Espiadinha – Maior rival político do ex-prefeito Alcides Bernal nas eleições de 2012, o ex-secretário de Obras de Mato Grosso do Sul, Edson Giroto, não hesitou em dar uma “espiadinha” na cena da confusão em que o adversário se meteu na tarde desta terça-feira (24). Bernal atirou e matou o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, que entrou com chaveiro na casa onde o ex-prefeito mora na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados. Curiosidade – Giroto disse que se informaria melhor sobre o que estava acontecendo pela imprensa, mas admitiu que passou no local após ouvir falar da ocorrência. “Vou ficar sabendo o que aconteceu por vocês. Só ouvi no rádio e passei aqui”, disse sem esconder o sorriso ao conversar com os repórteres. Em 2012, Bernal e Giroto travaram batalha fervorosa pela Prefeitura de Campo Grande. O ex-secretário era líder nas pesquisas, mas perdeu para o candidato do PP, que obteve 63% dos votos. Nova eleição - Após acordo mediado pelo Ministério Público, o presidente da Câmara, Papy (PSDB), reiterou ontem (24) que haverá nova eleição para a Mesa Diretora do biênio 2027-2028. A votação deve ocorrer no segundo semestre, entre outubro e dezembro. Segundo ele, a intenção é apenas “ratificar” a chapa já eleita anteriormente, após decisão do STF que proibiu eleição antecipada. “A gente vai fazer uma ratificação no final do ano. Na prática, acho que não muda muita coisa, mas vamos obedecer à determinação”, disse. Acordo mantido? - Segundo Papy, há acordo entre os vereadores para manter a mesma composição. “Todos estão de acordo”, afirmou. Ele disse ainda que a prioridade é manter a estabilidade política da Casa e que a nova eleição será apenas para adequação jurídica, já que o mandato começa apenas em 2027. Mudanças para 2027 - Mesmo com a manutenção da base, mudanças já estão previstas na composição futura. André Salineiro deve deixar a 1ª vice-presidência, que deve ser ocupada por Lívio Leite, enquanto a vereadora Ana Portela deve assumir a 2ª vice-presidência. Ao Campo Grande News, Salineiro afirmou que não pretende disputar espaço. “Para mim, está sendo positivo e não fiz questão de bater o pé para continuar como vice”, disse. Apoios - Nos bastidores, outros vereadores afirmam que a tendência é manter a chapa e evitar disputa. Lívio Leite (União Brasil) disse que já há conversas e apoio ao atual presidente. “A tendência é manter a mesma chapa”, afirmou. Já Luiza Ribeiro disse que a decisão judicial foi recebida “com tranquilidade” e que a Câmara aguarda apenas o prazo para refazer a eleição. PP quer espaço - Entretanto, contrariando o “consenso”, o PP, que ficou fora da Mesa, deve discutir a indicação de um nome para a nova composição. O líder do partido, Maicon Nogueira, afirmou que a sigla ainda não foi chamada para conversar, mas pretende participar. “Pelo tamanho do PP, é quase impossível o partido não ter um espaço na Mesa”, disse. Segundo ele, a decisão será tomada em conjunto pelo partido, incluindo o nome do vereador que irá compor a Mesa. No vermelho - Mesmo arrecadando mais do que o previsto em 2025, a Agetran fechou o ano no vermelho: foram cerca de R$ 52,3 milhões em receitas, enquanto as despesas chegaram a R$ 88,4 milhões, gerando um déficit de aproximadamente R$ 36 milhões. O detalhe é que boa parte dos recursos não vem de arrecadação própria, mas de repasses, enquanto os gastos se concentram em pessoal e serviços. No fim, o caixa ainda encolheu ao longo do ano, o que mostra um cenário contraditório: arrecada mais, mas gasta muito além e perde fôlego financeiro. Denúncia ao MPF - A fala da vereadora Ana Portela (PL) sobre a visita do presidente Lula a Campo Grande virou denúncia no MPF (Ministério Público Federal). A vereadora Luiza Ribeiro (PT) protocolou representação por calúnia após Portela chamar Lula de “ladrão” e dizer que a população deveria “fechar as portas de casa”. O caso ocorreu na sessão de quinta-feira (19) e abriu novo embate entre vereadores na última sessão (24). Imunidade parlamentar - A discussão também envolveu o uso da imunidade parlamentar. O vereador Rafael Tavares (PL) saiu em defesa da colega e afirmou que a fala estaria protegida. Luiza rebateu e disse que a imunidade não vale para crime contra a honra. “A imunidade serve para dar segurança ao parlamentar, não para cometer calúnia”, afirmou. “Eu falei o pensamento de boa parte da população brasileira”, declarou. A vereadora acrescentou que há “dois pesos e duas medidas” e citou críticas feitas pela esquerda ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu sou a favor da liberdade de expressão. Não de vez em quando, sempre”, disse.