Em Matanzas, o motorista Estevam diz que Cuba está dolarizada e que há negócios privados
Lúcia Pedreira
Em Cuba
Fugimos do roteiro e resolvemos conhecer Matanzas, cidade movimentada. Trânsito intenso e muitas pessoas nas ruas. Vários prédios em estilo neoclássico.
Em Matanzas está o importante Museu Farmacêutico, um legado francês. É a farmácia preservada mais antiga do mundo e possui certificação da Unesco.
O Boticário começou a funcionar em 1882 e, em 1964, se tornou museu. Os fundadores, doutores em Farmácia, foram o francês Enrique Triolet e Juan Fermín Figueroa.
Há um arquivo preciosíssimo de medicamentos produzidos por ambos. Toda relíquia é guardada em frascos de vidro e porcelana. As plantas medicinais, que produziam remédios para atender a população, foram catalogadas, e as pesquisas e receitas registradas em livros. Agora, começaram a digitalizar as informações.
No local, estão os equipamentos do laboratório, onde os estudiosos se dedicavam horas para apurar cada descoberta.
Paga-se 200 pesos para conhecer o museu, com acompanhamento de guias.
Funcionário do museu, Jorge nos mostrou enormes prateleiras com as preciosidades.
Há também especiarias de vários países. Em um pote de cerâmica, encontramos a tapioca do Brasil.
Na cidade, visitamos um atelier, em uma rua de casas coloridas. Por perto, o majestoso Teatro Sauto, estilo neoclássico, que começou a funcionar em 1863. Matanzas tem tradição artística e cultural. Da herança africana, veio o som dos tambores e surgiu a rumba na cidade, primeira dança nacional de Cuba.
Fomos a Matanzas de táxi, em um carro clássico, da Ford, de 1953, antes da Revolução Cubana, que ocorreu em 1959.
Durante a viagem, o motorista Estevam nos contou sobre os avanços e as dificuldades na ilha. Primeiro destacou a herança de Fidel de Castro. Depois falou das mudanças que começaram quando Raúl Castro, irmão de Fidel, assumiu o comando no governo.
Estevam explicou que hoje há negócios privados no país. Se um cubano quer montar uma cafeteira, por exemplo, pode fazê-lo, não há impedimento, obviamente cumprindo regras normais do comércio.
Explicou que hoje o país está dolarizado. As moedas aceitas são o peso cubano, o dólar e o euro.
Lúcia Pedreira, jornalista, é colaboradora do Jornal Opção.
O post Em Matanzas, o motorista Estevam diz que Cuba está dolarizada e que há negócios privados apareceu primeiro em Jornal Opção.