Boicote ao Oscar
Adoro polêmicas. Meus dois tipos favoritos: as relevantes e as absolutamente desimportantes. No primeiro caso, incluo a discussão sobre a falta de atores negros no Oscar. Voltarei a ela em breve, depois do exemplo de polêmica vazia: o erro no anúncio da Miss Universo. Foi de propósito ou sem querer? Golpe de marketing para gerar buzz ou babada monumental? Não leva a nada, mas é divertido, serve para puxar assunto no elevador e no bar.
Tem um tipo de polêmica que eu não gosto: a falsa. Aquela que se apresenta como relevante, mas não existe. Poupá-los-ei de exemplos, embora sejam abundantes.
Back to Hollywood, celebridades negras estão ameaçando boicotar a cerimônia do Oscar pela falta de indicados afrodescendentes. O diretor Spike Lee puxou a fila. A discriminação contra os negros é real. Muito se evoluiu desde Martin Luther King, mas ainda há um gigantesco desnível de oportunidades e de reconhecimento. Mas é preciso ter cuidado para não virar o fio. Porque seria igualmente racismo indicar um ator para o Oscar só porque ele é negro, árabe, judeu, chinês ou visigodo (link abaixo).
O fato de não haver atores negros indicados ao Oscar desse ano talvez seja um bom sinal. De que ninguém se deu conta de olhar para a cor da pele dos atores antes de votar. Já levaram a estatueta, entre outros: Hattie McDaniel ( E o Vento Levou), Sidney Poitier (Uma Voz nas Sombras), Whoopi Goldberg (Do Outro Lado da Vida), Denzel Washington (Tempo de Glória), Halle Berry (A Última Ceia), Morgan Freeman (Menina de Ouro). Todos foram premiados porque eram bons, não porque eram negros. Ao todo, foram 15. É verdade que, desde 2006, atores negros só recebem prêmios secundários. Isso não é, necessariamente, racismo.
Por outro lado, compreendo que a busca pela igualdade de oportunidades precise de visibilidade e de um certo toque de agressividade civilizada, sem exageros. Spike Lee, que andava meio sumido, tem crédito ilimitado por "Faça a Coisa Certa", de 1989. Um baita filme. Vibrante, original, colorido. Dessa vez, porém o diretor está fazendo a coisa errada. O boicote é um exagero, mas o direito de não ir é inquestionável. Se todos seguirem o exemplo de Spike Lee, a Academy será mais uma vez acusada de racismo no dia 28 de fevereiro. por falta de negros na plateia da cerimônia de entrega do Oscar.
A Vida É Bela, de Roberto Benigni, os visigodos e o racismo