Enquanto milhares de contribuintes se preparam para declarar o Imposto de Renda, um dado chama atenção em Mato Grosso do Sul: até R$ 200 milhões poderiam ser destinados todos os anos a projetos sociais — mas a maior parte desse recurso ainda fica pelo caminho. A possibilidade começa oficialmente no próximo dia 23, com a abertura do prazo de entrega da declaração de 2026 (ano-base 2025). Pela regra, pessoas físicas podem destinar até 6% do imposto devido aos fundos da pessoa idosa e da criança e do adolescente. Apesar do potencial elevado, o volume efetivamente destinado ainda é baixo. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou R$ 11,2 milhões em doações — o oitavo maior valor do país, mas ainda muito distante da capacidade real. Segundo o delegado da Receita Federal em Campo Grande, Zumilson Custódio da Silva, a diferença entre o que é feito e o que poderia ser alcançado é enorme. “Temos que levar essa mensagem à sociedade. São R$ 200 milhões que poderiam ser destinados a projetos sociais apenas em Mato Grosso do Sul. Esse recurso ajudaria a resolver grande parte dos problemas enfrentados pelas entidades”, afirmou. Dinheiro que volta para o contribuinte Um dos principais entraves, segundo especialistas, é a falta de informação. Muita gente ainda acredita que a destinação representa gasto extra — o que não é verdade. Na prática, o contribuinte apenas direciona parte do imposto que já pagaria. “O valor não gera custo. Ele é devolvido com correção na restituição ou abatido do imposto devido”, explica Zumilson. Ou seja, além de não pesar no bolso, a decisão permite que o cidadão escolha para onde vai parte do dinheiro — e mantenha o recurso dentro do próprio Estado. Fiscalização e confiança A aplicação dos recursos também é acompanhada de perto por órgãos de controle, o que reforça a segurança do mecanismo. A promotora de Justiça Fabrícia Barbosa Lima afirma que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul monitora os repasses e não identificou irregularidades. “Posso garantir a quem tem dúvida que o dinheiro é bem aplicado. Podem confiar: ele está sendo corretamente utilizado”, disse. Segundo ela, equipes da área da Infância e Adolescência visitaram entidades beneficiadas e comprovaram a efetividade das ações. Impacto direto nas entidades Nos conselhos responsáveis, a avaliação é de que o recurso tem impacto imediato e concreto. Membro do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Marcos Henrique Marques destaca o cuidado na gestão dos valores. “É um dinheiro bem-vindo e muito bem cuidado. Acreditem no trabalho das entidades, porque ele tem o poder de mudar vidas”, afirmou. Já Astrit Rebhein Siqueira, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, reforça o alcance das doações no dia a dia. “As pessoas não fazem ideia da importância desse dinheiro. Ele melhora tudo nas entidades, inclusive a alimentação de crianças e adolescentes”, disse. O desafio: transformar potencial em realidade Com prazo até 29 de maio para entrega da declaração, o desafio agora é ampliar a adesão. Se o potencial de R$ 200 milhões fosse plenamente aproveitado, Mato Grosso do Sul poderia dar um salto no atendimento social — fortalecendo projetos, ampliando vagas e garantindo melhores condições para crianças, adolescentes e idosos em todo o Estado. Hoje, o dinheiro existe. Falta apenas chegar ao destino certo.