A movimentação diferente na manhã desta quarta-feira (18), quando 15 camburões da Polícia Federal e viaturas da Receita fecharam a quadra do Camelódromo, não afetou criatividade de Juliana Delgado, que se autointitula “sabor blogueira” e faz a propaganda do centro comercial popular nas redes sociais. Pelo contrário. Ela aproveitou a atenção do público campo-grandense para informar que as lojas que não foram lacradas estão funcionando normalmente desde quando a “batida policial” terminou. Ao som de música da banda Tihuana que ficou famosa no filme Tropa da Elite, a jovem que é rosto do Camelódromo no Instagram diz, em tom de brincadeira, que policiais empenhados na Operação Iscariotes “também aproveitaram as promoções”. Ela afirma que a galeria foi reaberta e está funcionando normalmente. “Calma, pessoal! A movimentação no Camelódromo chamou atenção, mas podem ficar tranquilos... Parece que até a polícia veio conferir nossas promoções também! O Camelódromo segue aberto e funcionando normalmente, esperando todos vocês para aproveitar as melhores ofertas. Atendimento de segunda a sábado, das 8h às 18h”, diz a legenda do vídeo publicado na página do centro comercial no início desta tarde. Nesta manhã, o local permaneceu fechado por algumas horas para que agentes da Polícia Federal e Receita fizessem buscas em lojas de grupo suspeito de manter esquema milionário de comércio irregular baseado em Mato Grosso do Sul. De acordo com as investigações, os produtos eram, em grande parte, trazidos da fronteira e distribuídos para venda no Camelódromo, mas também chegavam a Minas Gerais. Caminhões deixaram a galeria no Centro de Campo Grande, onde 4 boxes foram lacrados, carregados de mercadorias, com destaque para a grande quantidade de smartphones apreendidos, além de acessórios para celulares, perfumes, canetas e ampolas de medicamentos emagrecedores. A operação – Além das apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em bens dos investigados, incluindo contas bancárias, imóveis e veículos. De acordo com as investigações, o volume de dinheiro e o patrimônio acumulado mostram que o grupo atuava com estrutura organizada e movimentação financeira elevada. As buscas também evidenciaram tentativa de ocultação de provas. Em um dos endereços-alvo, policiais federais localizaram um celular escondido numa sanca de gesso de um quarto em imóvel de alto padrão, no Residencial Alphaville, ligado a Clenio Alisson Medeiros Tavares, de 46 anos, e Brendon Alisson Medeiros Tavares, de 26 anos. Pai e filho, eles são proprietários de boxes no Camelódromo. A força-tarefa ainda mirou integrantes das forças de segurança – policiais civis, militares e servidores da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa contava com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, aposentados e da ativa. Eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e até no transporte das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer o esquema. Após o ingresso irregular no país, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e em outros estados, especialmente Minas Gerais, muitas vezes de maneira fracionada em meio a cargas lícitas. A PF informou que os investigados utilizavam veículos com compartimentos ocultos para transportar as mercadorias e também adotavam estratégias para esconder a origem do dinheiro obtido com as atividades ilegais, caracterizando lavagem de capitais. A operação é da Polícia Federal e Delefaz (Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul), com apoio da Receita Federal. O nome escolhido remete a Judas Iscariotes, o traidor que entregou Jesus Cristo aos seus algozes. A referência é à falta de lealdade funcional e ao uso indevido da função pública em benefício de atividades ilícitas. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .