pouco desgastado”
Defensor das principais bandeiras da direita na Câmara Federal, Daniel Vieira Ramos, mais conhecido como Daniel Agrobom, foi eleito deputado federal em 2022 com 70.529 votos, pelo Partido Liberal (PL). Mas essa não foi sua estreia na política. O empresário esteve à frente da administração de Bom Jesus de Goiás, cidade que conta com pouco mais de 25 mil habitantes, entre os anos de 2013 a 2020. No município, ele ainda conseguiu fazer o seu sucessor: o seu filho, Daniel Junior.
Apesar de estar dentro de uma legenda bolsonarista, Daniel Agrobom sempre caminhou ao lado do governador Ronaldo Caiado, para quem sempre teceu elogios por sua administração. Isso porque o parlamentar entende que Caiado pegou um Estado “destruído, endividado, acabado”, e fez uma “verdadeira transformação”, conforme suas palavras, levando-o a ter reconhecimento de vários prefeitos goianos. Ele relembra que, na época que esteve à frente da prefeitura de Bom Jesus, sofria muito com as inconsistências de repasses por parte do governo estadual, algo que não existiu mais na gestão de Ronaldo Caiado.
Agrobom foi um dos nomes que defenderam a aliança entre o PL e Daniel Vilela nas eleições deste ano, que acabou sendo minada com o anúncio de Wilder Morais para concorrer ao Palácio das Esmeraldas pela legenda bolsonarista pela alta cúpula do partido. Nesta entrevista ao Jornal Opção, o deputado, que disputará a reeleição, falou sobre o que pesou para anunciar a saída do PL e como estavam as conversas para firmar o acordo com a base governista. Ele entende que “quando compromissos são feitos e não são cumpridos, acaba havendo desgaste, e o PL ficou um pouco desgastado”. O parlamentar também falou sobre as articulações com partidos da base, o que irá pesar na sua escolha para onde irá e fez um raio-X sobre o mandato de Ronaldo Caiado em Goiás.
Ton Paulo – O senhor decidiu deixar o PL e tende a migrar para um partido da base caiadista. O que levou o senhor a tomar essa iniciativa e como foram essas articulações?
É um processo que acontece naturalmente. Desde quando eu assumi o meu mandato, em 2023, comecei a ter parceiros entre prefeitos e vereadores dentro dos municípios, e essas pessoas estavam muito próximas de Ronaldo Caiado. E, antes mesmo de entrar no PL, eu já era muito parceiro do Caiado. Eu fui para o PL com o consentimento dele, porque acreditava na chapa do partido.
Eu fui eleito e ele foi reeleito governador. Nós estreitamos cada vez mais os nossos laços, porque ajudei muito enquanto deputado federal. Eu já tinha manifestado apoio ao projeto do Daniel Vilela (MDB) muito antes de oficializar minha saída. Eu estava torcendo para que o PL estivesse junto com o projeto, mas não deu certo, e eu precisava tomar uma decisão, porque nunca gostei de ficar em cima do muro.
João Paulo Alexandre – Diversos prefeitos do PL chegaram a alegar certa insatisfação com o partido devido à falta de espaço. O Carlinhos do Mangão, de Novo Gama, chegou a relatar ao Jornal Opção que nunca foi chamado para uma reunião da sigla. A aproximação dos prefeitos com o partido era difícil e, de certa forma, contribuiu para a debandada de nomes do PL?
Eu assino embaixo dessa fala do Carlinhos do Mangão. Eu, enquanto deputado federal, também não tive um espaço grande dentro do PL. Já fui excluído de muitas reuniões. O partido ficou em cima de duas pessoas, e isso acabou deixando outros nomes apagados dentro do PL, apesar de eu defender todas as bandeiras do partido, as quais continuarei defendendo onde estiver. Mas a sigla em si não ofereceu o devido apoio que a gente gostaria.
Nas eleições municipais de 2024, inclusive, o PL deixou muito a desejar. Eu não tive o apoio de levar o partido para municípios que estavam comigo. Isso distanciou bastante a minha estadia dentro do PL. Não só a minha, como a de outros prefeitos. Diversos mandatários procuraram o governo por falta, às vezes, de um apoio maior do partido. Não estou aqui para falar mal do partido, do qual eu gosto muito e sei que a sigla do PL é muito boa. Mas as pessoas usaram e se apropriaram do partido. E eu não sou assim. Prefiro ficar mais na minha.
João Paulo Alexandre – Anteriormente, ao Jornal Opção, o senhor chegou a afirmar que perguntou várias vezes sobre a formação da chapa para deputados à cúpula do partido e não teve um retorno. De certa forma, isso acabou pesando na escolha de migrar para um partido da base governista e como o senhor se sentiu diante dessa “incerteza” da formação da chapa?
Até hoje eu não sei qual é a chapa do PL. Eu conheço apenas três nomes que pretendem disputar. Eu questionei diversas pessoas com quem tinha certa aproximação, e ninguém sabia. Isso acaba criando um cenário de incerteza, porque o deputado trabalha muito em cima do grupo, dos nomes que compõem a chapa. Atualmente, não tem coligação, mas tem o grupo dentro do partido.
Eu acho que nenhum deputado, hoje, vai alegar que fica no partido por ser partidarista mas, sim, por olhar a chapa para ter uma projeção de votos que precisará para ser eleito. E eu não tive isso dentro do PL. O partido ainda está muito sobre algumas pessoas que acham que têm de resolver para os outros. E acredito que precisamos ter opções para que possamos trabalhar isso. O partido é ótimo, mas, infelizmente, tem coisas que ainda estão deixando a desejar.
Ton Paulo – O senhor já tem data de filiação para algum partido? Irá para o MDB? Se não, para qual partido deverá ir então?
Eu não disse que iria para o MDB e acho que é um dos partidos para os quais não irei, para falar a verdade. Eu ainda estou buscando, não bati o martelo, e a única coisa que avisei é que estou apoiando Daniel Vilela.
Para isso, eu tenho que sair do meu atual partido, porque tem um candidato, e irei para uma sigla da base. Eu acredito que o Estado não pode ter mudança por agora. Precisa dar continuidade ao trabalho que está acontecendo e que está maravilhoso.
Ton Paulo – Mas com quais partidos o senhor tem conversas adiantadas?
Eu estou conversando com o Republicanos, com o PSD, que tem uma chapa boa, tem o União Brasil, o PRD, Podemos… São vários partidos da base que estou analisando. É claro que eu busco o que está mais à direita possível para eu estar presente.
Se você me questionar qual desses que falei mais representa isso atualmente, é o Republicanos, mas eu estou com dificuldade na sigla porque eles têm uma chapa e não estão querendo me aceitar, pois acreditam que serei um puxador de votos.
Seria um partido excelente para mim, porque já conta com nomes como o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e dos senadores Damares Alves e Hamilton Mourão. Até mesmo o próprio presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio, deputado Pedro Lupion, é do Republicanos. É uma boa sigla da direita.
Ton Paulo – A deputada Lêda Borges saiu do PSDB para ir para o Republicanos e há informações da possibilidade da ida de Sylvie Alves para o partido. Realmente, o espaço para o senhor dentro da sigla não fica apertado?
Eu não acredito que a Silvye vá para o Republicanos. A informação que tenho é que ela está muito firme no União Brasil, mas isso foi o que eu ouvi, não estou falando por ela. A Lêda já confirmou a ida para o Republicanos. Mas eu não vejo problema algum. Eu gostaria de estar no partido, mas eu preciso ainda fazer alguns acertos, preciso ver quem realmente estará lá. Mas não é só nesse caso. Será em qualquer partido em que eu for entrar agora. Eu preciso saber os nomes que vão compor a chapa para eu deduzir se é bom, se faz uma, duas ou mais vagas. Eu tenho trabalhado nesse sentido.
Eu tive conversas com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, e com o estadual, Roberto Naves, e elas foram muito boas. Mas ainda tem muito diálogo pela frente. Tanto por parte deles, com as bases, com os pré-candidatos que já estão lá, para que possamos sentar novamente. Até o momento, não tem nada certo.
Ton Paulo – O senhor e a deputada Magda Mofatto (PRD) foram duas pessoas que trabalharam e articularam dentro do PL para que houvesse a aliança com a base caiadista, que acabou não acontecendo. O que mudou dentro do cenário? O que pesou para que o partido decidisse caminhar com Wilder Morais?
A realidade é que houve uma conversa entre o pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), com o governador Ronaldo Caiado. E, até aquele momento, a conversa estava firme para o fechamento do acordo. Pois, segundo palavras do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a grande preocupação não era o cargo de governador, mas, sim, com senadores, que é um projeto da direita: ter o maior número de parlamentares dentro do Senado.
Essa aliança do PL com a base caiadista fortaleceria muito o Gustavo Gayer (PL), que busca uma vaga no Senado. Eu trabalhei essa condição porque eu sempre estive ao lado do Caiado e seria ótimo para mim, já que não iria precisar trocar de partido. A Magda Mofatto também tem esse lado caiadista, que não é de agora. Ela saiu do PL, foi para o PRD e estava voltando para o PL com o intuito de a sigla seguir com a base, o que não aconteceu. Por diversas vezes, o próprio Gustavo Gayer, Magda e eu sentamos para conversar nesse sentido. Diante disso, cada um tem que tomar seu rumo. No meu caso, eu tive que manifestar a minha saída do PL.
João Paulo Alexandre – O senhor acredita que essa decisão acaba atrapalhando a união da direita, que é importante para fazer com que o projeto se torne viável, não apenas em Goiás, mas também no Brasil?
Na política, o que nós temos ainda é a palavra. Quando você faz compromissos e, depois, eles não são cumpridos, acaba se criando certos desgastes. O PL ficou um pouco desgastado. E a própria base do governo, diante desses compromissos, também ficou um pouco desgastada. Mas eu ainda acredito que o PL tenha perdido um pouquinho mais, porque realmente houve uns compromissos, e o próprio Gustavo Gayer, que é muito de direita, teve um certo desgaste por se manifestar favorável a aliança com o governo.
Eu acho que as coisas começam a se ajustar a partir do momento em que realmente definirem os candidatos e começarem a apresentar os seus trabalhos e buscarem votos. Aí cada um vai para o seu lado, tendo que conquistar os eleitores, mostrando o que realmente fizeram. Eu ainda vejo Ronaldo Caiado com uma certa vantagem pela aprovação que o próprio governo tem hoje. Isso leva um grande peso para cima do Daniel Vilela. Mas o peso do PL também é grande, porque o bolsonarismo em Goiás é forte.
Eu entendo que terei um prejuízo político por sair do partido, porque sou do agro e evangélico: dois setores que são apaixonados por Bolsonaro e pelo PL. Mas hoje eu tenho 19 prefeitos parceiros de municípios de vários portes em Goiás que são da base de Ronaldo Caiado. Eu não poderia abrir mão disso. Eu optei por continuar onde estou por entender que o Estado está em um momento muito bom e, se está bom, nós temos que continuar. Eu fui prefeito em uma cidade pequena quando Caiado não era governador e sofri muito. Hoje eu vejo que o governador dá muitas oportunidades para os prefeitos poderem ter uma segurança maior para poder fazer as suas gestões. Isso faz muita diferença.
João Paulo Alexandre – Apesar de ainda não ter decidido, nos bastidores há informação de que tanto o senhor quanto a Magda Mofatto irão para o União Brasil. Vocês têm conversado para saber o que será melhor para viabilizar o projeto de vocês?
A gente se fala quase diariamente. Eu tenho, inclusive, o compromisso de, quando eu tomar a minha decisão, comunicá-la, e vice-versa. É um compromisso verbal, que vem diante da nossa trajetória, pois fomos eleitos pelo mesmo partido e estamos decidindo para saber qual será o nosso rumo.
Sobre o União Brasil: existe a possibilidade de eu ir para a sigla, já que também é um partido de direita, apesar de que há grandes nomes lá dentro atualmente. Eu acredito que o grupo do União Brasil será o maior, contendo candidatos a deputados federais nessa eleição. Por isso que nós estamos olhando com muito cuidado.
Ton Paulo – Diversos integrantes do PL têm nos relatado que as duas principais forças políticas em Goiás são a centro-direita caiadista e a direita bolsonarista. Vemos um movimento muito grande de apoio ao projeto de Ronaldo Caiado, até mesmo dentro do PL, mas não vemos candidatos de partidos da base caiadista declarando apoio ao candidato de Bolsonaro, no caso, Wilder Morais. O que justificaria isso? Podemos deduzir que o caiadismo é mais forte que o bolsonarismo em Goiás?
Eu não diria isso. Vejo uma paridade muito grande. O Ronaldo Caiado está no poder e tem feito um bom trabalho. Isso faz com que todos os prefeitos queiram estar ao lado de um governador que está dando certo. Por exemplo, um prefeito que é do PL e vê o governo fazendo coisas para vários municípios e nada para o dele, é mais que importante que ele ceder e partir para o lado do governo.
Da mesma forma que, caso o bolsonarismo ganhe, quem está do lado caiadista vai migrar. Isso acontece de maneira natural. Prefeito sem governador é um peixe fora d’água. Você não consegue fazer uma boa gestão. Para que isso aconteça, é necessário ter o governo ao seu lado.
Ton Paulo – Mas o senhor acha que a apontada falta de diálogo por parte do PL com os prefeitos não contribui para isso?
Não só isso. Eu acho que tem a sua parcela de peso, porque realmente faltou. Os próprios parlamentares do PL – eu diria senadores e, às vezes, aqueles que são presidentes de partido – não buscaram segurar esses prefeitos da forma que deveriam. Faltou um pouco de diálogo, mas eu vejo que é momento. E o momento agora é do Caiado. Eu acho que ele está fazendo mais do que certo em correr atrás e buscar os prefeitos, e os que precisam do governo estão cedendo, até mesmo porque o PL não tem uma força tão grande como o governo para poder segurá-los na base.
João Paulo Alexandre – Além de ser um partido de direita, o que mais vai pesar na decisão na escolha da próxima sigla que o senhor irá?
Um partido de direita ou centro-direita, que irá defender os princípios em que acredito, que são o agronegócio, Deus, pátria e família, até o fim. Eu também irei olhar a chapa, pois não posso ir para uma tão fraca e também para alguma tão forte. Os membros que vão concorrer também vão pesar na minha decisão. Mas o principal de todos é estar em um partido que vai estar com a direita, não apenas hoje, mas sempre.
Ton Paulo – O senhor tentará a reeleição à Câmara dos Deputados, mas quais devem ser os nomes para o Senado que o senhor vai apoiar?
De antemão, eu devo ter o meu primeiro voto para Gracinha Caiado (UB), porque ela tem o meu respeito diante de todo o trabalho que ela vem fazendo no Social por Goiás. E o segundo nome será o de Gustavo Gayer, a não ser que ele não vá concorrer.
Eu tenho muito respeito por ele, mesmo com algumas divergências de opiniões, mas eu acredito que o Senado precisa de pessoas como ele. Não diria de extremo, mas, no momento que nós estamos vivendo hoje, para podermos enfrentar esse STF, precisamos de senadores com pulso firme. E ele tem.
Ton Paulo – Agora falando em um assunto mais institucional: como o senhor avalia a extinção da taxa do agro que foi proposta por Ronaldo Caiado e aprovada na Alego? Mesmo caminhando com o governador, esse movimento pode aproximá-lo ainda mais do segmento?
Eu acho que ele fez a coisa correta em um momento certo. Porque a taxa do agro já tinha um prazo de validade, que seria no final deste ano. Como ele acompanha o agro, que não está vivendo um bom momento e tem sofrido muito, com custos altíssimos e produtos barrados, ele olhou isso com carinho e deu uma tacada muito correta. Foi muito importante ele fazer isso, já excluir logo por agora para que os produtores possam ter um alívio maior.
Houve reclamações no início sobre a taxa do agro, mas ele mesmo conseguiu provar que, com a criação dela, estava correspondendo e atendendo o agro. Achei isso muito importante. Por isso, o agro, hoje, o apoia e, com a extinção da taxa, ele vai crescer ainda mais nesse apoio.
João Paulo Alexandre – Uma das finalidades da taxa do agro era melhorar a infraestrutura viária de Goiás. Como sendo uma pessoa do segmento, o senhor acredita que houve essa melhora para ajudar no escoamento da nossa produção?
Muitas estradas já melhoraram, tiveram novas pavimentações. Ainda há mais de 20 projetos dessa natureza na Goinfra em andamento. Nós sabemos que as coisas no poder público não acontecem da noite para o dia. Por exemplo, em 2023, teve início a cobrança da taxa, mas apenas no final do ano foi possível formar um caixa em mãos para poder contar com esse recurso.
Ele iniciou com os projetos em 2024, que é uma parte morosa, seguida pelas licitações. Tudo é uma burocracia muito grande, com várias obras para serem iniciadas. Eu digo para você que nem todo recurso foi gasto, mas muito já foi aplicado, com muita coisa ainda para ser feita, que vai ser concluída mais para frente, seja com Caiado ou com Daniel. O agro ainda vai ser muito beneficiado com esses valores.
Ton Paulo – Daniel Vilela vai assumir o governo de Goiás dentro alguns dias diante da saída de Ronaldo Caiado. Na sua sua avaliação, qual foi o maior legado de Caiado e qual ponto ele deveria ter dado mais atenção?
O maior legado é a gestão como um todo. Goiás é o melhor no Brasil em segurança pública, educação e em vários outros segmentos entre os 27 estados brasileiros. Isso é o grande legado de Caiado, que pegou um Estado totalmente destruído, endividado, acabado. Quando ele assumiu, eu era prefeito e o Executivo estadual tinha muitas dívidas com os municípios. Repasses que estavam atrasados. Você tinha os compromissos, mas o dinheiro chegava e não tinha data para cair na conta do município. Tanto que ficaram recursos de governos anteriores para Caiado pagar. Às vezes, a população não sabe disso, mas quem está na gestão pública sabe que Ronaldo Caiado transformou o Estado de Goiás.
Ronaldo Caiado não deixou essa situação se repetir. Por isso que eu digo que os prefeitos são ligados ao governador, porque, atualmente, todos os compromissos do governo são pagos dentro das datas. Agora, não vejo que ficaram muitas coisas para fazer. Sempre dá para melhorar e, quando você faz uma ótima gestão, ainda há muita coisa para ser feita. Mas ele avançou muito e colocou Goiás em um dos melhores momentos. Se Daniel continuar o trabalho de Ronaldo Caiado, eu não tenho dúvidas de que o nosso Estado vai avançar em muitas coisas, porque o que não falta é espaço para isso. Esses investimentos que são feitos dentro dos municípios acabam beneficiando a população. E Ronaldo Caiado trabalhou muito bem nos primeiros dois anos de gestão para que os outros anos pudessem ser só de resultados.
João Paulo Alexandre – O senhor esteve à frente da Prefeitura de Bom Jesus de Goiás entre os anos de 2015 a 2020. Por um tempo, o Estado era comandado por uma pessoa que está tentando retornar ao cenário político goiano, que é o ex-governador Marconi Perillo (PSDB). Como você avalia esse retorno? Ele acontece em um momento oportuno?
Eu não quero citar nomes porque eu realmente respeito também as pessoas que passaram e deixaram um legado. Ele trouxe avanços na época em que esteve à frente do governo de Goiás. Mas a atual gestão está superando tudo aquilo que aconteceu no ano passado, de forma grandiosa. Não sei se seria o momento de retorno, mas quem irá decidir isso será a população. Eu gostaria que a atual gestão continuasse da forma que está, porque não queremos ver o Estado da forma que ele ficou lá atrás, de muitos compromissos e pouco resultado. Hoje, nós estamos vendo muitos resultados e é isso que a gente quer ver com uma continuação.
Ton Paulo – Algo que ainda tem aquecido as discussões no meio da política goiana é a escolha do nome que vai compor a vice-governadoria de Daniel Vilela. Há vários cotados, cada um representando um segmento diferente, mas qual a sua avaliação de quem seria o nome ideal para ocupar essa vaga?
Eu não sei qual será a escolha de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela e acredito que essa decisão não será tomada durante esse período de filiações, deve vir somente depois. O que posso dizer é que precisa ser alguém que realmente venha para somar, para ajudar. O agro tem bons nomes para representar como vice, assim como o meio evangélico também conta. Eu acho que o nome tem que sair de um desses dois segmentos. Mas também preciso deixar claro que há bons nomes de outros segmentos que não deixam de representar o agro e o evangélico.
Ton Paulo – Entre os nomes ventilados, tem algum que o senhor teria uma maior afinidade?
Não diria afinidade. Eu acho assim: José Mário Schreiner é quem mais representa bem o agro. Luiz do Carmo é o que melhor representa os evangélicos. Tem outros nomes? Tem, tanto do agro quanto os evangélicos. Mas a gente vê que esses dois nomes estão entre os mais cotados. Eu acho que representariam bem ao lado de Daniel Vilela pelo fato de os dois terem muita experiência e somariam à juventude dele. Quem vai ganhar com isso, sem dúvida, é a gestão.
João Paulo Alexandre – Outro movimento inesperado foi o anúncio da saída do governador Ronaldo Caiado do União Brasil para o PSD na tentativa de viabilizar o projeto de concorrer à Presidência da República. Você acha que foi um momento acertado? O governador tem chance de ser escolhido dentro do partido?
Politicamente falando, essa questão de sair do partido é algo que, às vezes, a gente se sente obrigado. O Ronaldo Caiado está buscando seu espaço para ser candidato à Presidência há mais ou menos dois, três anos. E, quando ele sente que no partido em que está não tem o apoio necessário para levar o projeto adiante, o que ele tem que fazer é buscar novos rumos. Eu vejo que ele está fazendo a coisa certa. O projeto dele é o mesmo que ele estava querendo fazer dentro do União Brasil, mas o partido fechou um pouquinho as portas para ele. Isso fez com que ele procurasse outra sigla. É similar ao meu caso: queria seguir com o governador estando no PL. Não tive essa oportunidade e vou ter que trocar de partido.
João Paulo Alexandre – Ronaldo Caiado tem um dos governos mais bem avaliados do Brasil e, por causa disso, muitos nomes trocaram o partido que estavam pelo União Brasil. Com a saída dele, a sigla pode enfraquecer?
Não acredito que isso ocorra em Goiás. Acredito que o União Brasil vai continuar forte, inclusive um dos mais competitivos, com mais pré-candidatos a deputados federais e o que vai fazer o maior número de cadeiras. Não tenho dúvida disso. É claro que muita coisa pode acontecer, mas, no atual momento, o União ainda será o partido com o maior número de cadeiras da Câmara Federal. Não terá governador, nem candidato à Presidência pelo partido, mas terá senador, deputados federais e estaduais. Eu ainda o enxergo como o mais forte no Estado.
Ton Paulo – O senhor ainda está oficialmente no PL e está ocorrendo uma movimentação para a montagem da chapa ao Senado. Gustavo Gayer deve ser o primeiro nome e tem crescido o movimento em torno do nome do vereador Oséias Varão para a segunda vaga. É uma boa escolha para caminhar ao lado do deputado nessa disputa?
É um bom nome, é uma pessoa muito bacana e não tenho nada contra ele. Acho que tem outros nomes que poderiam compor essa chapa com o Gustavo Gayer, mas pode ser uma opção do partido. Eu ainda vejo o Gayer como nome principal do PL para a vaga. Qualquer outro que for compor a chapa vai ter uma eleição muito difícil, pois o nome dele entra com muita força para levar uma das vagas.
Ton Paulo – O ex-presidente Jair Bolsonaro é a figura mais proeminente do PL, sendo a liderança máxima dentro do partido. Mas ele está preso, cumprindo pena na Papudinha por tentativa de golpe de Estado. Isso pode ter um impacto na disputa eleitoral aqui em Goiás? Tem algum nome que pode ter o mesmo protagonismo que ele?
Com certeza, e em todos os sentidos. Bolsonaro fora da cadeia, fazendo campanha, realizando as motociatas, visitando os estados, deixa a direita fortíssima. Com ele na prisão, não que deixe de ser forte, mas a gente perde muito.
Sobre o protagonismo girar em outro nome: eu vejo que o Nikolas Ferreira tem a sua liderança, mas ainda é jovem. Ele pode dar voos mais altos, mas vai ajudar muito a direita. O grande nome é o de Flávio Bolsonaro. Não tem outro. Ele é pré-candidato à presidente da República, filho do Bolsonaro, tem uma aceitação muito boa. Eu confesso que cheguei a duvidar disso no início, mas vejo que a aceitação em torno da figura dele tem crescido a cada dia e o nome para desbancar a esquerda, não tenho dúvida, é o de Flávio Bolsonaro
João Paulo Alexandre – Apesar de Wilder Morais estar definido como pré-candidato ao governo de Goiás pelo PL no atual momento, a política tende a entregar reviravoltas nos últimos instantes. O senhor acredita que ainda há chances da aliança entre o PL e a base caiadista aqui no Estado acontecer ou isso já é página virada?
Na política, tudo pode acontecer aos 45 do segundo tempo. Possibilidade existe, mas eu acho muito difícil diante do cenário que tem se desenhado a cada dia. Ainda mais porque Wilder Morais tem buscado o seu espaço, da mesma forma que Caiado também tem feito. A cada dia, essa aliança tem se mostrado difícil de sair, mas não podemos descartar nada. Muitas coisas ainda podem vir a acontecer. A minha torcida era muito grande em torno dessa aliança, mas eu já vejo isso, hoje, com certa dificuldade.
João Paulo Alexandre – Outro tema que ganhou espaço nos últimos dias foi a possibilidade de os Estados Unidos reconhecerem as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas. Isso pode impactar as eleições brasileiras deste ano, tendo em vista que a Segurança Pública é um dos temas mais sensíveis a nível Brasil?
Eu não acredito que, caso isso aconteça por parte dos Estados Unidos, haja um reflexo muito grande nas eleições aqui no Brasil. A Segurança Pública, como um todo, sem dúvidas, vai ser uma das principais pautas entre os presidenciáveis, principalmente se Ronaldo Caiado participar dos debates, porque ele tem como mostrar o que foi implantado e como Goiás evoluiu nessa área. E eu acredito que, com Caiado na presidência, o Brasil também iria evoluir muito nesse setor.
A direita até usa muito o que o presidente dos EUA, Donald Trump, faz como exemplo, mas não vejo que isso pode ter um grande impacto. Essas facções existem há anos no Brasil e o que precisa ser feito é combater.
João Paulo Alexandre – E qual a sua avaliação, enquanto deputado, sobre o tema: vale a equiparação de facção criminosa com grupos terroristas?
Sim, e está caminhando para que possamos ver que isso é uma realidade. Por tudo o que acontece no dia a dia, leva-se a crer que sim. Mas eu não quero acreditar que isso possa progredir.
Ton Paulo – Pelo menos três nomes podem configurar o segundo turno em uma eventual disputa: Daniel Vilela, Marconi Perillo e Wilder Morais. Caso a disputa fique entre Daniel e Wilder, Marconi poderá apoiar abertamente o candidato do PL?
A tendência é que Marconi Perillo apoie Wilder Morais, até mesmo pelas brigas que ele tem tido com o atual governador, que têm sido intensas. Agora, a pergunta que fica é: será que o eleitor do Marconi vai acompanhá-lo nessa situação? Eu acredito que, nesse caso, grande parte do eleitorado dele iria para o Daniel Vilela.
Ton Paulo – Daniel Vilela vai assumir o governo de Goiás dentre alguns dias e o senhor acredita que ele irá sustentar o legado de Ronaldo Caiado aqui em Goiás, principalmente sobre as políticas de Segurança Pública que deram certo aqui no Estado?
Deve e tem o compromisso de manter. Eu já participei de reuniões com ele, Ronaldo Caiado, deputados, prefeitos e demais lideranças, onde ele sempre adotou um tom firme de que vai manter a segurança da forma que está e que fará uma gestão para que se possa melhorar mais ainda.
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