No Brasil as muçulmanas podem guardar a burca no armário
Logo depois que o aiatolá Khomeini ascendeu ao poder em 1979 eu era estudante de história na PUC-GO. Havia uma euforia no ambiente do movimento universitário de que a Revolução Iraniana estaria libertando o país de uma monarquia perdulária, opressora e, principalmente, lacaia do imperialismo americano. O Irã era assim mesmo.
Na ocasião, no DCE da Católica foi celebrada a invasão atabalhoada de estudantes à embaixada americana no Irã, que culminou com o sequestro de 52 agentes diplomáticos, mantidos reféns por 444 dias. Crise que custou a reeleição do democrata Jimmy Carter em 1980 após uma ação militar brancaleone de resgate.
O regime perseguia com o terror de um serviço secreto poderoso quem o contestasse. Por outro lado, mulheres andavam de minissaia, dirigiam motonetas italianas, fumavam em público e quase todo mundo bebia whisky em copo alto nos cafés das cidades do Irã. No mais, o xá (rei) Reza Pahlavi deixava Teerã navegar na sociedade ocidental, inclusive com um ambiente universitário muito interessante. O iraniano é um povo culto e com taxa de escolaridade europeia.
De revolução popular dirigida para derrubar um soberano despótico, ao movimento político foi imposto um fundamentalismo islâmico xiita acima do Estado e das pessoas. Uma teocracia muito bem planejada para durar a vida toda em uma sucessão de líderes supremos. Eles são descendentes em linha reta de ninguém menos do que Maomé.
A missão é expandir para o ocidente o islamismo com homens-bomba que vão se encontrar com 72 virgens no máximo amanhã cedo. Espero assistir à queda do regime dos aiatolás, responsável pelo permanente estado de guerra no Oriente Médio.
Trata-se de um regime que oprime violentamente o seu povo. Agora, realiza execuções sumárias, são dezenas de milhares mortos.
Assim como sob o reinado de Reza Pahlavi, os aiatolás são extremamente perdulários ao financiar 100% do terrorismo mundial. Quebraram o país.
Diferentemente dos tempos do xá, não há submissão aos Estados Unidos, mas uma atuação de poder satélite de China e Rússia, com a autonomia de materializar o terror islâmico, cujos maiores exemplos são a derrubada das Torres Gêmeas em Nova York em 11 de setembro de 2001 e o massacre do 7 de outubro de 2023 em Israel.
Você não precisa se surpreender com o mimimi aiatolático da esquerda brasileira sobre o Irã. Eles sempre festejaram todo ato de terrorismo que tivesse como alvo os EUA e Israel. Foi assim nos sequestros de aeronaves civis nos anos 1970, que chegaram a ter três por dia, no atentado à embaixada americana em Beirute, no massacre dos jogos olímpicos de Munique e na onda de atentados a bomba em Israel, Buenos Aires, Londres, Madrid — resultado das intifadas nos territórios palestinos a partir de 1987. Tudo financiado e planejado pelo Irã dos aiatolás.
Eu havia chegado de Buenos Aires um dia antes e fui à redação do jornal “Diário da Manhã” logo depois da explosão das Torres Gêmeas. Fiquei estupefato com jornalistas profissionais que sabiam escrever e editar celebrando o 11 de Setembro. “Demos uma lição nos americanos.”
O terrorismo islâmico explode o conceito de mundo ocidental com atentados a bomba destinados a fazer baixas civis, mas nas ruas das cidades europeias no inverno o pessoal descolado protege o pescoço com kaffieh de Yasser Arafat.
Eu fiz uma longa viagem pelos Balcãs e não teve uma corrutela em que eu passei de micro-ônibus que não tivesse um free palestine.
Quando eu vejo essas coisas imagino um capiau goiano passeando pela Europa cismado com a sistemática exposição visual da marca. O que seria mesmo free palestine? É de comer ou nome de rua? É de comer.
Uma vez por mês tem a feira da Palestina na Praça da Palestina em Goiânia. Tem um pessoal que faz um falatório interminável repleto de antissemitismo com som alto, mas a gastronomia oferecida por sírios, libaneses e afegãos é alguma coisa espetacular. É chegar, comprar e ir embora comer regiamente em casa.
O segmento de doçaria é muito diferenciado do que a gente come na cidade e não existe quibe com catupiry. Não peça o que não tem, regra da minha mãe. É comida típica dos povos originários do Oriente Médio e da Ásia Central que emigraram para cá recentemente. São muçulmanos estabelecidos no comércio que vieram para o Brasil trabalhar e prosperar vendendo comida boa.
A criminalidade violenta do país oferece menos risco de segurança do que ser tutelado pelo Talibã ou julgado por um tribunal de execução do Hamas.
São muito bem-vindos. Goiás foi em boa parte construído pela comunidade árabe. Uma maioria maronita, que fez casamento misto já na primeira geração goiana, fomentou ciência e gerou o progresso da medicina e do comércio.
O árabe tem a extraordinária virtude de se tornar brasileiro em 15 minutos. As feministas brasileiras deixam de depilar a áxila pela Palestina livre. No Brasil real, as mulheres afegãs, muito asseadas, trabalham na feira da Palestina pelejando para falar português e absolutamente seguras de que deixaram a burca no armário pelo resto da vida.
Marcio Fernandes, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.
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