Campo Grande vai receber, entre os dias 22 e 31 de março, o artista plástico português Santiago Belacqua, conhecido internacionalmente pela produção em arte sacra. A visita faz parte da programação da COP15 e inclui exposições, apresentações e encontros com artistas e instituições locais. A vinda do artista foi articulada pela escritora e produtora cultural Delasnieve Daspet, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. A proposta é unir fé, cultura e meio ambiente em uma programação acessível ao público. Um dos principais momentos será no dia 23 de março, na UFMS, durante a COP15. Belacqua vai apresentar a obra “Salvator Mundi – O calor humano derrete o gelo”, que traz uma reflexão sobre as mudanças climáticas e o impacto das ações humanas no planeta. “Essa tela retrata a humanidade que sente as alterações climáticas influenciando negativamente muitas regiões do planeta, e os animais, seguramente, deparam-se com problemas de adaptação às novas circunstâncias que nunca lhes serão explicadas. Então, terão de mudar ou desaparecer”, afirma o artista. Outro destaque é a exposição “Amarras”, que será inaugurada no dia 26 de março, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. A mostra aborda, de forma simbólica, a relação entre o ser humano e os animais, especialmente aqueles que sofrem com mudanças no ambiente. “Procuro mostrar, simbolicamente, a dependência que existe da fauna em relação ao ser humano. ‘Amarrei’ 18 animais com cordas, quase todos são espécies migratórias, incluindo a Cegonha e Tuiuiú! Também estão outros de Mato Grosso do Sul que não são migratórios como a Arara Azul, a Onça, o Cavalo Pantaneiro, e espero que nunca sejam obrigados por nós a mudar de habitat”, explica Belacqua. A escolha das obras tem ligação direta com o tema da COP15, que discute a preservação da biodiversidade. Para ajudar na criação, Delasnieve apresentou ao artista imagens de animais típicos de Mato Grosso do Sul. Durante a passagem pelo Estado, Belacqua também participa de uma série de atividades culturais e institucionais. Entre elas, a abertura da Semana Santa na Igreja de São José, além de eventos com a Academia Feminina de Letras e Artes, Assembleia Legislativa, Câmara Municipal e OAB. A visita também abre espaço para artistas locais. Durante a exposição na Assembleia, alguns nomes de Mato Grosso do Sul vão apresentar seus trabalhos, com a possibilidade de ganhar visibilidade internacional. Além das artes visuais, o intercâmbio inclui literatura. Belacqua e Delasnieve estão lançando, em Portugal, um livro conjunto com poesias da escritora e pinturas do artista, em uma edição bilíngue. Para Delasnieve, a visita representa uma oportunidade importante para a cultura local. “É um momento muito especial, construído a partir de várias conexões que foram se somando. Conseguimos trazer o olhar de um artista internacional para a nossa realidade, especialmente para a relação do homem com os animais e com o meio ambiente. Ao mesmo tempo, abrimos portas para que artistas daqui também possam ser vistos lá fora. É um intercâmbio que fortalece a cultura em todos os sentidos”, destaca a escritora. A programação termina no dia 31 de março, no Teatro Glauce Rocha, com a apresentação da obra “Stabat Mater”. O espetáculo reúne o Coro Lírico CANT’ART, a maestrina Edineide Dias de Oliveira, o maestro Marcelo Fernandes e a Camerata de Madeiras Dedilhadas da UFMS, unindo música e arte. Natural de Vila Nova de Famalicão, em Portugal, Santiago Belacqua começou sua trajetória artística após um momento pessoal marcante e ganhou reconhecimento internacional, especialmente a partir de 2013, quando produziu obras para o Papa Francisco. Essa é a primeira vez que o artista visita Mato Grosso do Sul. A passagem por Campo Grande fortalece a conexão cultural entre Brasil e Portugal e amplia o acesso do público local a uma arte de alcance internacional.